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sábado, 11 de janeiro de 2014

C_NS_R_DA

Eu vi a juventude passar por mim
vagarosa, preguiçosa.
Senti na pele emoções sinceras.
Sorri.
Cantei.
Diverti.
Cheguei até mesmo a amar.

Mas o tempo não para
e passa sem ser notado.
Já  sinto nos ombros a pressão de crescer.
É tempo de dedicação e esforços.

Mentiria se dissesse um dia
que ao passado jamais voltaria.
Vivi um tempo bom,
mas para um outro alguém.

Não fiz o que queria.
Não me entreguei por inteira a nada.
Vivendo constantemente
com medo de ser renegada.

Não pude amar de  verdade.
Nem ao menos dar atenção
a quem realmente importava.
Fingindo sempre ser um alguém que não sou.

Para quê, afinal?
Não me tornei uma pessoa especial.
Nem ao menos saí do lugar.
Destinada a ser a mesma coisa sempre.

Não sou tão velha, de fato,
mas meus anos bons foram roubados.
E eu não resisti.
Deixei-me levar pelo medo e insegurança.

O que me resta?
Chorar não irá resolver.
Muito menos reivindicar o tempo perdido.
Resta somente viver enquanto é possível.

Terei que deixar mais alguns anos para trás.
Eles me disseram.
Devo escutá-los, afinal sempre foi assim.
Por quê?
Ora, eles detém o poder.
Eu os deixei comandar minha inútil vida.

Considere-me então, caro amigo
como um caso impossível.
Jogarei mais esse ano,
em meu enorme baú do tempo perdido.

("Jéssica Stewart")