Páginas

Pesquisar este blog

quinta-feira, 12 de março de 2015

CONTO - Estrelas mortas



Tudo começou tão rápido... Quando viu, já estava cara-a-cara com aquele céu crepuscular, aguardando ansiosamente pela chegada da noite estrelada. Fitava o infinito, encantado com todos aqueles pontinhos espalhados pelo manto negro como lantejoulas em um vestido de festa. Enquanto ele encarava o céu, percebia que este o encarava de volta, imponente e desafiador.         


Naquele momento, Ítalo se esquecia dos problemas que se ergueram a seu redor assim como os muros de concreto por toda a cidade.
Capturou uma folha de jornal que passou voando ao seu lado, e percebeu que a brisa havia se tornado mais forte, levantando poeira. O rapaz nunca vira a cidade tão abandonada assim, com as luzes apagadas e quase ninguém perambulando pelas ruas - que ficaram desertas como quando era feriado de carnaval e todos iriam para a praia. Desta vez, porém, o clima era de melancolia e apreensão.
―Oh! ― Exclamou o rapaz ao ler a manchete do jornal. A data: 03 de março de 2015. Era do dia posterior ao primeiro caso de desaparecimento da cidade. ― Objeto encontrado na cidade mineira de Milharal causa rebuliço nas autoridades brasileiras. ― Leu a frase em destaque com cautela, pensando alto, mas não tão forte a ponto de ser ouvido pelos vizinhos. Lembrou-se de que estava sobre toque de recolher desde que aquele objeto não identificado fora encontrado.  
Ouviu repentinamente um barulho, que pensou ser um invasor ou um dos guardas da força nacional. Contudo, era seu gato, Patrão, que escalava o muro. Voltou os olhos para o jornal e iluminou-o com uma lanterna à pilha.
Continuou a ler assim que reparou que ninguém estava por perto para prendê-lo em flagrante. Os jornais estavam proibidos de circular a uma semana desde que o estado de emergência foi instaurado em toda a cidade. “Uma estratégia para evitar o pânico”, pensou.
Sabia que as notícias não eram as mais animadoras possíveis, contudo.
Levantou-se e dobrou o papel em muitas partes, depois colocou-o no bolso. Andou alguns metros até encostar no frio muro de pedra, e colocou o pé direito em um sulco na rocha. Era assim que sempre fazia para fugir à noite, escondido, e explorar a cidade deserta a seu redor.
Caiu em um gramado macio e com cheiro de terra no terreno ao lado, que estava abandonado a alguns dias. Assim, podia acessar a ruela que percorria praticamente os fundos de todas as casas do quarteirão. Era a maneira que Ítalo encontrara para escapar da lei e (tentar) não entrar em desespero.
―Olá. ― Uma voz feminina sussurrou em seu ouvido e o fez balançar nos eixos. Tombou para trás e se escorou no muro de casa. ― Calma, cara.
Uma linda garota saiu de trás de uma árvore centenária. Estava bem agasalhada e com os cabelos amarrados em um coque. Não tinha mais do que vinte anos.
―Poxa, você realmente me assustou. ― Ítalo sorriu carinhosamente e estendeu as mãos; galanteador. - Prazer, Ítalo Lizário.
―Nossa, que… ― Ela perdeu as palavras por um momento. ― Gen- gen-til? ― Estendeu as mãos e riu diante da atitude pouco convencional do rapaz. ― Brincadeira. Meu nome é Ana Paula Braga.
―Você vem sempre aqui? ― Ítalo também riu, em resposta, e não pôde deixar de reparar que a garota estava apreensiva.
―Não... Estamos sobre toque de recolher, lembra? ― Ana limpou as mãos suadas na jaqueta jeans que usava e buscou um toco de madeira encostado na árvore que usou para sentar.
Ítalo observou as mechas douradas no cabelo de Ana Paula com desejo, certamente sondando-a da cabeça aos pés. Não era pervertido, estava apenas… carente.
―Ah, é... O toque. Pera... Lembro vagamente deste seu sorriso... Acho que conheço seus pais... José Márcio e Mariana Fonseca?
―Sim. ― Ana rapidamente ficou com uma expressão confusa na face. ― Como?!
―Como eu conheço eles?? Agora tô lembrando que eles trabalhavam com os meus... – Ítalo fitou novamente o céu estrelado.
―Ah tá. ― Súbito, Ana ficou inexpressiva. ­― Como eu nunca te vi aqui?
―É que eu me…
Ambos foram surpreendidos por um clarão que invadiu o lote vago. Ítalo abaixou-se rapidamente, e carregou Ana consigo da forma que conseguiu.
―É um guarda?
Ela quis espiar, porém uma varredura visual era feita no lote, e qualquer movimento era perceptível.
Com um meneio, Ítalo assentiu.
Os guardas andavam fortemente armados, e tinham ordens para levar preso qualquer um que estivesse fora de casa durante o período do toque. Inicialmente, a população relutou em seguir este modelo. Entretanto, após alguns habitantes serem presos e torturados, acabaram servindo de exemplo para o resto; desde então, completavam duas semanas que todos se recolhiam minutos antes das oito da noite e somente tinham permissão para sair de casa às seis da manhã. Nem mais, nem menos.
O clarão subitamente desapareceu e os dois jovens se levantaram. Ana caminhou lentamente em direção à beirada do lote vago, pondo os pés na calçada por onde o guarda andara a pouco. Conseguiu visualizá-lo com sua lanterna a cerca de dez casas de distância.
―Vem comigo? ― Ela olhou para Ítalo com os olhos esperançosos.
O rapaz não teve tempo de responder, apenas fitou a faixada de sua casa uma última vez, como sempre fazia quando os pais ainda estavam em casa, dormindo. Agora, sentia falta deles. Do suave perfume de flores da mãe e do odor de suor do pai ao chegar do trabalho; pequenos detalhes que naquele momento faziam toda a diferença.
Desejou que eles pudessem estar ali novamente, mas sabia que era difícil frente à situação que enfrentava. Demorou a “cair a ficha” de que eles foram raptados. Simplesmente desapareceram. Junto com ela, despencou a responsabilidade da vida adulta, não a inconsequência da juventude que teve de largar no lote ao lado quando percebeu, há dois dias, que estava sozinho no mundo.
Quando voltou do devaneio, Ana já disparava ruela afora, atravessando-a delicadamente, com passos leves como de bailarina.
―Espera, Ana, acho melhor não irmos por aí… ― Tentou sussurrar. Ela não ouvia, no entanto. ― Pera… Volta aqui… SACO! ― Bradou para si mesmo.
Inexplicavelmente, sentia-se incumbido de protege-la, e acabou disparando também pela ruela, evitando apenas que o desespero lhe transbordasse a alma e viesse a culminar em lágrimas de dor.
Não percebeu que imprimia em Ana todas as esperanças de uma vida melhor.

