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quinta-feira, 3 de março de 2016

12 Angry Men (Doze homens em fúria)- RESENHA



Se você assitir 12 Angry Men (Doze homens em fúria, no Brasil) hoje sem um olhar crítico, não vai achar nada demais. É apenas outro filme antigo, rodado em preto e branco. A trama é bem simples: doze homens são chamados para participar de um júri e eles têm que dar um veredito ao juiz. A história se passa dentro de uma sala quente e simples, com uma mesa grande onde eles se sentam e discutem o caso. Apenas isso. 

Interessante é trazer o filme para os dias atuais, ver que, em 49 anos, nada mudou. 

Obviamente não estou falando do sistema de julgamento ou da cadeira elétrica, que era a pena da época (afinal, nem chegou por aqui, né?). Há quase meio século atrás, o mundo se dividia entre os poderes do Kremilin e da Casa Branca, criava-se a Comunidade Econômia Europeia (CEE, início da União Europeia atual), Nikita Khrushchev era o líder a União Soviética, Eisenhower era o presidente dos Estados Unidos e o Brasil vivia o nacional-desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek. Eventos bem recentes para a historiografia, e considerando ainda que o Brasil ainda viveu 21 anos de ditadura nesse meio tempo, tem-se apenas 28 anos de democracia e "liberdade" de expressão .

No filme, os doze homens possuem personalidades distintas. Há os que são mais estudados, outros que possuem a lábia dos vendedores; há jovens e velhos. Contudo, não é o mais estudado ou o mais "vivido" que detém uma linha de pensamento racional desde o início do filme, é apenas um arquiteto comum que decidiu retirar as viseiras e ampliar a discussão do caso. Enquanto onze diziam que o réu era culpado apenas porque queriam ir embora mais cedo, ele se viu repleto de indagações que o deixavam com uma dúvida racional e assim, sozinho, começou a tentar convencer o restante do júri. Assim como no filme, na vida real nem sempre os racionais possuem currículos brilhantes, e na maioria das vezes têm que travar discussões desgastantes com pessoas desinteressadas ou que tentam impor sua opinião porque são mais fortes ou porque conseguem gritar mais alto. É assim que as minorias são reprimidas: com violência. 

Pergunto-me se essas agressões são fruto da ignorância ou se esta é a causa daquela. Pessoas que não são capazes de manter uma discussão racional, argumentar e manter uma linha de pensamento, normalmente procuram vencer por meio da intimidação. Mas isso é realmente vencer? Isso impõe respeito ou afasta os oprimidos? Torna temido ou faz as pessoas revidarem silenciosamente? 

Todavia, o que mais me preocupou é ver que muitos pensamentos se mantém desde 1957. Será que estamos mesmo progredindo ou os discursos de ódio e retrógrados estão voltando com mais força? Por que será que ainda ouvimos tanta gente que pensa da mesma forma, com as mesmas viseiras? Pensar dói, lógico. Immanuel Kant já dizia que sair da menoridade é assumir suas responsabilidades, é sair da zona de conforto e pensar por si só. É um caminho doloroso, sem dúvida, afinal, assume-se a culpa pelos próprios atos. Mas se manter na ignorância chega a ser ainda pior; nada anda para frente, nem o país e nem você. Fica estacado no mesmo pensamento de que "o melhor presidente foi Vargas" que você cresceu escutando seu pai e seu avô falando, mas nunca olha os problemas governo, nunca tenta aprender com o passado para não cometer os mesmo erros no futuro, e "pra quê, né?", você nunca fez questão de saber da política porque é um papo chato (O triste é que você não está sozinho, a maior parte da população brasileira não sabe o que acontece em Brasília, seja por falta de interesse ou por jogo midiático). 

No fim, esse texto deixou de ser uma resenha crítica para ser quase uma súplica, um desabafo. Você que está lendo esse texto tem que fazer parte da mudança que precisamos alcançar. Não se mantenha na ignorância, não. Saiba todas as faces de um cubo, saiba todos os pontos de vista, saiba opinar e argumentar, aí sim você pode escolher um lado, seja ele de direita, esquerda, feminista, nazifascista, homofóbico, terrorista, pagão ou religioso, a liberdade de expressão existe para te proteger também. Não tente impor o que você pensa só por que acha que está certo, seja flexível! Permita-se mudar de ideias e opiniões a todo momento, afinal, ninguém está certo por completo e ninguém está totalmente errado. Se conseguíssemos mudar o discurso de muita gente irredutível, progrediríamos para um estado de bem-estar que abrangeria a sociedade como um todo. Apenas pense, se informe. Tenha uma dúvida racional, proponha a discussão do assunto e ache respostas. Você pode fazer a diferença. Você pode ser a mudança.

-INFORMAÇÕES SOBRE O FILME-
Nome do filme: Doze homens em fúria 
Ano: 1957
País: Estados Unidos
Duração: 96 minutos 









("Jéssica Stewart")