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quinta-feira, 10 de março de 2016

Resenha - O mágico de Oz





Um livro de terror para crianças. É a definição mais sensata para o livro "o mágico de oz", de Frank Baum.


A garotinha Dorothy está brincando tranquilamente em sua casa com seu cachorrinho Totó, quando os céus de tempestade se aproximam de sua casa. Mais e mais seu tio Henry e sua tia Em estão preocupados com o que pode estar por vir e preparam o abrigo anti-ciclone para recebê-los. Os ventos aproximam-se da propriedade e começam a movimentar a vegetação. Seus tios chamam-na para o abrigo, porém Totó escapa de suas mãos e se esconde debaixo da cama. Apenas um minuto de distração e ela também se separou dos tios, ao passo que a tempestade engoliu a casa com a garota e o cachorro dentro.



No olho do ciclone, ela conseguiu encontrar o cachorrinho e teve de se abrigar no quarto, em cima da cama, onde achou ser o mais seguro. Felizmente, tudo ocorreu bem para Dorothy e a casa não cedeu; apenas tremia muito, mas ela e Totó acabaram se acostumando tanto que o balanço dos ventos acabaram por fazê-la dormir. Acordou no dia seguinte com o sol batendo em seu rosto o grande amigo brincando e latindo na sala. Um pouco desnorteada, levantou-se ao som de batidas na porta. Era a terra de Oz chamando-a para a aventura. 


A começar pelos companheiros de Dorothy em sua caminhada em busca do espetacular mágico que vive na Cidade das Esmeraldas. Um espantalho que possui vida própria, fala e anseia por um cérebro, na esperança de guardar lembranças e ser capaz de pensar. Um leão covarde e incapaz de ferir um animalzinho, mas que aos poucos torna-se amedrontador, e que anseia por mais coragem. Também, um homem que aos poucos foi picotado por um machado enfeitiçado e seus membros foram substituídos por pedaços de lata, e tudo que ele mais quer é um coração para voltar a sentir emoções.

A partir daí, a história está recheada de situações malucas e fisicamente impossíveis que cheguei a duvidar de que Baum estivesse são quando pensou e escreveu "O mágico de Oz". Segundo uma pequena introdução e um texto base que a edição traz, o próprio autor se baseou em "Alice no país das maravilhas" - uma das obras mais extravagantes e malucas da Europa, uma verdadeira viagem psicotrópica - e acabou reduzindo um pouco a loucura, principalmente por não possuir um gato sorridente ou um chapeleiro maluco, mas que não deixa a desejar no quesito bizarrice. Assim, a trancos e barrancos, os cinco e o cachorrinho Totó enfrentam a penosa travessia de diversos países da Terra de Oz seguindo a estrada de tijolos amarelos rumo a cidade das esmeraldas, e lentamente o leitor descobre que, misturadas às loucuras desta terra, diversos sentimentos e ensinamentos podem estar escondidos. 


A história de "O mágico de Oz" é atemporal e mesmo sendo publicada pela primeira vez em 1900, até hoje é elogiada e muito bem recebida por diversos públicos, principalmente quem gosta de um livro leve e sem uma trama carregada, mas que não deixa a ação e a emoção de lado. Para quem tiver a oportunidade, o Mundo de Oz já foi amplamente explorado nos cinemas com os filmes "O mágico de Oz" e "Oz, mágico e poderoso"-este segundo divergindo da história original em diversos aspectos, principalmente pela figura hollywoodiana do mágico que deixou de ser um anão farsante para ser um galã majestoso - e também adaptado pela Broadway, em uma produção que ficou anos em cartaz e que foi muito bem reproduzida. Talvez, para uma criança, a história do livro possa se tornar um pouco assustadora (principalmente pelas medonhas situações em que acontecem algumas mortes e decapitações), o que para alguém que, como eu, goste de um pouco mais de ação e menos tom de fábula, torna-se muito interessante. Segundo a própria introdução do livro, Baum criticava o nonsense de "Alice no país das Maravilhas", mas admirava o modo como Lewis Carroll nunca punha fim a emoção da história, e realmente fez jus a sua admiração. O autor sabe brincar com os sentimentos das crianças, imagino eu, quando coloca em cheque monstros assustadores e criaturas fantásticas vivendo por todo aquele mundo isolado da civilização, ao mesmo tempo que insere a figura da própria criança perdida, Dorothy, que se vê sozinha e tem de enfrentar diversos obstáculos. O que não deixa de ser digno de um excelente autor, sem deixar de lado a proposta de ser uma fábula moderna para entreter. 


Em suma, "O mágico de Oz" é uma história de superações e uma aventura infantil que não deixa de ser interessante aos adultos. Dorothy, o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde compõem um dos grupos mais bem equilibrados e ao mesmo tempo despreparados do mundo das histórias fabulosas, em um livro repleto de dualidades e que cativa pela simplicidade. 
por André Luiz