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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Escarlate

E lá foi ela. Um meio sorriso trêmulo armado na face pálida. Moldada em ossos. Mas o sorrir era metal e no olhar frio tinha cravado cristal. Na alma, doçura. Na carne, secura. Despida das vestes enegrecidas. Mortalhas sofridas. Trajada na lama da escória. Esboçada pela transgressão do apetite voraz social. Desnuda de moral, filosofia pagã, uma ex-moça sã. La foi ela, a rainha escarlate, a tal do embate. Mergulhar de cabeça no mar de sangue do desempate. Não tem mais amante, perdeu pro quebrante. Não quis diamante, se tornou a errante. E lá foi ela. Com expressão pálida. E uma desenvoltura inválida. Pra cadeira da morte, pra derrocada da sorte.
Tudo isso sofreu ela, por na mais tenra idade... Divergir da velha balela.