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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Crônica - A tristeza faz parte de mim

Está no meu DNA.

Na caixinha em que veio meu código genético, aquele mesmo que define todos os meus traços, veio com um aviso:
"Contém tristeza". Intrínseca, faltou. Ou não. Não importa. O fato é que a tristeza é parte de mim.
Pelas paredes de meu coração e pelos corredores de meu cérebro percorre a tristeza, ou deixa de correr felicidade? Não... Está superabunda em meu eu, mas a tristeza ainda faz parte de mim.
"Nossa, que triste em?" - Literalmente. E nem é zoas.
Por conta dela também já perdi uns quilos, tentando correr desse sentimento, mas ele sempre me alcançava e me dava uma rasteira. Sempre doía, talvez mais do que se tivesse permanecido inerte.
Por conta dela faço, desfaço e refaço um milhão e meio de coisas ao dia, mas deixo de fazer três ou quatro milhões.
Mas não desanimo não. Ela bate, estapeia, me empurra, derruba e até dá umas facadas, mas continuo firme [igual um prego na manteiga em pleno verão brasileiro]. Mas firme, sempre.
Ela já faz parte de mim há tanto tempo mas nunca me passou despercebida. Sempre foi muito bem sentida, talvez bem até demais, algumas vezes.... Mas e o agora? Como me comporto? Às vezes até parece que não tenho a tristeza como parte de mim!
A partir do momento que aprendi que vivo para servir, tudo mudou e hoje cá estou, sorrindo e espalhando as boas novas junto ao jeito deboísmo de ser. Meus anseios, prantos e medos têm lugar especial ainda, mas não são mais prioridade. Esta, agora, é ver e fazer [ou fazer e ver] o outro sorrir, abraçar, contar piada, falar que tá bom dimais mesmo quando estiver tudo de cabeça pra baixo aparecer com um sorriso estampado no rosto em PLENA SEGUNDA FEIRA, é ouvir, ser ouvido, compartilhar, ensinar e admoestar. É também saber quando não ser assim, chegar de fininho, dar um abraçozinho e falar [ou não] que vai ficar tudo bem e que tô ali pra dar o ombro, o ouvido, o joelho, as mãos e até ser esse tanto de coisa ali de cima de uma vez só.
E ainda assim, a tristeza faz parte de mim. Mas, agora, algo muito maior também faz. Amor sem medida, amor sem igual, amor que não compactua com o mal. Amor que é por si só amor. Amor que só é possível se já foi assim amado. E eu fui, e aceitei esse amor com um abraço... E agora o multiplico, parece até coisa de mágico! Mas não é. É coisa de quem tem seja lá o que for dentro de si, não importa, mas tem água da fonte que não se esgota.
Não é só a tristeza que faz parte de mim.



("Renato Traspadini")