Virando a primeira esquina depois de sua casa, ainda na ruela que separava o quarteirão, Ítalo quase foi pego por um guarda em ronda pela rua de Ana. A garota se escondera em uma fresta na parede, provavelmente um local já usado por ela muitas outras vezes.
Chegando próxima a uma portinhola vermelha nos fundos de uma das casas, Ana Paula parou e fitou um cadeado com senha que a trancava. 
―Eu não consigo abrir. ― Disse, revelando preocupação em seu olhar.
―Como assim? É só virar os dígitos de acordo com a senha… Essa é a sua casa?
―Sim.
―Então… E você sabe a senha?
Ana negou com a cabeça enquanto olhava ansiosamente para os lados.
―Meu pai sabia…
―Sabia? - Ítalo puxou-a de encontro a seu corpo; ambos fixaram seus olhares por um segundo.
―Ele foi sequestrado. Há três dias.
―Ah… - O jovem envolveu-a em um abraço tenro e sentiu que sua blusa ficava pouco-a-pouco molhada de lágrimas. ― E sua mãe? Como está?
―Você realmente não sabe de nada sobre a vizinhança? Estava onde? Abduzido?
―Meus pais são do governo… Fechados demais, entende? Mas...
―Mas o quê? Não temos tempo...
―... Eles também se foram. Mais ou menos no mesmo período.
Ana Paula virou-se ainda de olhos marejados. Encarou Ítalo com admiração e dúvida ao mesmo tempo. Seria confiável?
―Vamos dar a volta. ― Virou-se novamente em direção à rua principal, onde ficavam as fachadas das casas. ― É arriscado, mas tenho a chave.
―Por que não me disse antes?
Ana não respondeu.
Ítalo sabia que, naqueles últimos dias, um passo em falso significava desaparecimento e tortura. Ainda duvidava se realmente havia uma invasão alienígena em curso naquele momento. Por que em Milharal? Por quê? Ele se perguntara várias vezes, mas nunca encontrava uma resposta. Restara a dúvida.

