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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Valentine #5

- Santa Bárbara, Califórnia, 2007 
   Estávamos indo a um lugar desconhecido por mim. Ele insistia em tampar meu olhos com as mãos e segurar nossos skates.
   - Chegamos - Sussurrou ele no meu ouvido.
   Tirou as mãos lentamente, mas antes que pudesse abrir os olhos ele pegou em maxilar com delicadeza e me apoiou para não cair. Lentamente abrindo meus olhos, estava frustrada, queria mais do que um selinho fraco. Me deparei com seu sorriso estonteante que me fez perder noção da vida.
   - Não está esquecendo de nada? - Perguntou ele.
   - Ah! A surpresa. O queria me mostrar?
   - Acende a luz e veja.
   - Não sei porque, mas acho que conheço essa história - Disse enquanto me dirigia ao interruptor.
   - Surpresa! - Gritaram umas 30 pessoas em coro.
  Estava surpresa e boba. Uma mistura de sentimentos me atacou. Estavam todos segurando balões coloridos e enfeitados, havia um bolo gigante com inúmeras velas.
   - Mas, não entendi - Disse aturdida.
   - Oh filhinha! - Disse minha mãe quando vinha me abraça - É sua festa de aniversário!
   - Mas meu aniversário é...
   - Amanhã - Completou ele.
   Não havia me dado conta de que meu aniversário estava próximo. Estavam todos lá. Minha família, meus amigos, o amor da minha vida.Todo mundo mesmo.
   Agarrei-o pelo pescoço dei-lhe outro beijo, bem mais apaixonante do que o primeiro, o que fez todos vibrarem. E inesperadamente fiquei vermelha.
   Fui de encontro aos convidados, que me presentearam a parabenizaram com lindas mensagens e desejos de prosperidades.
   Passado algumas horas, meu coração estava acelerado. Estava animada com o fato de ter sido agraciada com amigos tão bons, fiéis e sinceros. Fernanda, a mais nova agregada ao grupo de amigos, fazia acenos freneticamente a fim de chamar minha atenção. Sorridente, me dirigi até ela, levando minha taça de vaca-preta. Deu me um sorriso sei graça e apontou para um local mais reservado. Logo entendi que uma conversa séria estava para acontecer.
     Dirigi-me ao local indicado com elegância: me deliciando com cada passo dado, fazendo pose. Senti-me uma deusa para ser mais exata.
     Ao chegar, um rosto preocupado me esperava.
     - Ana, quem é ele? - Perguntou-me ela.
     - Ele?
     - É - me virou para que ficasse de frente com a pessoa que ela se referia. Arquejei. - ele.
     - É o Davi. - corei.
     - Mas, vocês tem alguma coisa?
     - Sim, ele é meu namorado. Você já sabia disso.
     - Ana... Eu conheço ele.
     - Ora, que ótimo então! É bom que ele se enturma mais rápido. Você poderia até...
     - Não Ana. Por favor... Me escute. Tenho algo para te contar, mas me escute até o final.  - disse ela me interrompendo.- Ana, ele não é boa influência. - E pegou em minhas mãos como forma de súplica.
     - Ah! Mas que conversa é essa Fê? Ele é meu melhor amigo desde a maternidade! - ela virou de costas - Eu o conheço! Não é só porque você não curte skatistas que eu vou desistir dele!
     Parei por um instante. Estava furiosa com ela, mas ela era minha amiga... Queria apenas o meu bem,
     - Fê... desculpa. Olha para mim.  - Virei-a. Estava chorando, inconsolável.
     - Você não entende Ana... Ele matou o meu pai!

("Jéssica Stewart")