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segunda-feira, 2 de março de 2015

Resenha - A seleção (Kiera Cass)

Para quem vê a capa de “A seleção”, livro de Kiera Cass, inicialmente bate um desânimo. Não estou reclamando da imagem em si, mas da mensagem que ela PARECE transmitir, de que tudo não se passa de uma historinha adolescente besta que se passa em um palácio.
DEFINITIVAMENTE não é.

America Singer é uma adolescente envolta em uma sociedade conflituosa e dividida em castas. Ela é uma Cinco, o que significa que tem de conviver diariamente com o trabalho e a vida sofrida do equivalente a uma classe média baixa. A casta Cinco é onde os artistas se encaixam, e a família dela é tradicionalmente formada por músicos.
A música é uma paixão que America nutre desde pequena, mas, nos últimos anos, algo mais desperta amor em sem seu jovem coração. Este algo tem nome, Aspen, um jovem galante da casta Seis. Sendo um Seis, é renegado a um reles serviçal, que é inserido bem cedo na família Singer quando seus pais são requisitados para limpeza.
Assim, Kiera desenvolve uma relação conturbada entre dois jovens de castas diferentes usando um pano de fundo político interessantíssimo, ao mesmo tempo uma distopia (visto que há uma volta do sistema de castas em plenos Estados Unidos, agora um país totalmente diferente chamado Iléa) e também um realismo crítico, em que as diferenças sociais claramente capitalistas são exageradas pela autora.
Contudo, o casal America e Aspen é surpreendido quando a carta da seleção chega na casa dos Singer, indicando que a menina está apta para participar do concurso. Obviamente, seus pais e irmã ficam radiantes com a notícia. É a tão esperada chance de subirem de casta junto com America, tornarem-se Três, e abandonarem a quase miséria que os acompanha.
Já America não vê muitas esperanças em sua participação. Insiste em não reconhecer seu real potencial, e acaba desmotivada com o concurso; principalmente porque ainda sonha com uma vida ao lado de Aspen. Mas é exatamente ele quem é seu maior fã, tentando de tudo para fazê-la se inscrever para a Seleção.
America acaba sedendo e, no outro dia, está no departamento para entregar sua convocação preenchida. Junto, nutre o sonho de dar uma vida melhor para a família por quanto tempo for necessário, depois, voltar para os braços de Aspen e constituírem um lar.
Este sonho desmorona quando a jovem é selecionada e pouco tempo depois está cara-a-cara com o monarca mais assediado dos últimos tempos, o famoso Maxon Schreave, príncipe de Iléa, a razão para toda aquela ideia de concurso. America descobre que ele talvez possa não ser o rabugento e esnobe homem que ela imaginara, e que seu coração ficaria saltitando dentro do peito na indecisão de ter de escolher se continua no concurso e garante mais um tempo de cheques volumosos da família real para sua família ou volta para o simples jovem Aspen pela qual é apaixonada e retoma sua humilde vida nos subúrbios de Carolina.
Como já disse, em princípio a trama parece bem adolescente, variando entre obstáculos para um amor impossível, com uma relação amorosa clichê e uma pitada de distopia; mas as pinceladas de ação feitas por Kiera parecem mais verdadeiros traços impressionistas, inovando no quesito apresentação dos fatos.
O foco, obviamente, é na mente de America e de como o ambiente em seu redor é capaz de modificar seus pensamentos. No entanto, o contexto muda-se a todo o momento, e subitamente a calmaria e requinte do castelo de Iléa é tomada pela rebeldia de invasores perigosos que ameaçam as vidas das trinta e cinco selecionadas e de toda a família real.

Diante disso, uma história eletrizante que passeia por uma distopia conquistadora e um amor cativante que nos leva a suspirar compõem o enredo de “A seleção”, certamente uma bela obra de Kiera Cass e que merece os aplausos da crítica internacional pelo conteúdo que apresenta.

Dados da obra (Skoob)

Nome: A seleção

Autor(a): Kiera Cass
              ISBN: 9788565765251
              Ano: 2012 / Páginas: 368
              Idioma: português
             Editora: Seguinte



Nota:3,5/5





autora, Kiera Cass



 resenha por André Luiz