Contornaram a ruela silenciosamente e espiaram pela rua fracamente iluminada, premunindo o perigo que corriam.
Chegaram à frente de uma residência simples, porém bem cuidada. Solidão transbordava pelos arredores, como se nenhuma alma viva além dos dois estivesse ali naquele momento.
Ana Paula tirou um molho de chaves do bolso e demorou a achar a correta para abrir o cadeado do portão. Ítalo percebeu que ela tremia levemente e tentava disfarçar. Em menos de um minuto, os dois estavam dentro da sala de estar que, sem energia, estava imersa na escuridão. Ana acendeu uma vela na mesa de centro.
―Minha mãe era da resistência. Uma militante. ― A jovem encontrou palavras no meio do breu de sua mente confusa. ― Mais ou menos um dia antes de meu pai desaparecer, o prefeito mandou fazer buscas na cidade.
Ítalo escutava quieto, com um olhar de apreensão no rosto. Ana continuou a falar:
―Ela não estava aqui. Estava na sede da resistência, com outras militantes. ― Uma lágrima solitária caiu de seus olhos. ― Capturaram todas.
―Então você passou todo este tempo sozinha?
―Primeiro, meu pai ficou aqui comigo. ― Ana buscou um copo de água na cozinha, conjugada com a sala de estar. Ítalo seguiu-a com olhar, admirando-a de cima a baixo. Como não havia água na torneira, a jovem retornou de mãos vazias e um sorriso envergonhado no rosto. ― Ele era militar, e voltou do serviço na Amazônia a menos de duas semanas.
―E como foi que ele desapareceu?
―Era de noite. Por causa do toque, todos estavam em casa. Nós assistíamos à novela na Rede Globo, mais ou menos nessa hora de agora. Fui ao meu quarto buscar uma almofada para sentar no sofá junto com ele, e quando voltei…
Ana não suportou a saudade, e desabou nos braços de Ítalo, que a confortou novamente.
―Calma… Agora está tudo bem. Estou aqui para te…
Ítalo não pôde completar a frase. Foi interrompido bruscamente por um clarão vindo da janela dos fundos. Imaginou que fosse mais um guarda em patrulha, mas logo lembrou que estava dentro de uma casa, e não havia rondas dentro das casas.
Ana levantou-se rapidamente em um sobressalto e pôs-se de pé antes mesmo de Ítalo. O rapaz tratou de encobri-la com o corpanzil jovem exalando adrenalina.
―Fique atrás de mim.
Era uma frase cliché; uma atitude cliché, mas necessária para o momento. Ítalo sentia que Ana não suportaria mais um instante sequer de tensão com os policiais da ronda ou algum invasor mal-intencionado.
Ele segurou nas mãos geladas de Ana e apertou-as como se dissesse que “tudo está bem. Vou te proteger, não importa o que aconteça”; todavia, reconhecia que algo estava realmente fora dos padrões.
Lentamente, os dois caminharam rumo à suíte dos pais de Ana, com cautela para não chamara atenção. O clarão não diminuíra como sempre fazia, e permanecia parado iluminando a sala pelas frestas da cortina; era similar a quando o poste instalado na frente da casa fazia jorrar luz no exato local onde ela entrava naquele momento.
O quarto de casal estava uma baderna, revirado dos pés à cabeça, com o colchão rasgado estirado no chão, as portas do guarda-roupa escancaradas e com todas as gavetas abertas, além de todo o seu conteúdo jogado ao chão.
Mentalmente Ítalo perguntou-se “Que diabos é isso?”, e olhou para Ana com uma cara de interrogação. Ela entendeu tudo, mesmo sem ouvir nada de seus lábios.
―Não tente entender.
―Não precisa explicar. ― Ele se abaixou e fitou, discretamente, no meio de uma moldura quebrada e cacos de vidro, uma foto que retratava uma família feliz.
Havia uma garota, Ana, com seus cabelos balançando ao vento e um sorriso no rosto. A seu lado, um casal de meia-idade, provavelmente seus pais, que brincavam de namorar, dando uma beijoca leve e posando para a foto. Ainda, um garotinho de no máximo dez anos, brincando com um cachorro, poodle, de pelo branquinho que estava rolando na grama. Era uma cena interessante.
O clarão novamente inundou a sala.
―Tem alguém ali. ― Ela olhou para a janela por um instante e voltou-se para Ítalo com uma expressão preocupada. ―Aqui não é seguro. Prefiro pensar que é uma ronda comum, mas... – Ítalo sentiu novamente a mão gelada de Ana tocando-o nos braços descobertos. ― ... pode não ser.
