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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Uma luta de todos

   Era uma nova era se iniciando.
   O instinto revolucionário borbulhava nas mentes, antes caladas, da população brasileira.
    Miriam, uma tenente da polícia, era fidelíssima ao seu emprego. Vivia seus dias em prol de promover a paz social e a segurança dos Paulistanos.
   Um dia, porém, sua rotina foi interrompida por um fato curioso. Um grupo de estudantes, julgados baderneiros, reivindicavam por direitos incabíveis à sociedade contemporânea, essa foi a informação dada por seu superior .
   Não pensou duas muito e pôs a se dirigir ao local relatado.
   Deparou-se com uma visão horripilante. Haviam inúmeros jovens, gritando e cantando palavras de ordem, segurando cartazes de caráter irônico, pecando contra o governo que tanto zela por nós.
   Atordoada, ordenou ao seu batalhão que formasse um cordão de isolamento, impedindo a passagem dos vândalos. Não obteve seu objetivo, os manifestantes empurravam e atacavam.
   O pandemônio se estendeu por muitas horas. Aos poucos o grupo foi se dispersando.
   Miriam estava exausta. Nunca vira algo parecido. Chegou em casa, e ali mesmo, na soleira da porta, pôs-se a chorar.
   Dormiu entre soluços, com o coração saltando pela garganta.
   No dia seguinte houve uma nova onda de protestos. Decidida, organizou seu batalhão em grupos, e liberou o uso de armas de fogo nos rebeldes que resistissem.
   A visão era ainda pior: havia gritaria, pessoas correndo, o sangue vermelho vivo era visto por todos os lugares. O terror se espalhava nos olhos de todos. Era um cenário de guerra.
   Um jovem mascarado, segurando um cartaz, vinha de encontro à ela. Um cabo prontificou-se e atirou no meliante, que caiu desfalecido no gélido asfalto. Um jovem médico voluntário arrastou o corpo até uma pilha de mortos, formando um rastro com o sangue fresco.
   Horas mais tarde, após a chacina, Miriam descobriu que o jovem morto era na verdade seu irmão mais novo.
   Louca de cólera, percebeu que fora a culpada pelo ato infeliz e que vândala, era ela.
   Internou-se em uma clínica, tornou-se religiosa, abandonou a carreira que tanto amava e tornou-se líder de movimentos sociais que buscavam os direitos de uma minoria que vivia oprimida pela sociedade. Enfim havia algo para se dedicar em sua vida, e por mais que doía a falta de seu irmão, sentia-se orgulhosa pela mudança que se submetera e sabia que ele estava lá com ela, iluminando-a e protegendo-a, como sempre fizera.

("Jéssica Stewart")