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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Crônica - Olhos fechados, mente aberta


Fechar os olhos, abrir a alma, expandir a mente...
É se permitir a ter uma consciência da realidade a partir do conhecimento de mundo formado pelas experiências vividas, seja pessoalmente, seja por meio de canais comunicativos... Sim, é possível viver um livro, um filme, uma conversa; histórias são capazes de tocar o íntimo do pensamento humano de inúmeras formas - e, de tão intrínseco no cotidiano, mal dá-se conta desse fenômeno.
Os olhos estão fechados, em contrapartida há um mergulho em meio a conhecimentos diversos, reais e ilusórios - fruto das emoções, que pregam peças quase sempre, por exemplo -, instrumentos que, em conjunto, formam opinião e moldam o indivíduo. E é uma coisa tão única, tão pessoal, que é impossível achar duas pessoas que compartilham um mesmo conhecimento de mundo, uma vez que as experiências atingem de forma distinta cada indivíduo; uma pessoa que gosta das histórias do Nicholas Sparks (ou do José de Alencar, ou da Glória Perez, para ser um pouco nacionalista) provavelmente tem uma visão diferente do amor, se comparado a alguém que leu os textos de Schopenhauer, assim como dois que possuem conhecimento das obras desse filósofo não abstraem de forma igual (e tampouco integralmente) a tese defendida por ele.
É como se todo o saber acumulado previamente filtrasse as informações recebidas, e as julgadas de caráter agregador formam novos fios que se entrelaçam aos antigos. Entretanto, com o tempo, os poros da peneira tornam-se menores, impedindo a absorção de novos conhecimentos, e como o bombardeamento de informações é constante, manter-se estático, convicto em relação às opiniões pessoais, não é lá uma coisa muito boa; é necessário despir-se um pouco de ideias consolidadas, refletir sobre tudo (Seria a dúvida cartesiana mentalmente saudável?), adequar-se às mudanças de pensamento do meio, posicionando-se contrário ou favorável e usando argumentos bem fundamentados, cortar, remendar, mudar a peneira, sair da zona de conforto - tudo isso com bom senso, encontrando a mediania entre ser estático e ser inconstante.
Assim, de olhos fechados, mergulhar em um mar de informações e construir novos conceitos, opiniões, valores, que posteriormente poderão ser alterados; basta apenas não permanecer na superfície e com os olhos abertos.

("Lídia Duarte")