―E o que fazemos? Tem uma porta nos fundos ou algo assim?
―Sim, mas está ligada à frente por um caminho de pedras. Pode ser que nos vejam.
―Então...
―O jeito é entrarmos em meu quarto e esperarmos que, o que quer que isso seja, vá embora.
O clima subitamente ficou frio. Ítalo lembrou-se do livro Sob a Redoma, onde o misterioso aquário de vidro era capaz de criar microclimas.
―Si..si..si...sim?! – Ele ficou nervoso com coisas da mente que o atormentavam.
Ana, no entanto, não ligou para a fala trôpega do rapaz. Abriu a porta do quarto, seguida por Ítalo, e ambos passaram até o cômodo escuro. A luz da lua estava encoberta pela persiana que tremulava levemente perante a brisa noturna que se instalava.
Os dois se viraram para um enorme armário de madeira maciça ao lado da cama. Ítalo admirou o trabalho de marcenaria que fora feito na peça, talhada por mãos habilidosas.
―Vai ficar aí observando ou prefere que nos vejam aqui? ― Ana novamente se mostrava ansiosa ao lado de Ítalo.
―Já vou... É que faz muito tempo que não vejo um desses, ah... armários centenários.
―Tá. Depois você terá muito tempo para contemplar, mas agora precisamos nos preocupar em sobreviver.
Ítalo encostou a mão na maçaneta fria de metal do armário. Ao mesmo tempo, sentiu que a brisa havia aumentado e o ambiente tornou-se uma mescla de solidão e tristeza.
Abriu a porta, que rangeu e deslocou-se pesadamente.
―O que é que... ― Assustou-se com o que via lá dentro e recuou instintivamente.
No interior do armário, ao invés de roupas haviam mulheres. Muitas delas. Como Ana, transmitiam serenidade, porém faziam algo nem um pouco convidativo. Nuas, de peles lisas e limpas, examinavam corpos humanos em catres metálicos. Um deles, Ítalo percebeu de relance, era um vizinho desaparecido, agora de dorso aberto e com o coração para fora.
Exposto e na entrada da sala repleta de mulheres nuas, Ítalo sentiu seu estômago revirar e seus neurônios ferverem dentro de seu cérebro. Era muita informação para aguentar passivamente, recebendo em jorros a provável notícia de que todos os desaparecidos estariam mortos.
Foi neste momento que lembrou-se de Ana Paula e girou o dorso de forma lenta e demorada, sentindo sua face se retesar em uma amarga risada de nervosismo.
Ana estava parada no mesmo local onde ele a vira minutos atrás, pálida demais para parecer normal. Suas feições haviam mudado da água para o vinho, da carne para o espectro. A luz do luar invadiu o quarto junto com o vento, leve, e atingiu Ana Paula pelas costas, fazendo-a parecer um fantasma. Ítalo percebeu que não havia mais vida naquele corpo. Ana Paula estava morta.
NÃO! ― Mas ela ainda podia falar? ― Não era para você descobrir! Eu só tinha que te levar para o portal! Não! Entre aí! Entre!!!
A impressão que Ítalo teve era de que Ana estava tentando atrair a atenção das mulheres no interior do armário, contudo, elas permaneciam impassíveis e calmas, analisando ainda os corpos gélidos em cima dos catres.
A emoção tomou conta do jovem Ítalo, que desabou em nervosismo e ficou paralisado enquanto Ana se debatia inutilmente. Novamente ele ficou perplexo com o que via. A garota antes translúcida agora estava pontilhada em tons de roxo, como se fossem pingos de tinta difundindo cor pelo seu corpo.
Nuances de fúcsia, carmim e verde boreal invadiram o quarto, oriundos das entranhas da garota, que aos poucos se consumia internamente.
Ítalo recordou-se das poucas aulas de astronomia que teve durante o ensino médio e não pôde acreditar no que estava presenciando. Era uma supernova, ele jurava. Uma implosão de uma estrela. Em versão infinitamente inferior, com muito menos energia envolvida, o suficiente apenas para gerar um vento quente e mórbido que invadiu o pulmão de Ítalo com força e fez sua mente rodopiar.
Tudo lentamente foi ficando preto; a visão do jovem cada vez mais turva e desconexa, esvaindo-se em caos. O quarto esverdeado, brilhando tal qual uma discoteca interplanetária, afundou-se em um caminho móvel, afastando-se como se fosse olhar pelo lado errado de um telescópio, em que as imagens ficassem cada vez menores... E menores... Até desaparecerem por completo.

***

Uma luz desconexa esquentou a face de Ítalo. Ele acordou, assustado, como se tudo tivesse sido um pesadelo. Abriu lentamente os olhos e sentiu que seu corpo inteiro doía.
Atabalhoadamente pôs-se de pé, escorando-se na parede. Percebeu que o armário gigante de madeira havia sumido, bem como qualquer rastro que provasse a existência de Ana Paula naquela dimensão. A janela estava escancarada, e a lua ainda estava alta no céu, iluminando o chão do quarto bem no local onde Ítalo estivera desfalecido por causa do apagão mental.
Ele seguiu pelos corredores escuros da casa, lentamente, até alcançar a porta da frente. Abriu-a por completo, ainda atordoado e com a mente viajando.
A rua estava deserta e não havia iluminação artificial; nem dos postes na calçada, nem oriunda do interior das casas. Era como se todos tivessem ido embora, não apenas se recolhendo de medo.
Pedaços de madeira, concreto e muita terra cobriam o asfalto a sua frente, e algumas casas estavam com os telhados arrancados.
A brisa noturna fazia um barulho calmo, como se o vento passeasse por aquele lugar deserto.
Ítalo teve o instinto de olhar para o céu.

O abismo infinito da noite fitava-o, imponente. A lua estava solitária: Todas as estrelas haviam desaparecido.

ANDRÉ LUIZ