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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Caso 127



     Andando pelas ruas deparei com uma situação interessante: uma jovem menina de 12 anos, aproximadamente, chorava desesperadamente em frente a um prédio. Prontamente fui ajuda-la.
     - O que foi? O que aconteceu?
     - Fui roubada! – respondeu ela em meio às lágrimas.
     - Roubada? O que levaram?
     - Meu coração! – E caiu no chão em desespero.
     Assustada, entendi logo do que se tratava.
     - Querida, qual é o seu nome? – Perguntei calmamente a fim de tranquiliza-la.
     - Ale... Alessandra – Disse entre soluços.
     - Vamos. Conte-me o que aconteceu querida.
     Levei-a para uma lanchonete próxima e comprei um pote sorvete para que ela acalmasse.
     Agradecida começou a falar:
     - Eu estava na festa da Maya e...
     - Maya? Quem é ela? – interrompi
     - Minha melhor amiga. – disse ela sem entusiasmo.
    - Ah. Quantos anos ela tem?
    - Não sei, mas acho que está terminando a faculdade.
   Estava alarmada. Procurei obter a maior quantidade de informações possíveis e sutilmente liguei meu gravador de voz.
     - Continue meu bem. – Encorajei com um sorriso.
     - E lá estava o Luiz, mas eu não entendi porque as pessoas chamavam ele de Fernando também...
     - E ele era da idade da Maya? – indaguei.
     - Sim, eu acho – respondeu confusa.
     - Conte-me mais, por favor.
     A menina se endireitou na cadeira, como se refletisse no que deveria contar ou omitir. Tive um pressentimento ruim, sabia que essa história não teria um final bom.
     - Ele é lindo. Um príncipe. Disse que me amava e que quando as pessoas se tornam mais velhas, Deus dá a elas o poder da visão. Ele disse que éramos almas gêmeas e que estávamos destinados a ficar juntos para sempre... – Rapidamente, a expressão do rosto dela alterou. Estava omitindo uma parte crucial. – Ele disse que eu era linda... que se casaria comigo, que morava aqui – apontou para o prédio – mas acho que eu sou burra demais... Deus me castigou.
     - Castigou? Ele fez alguma coisa com você, Alê? Posso te chamar assim?
     - Pode – hesitou – Ele me levou para um quarto para continuar a história e disse que teríamos que fazer um ritual para sermos abençoados por Deus... E foi aí onde eu fiz algo de errado – começou a chorar novamente.
     - Ritual?
     - É. Hm – ponderou – Ele me chamava de anjo enquanto beijava meu corpo todo. Tirou minhas roupas e...
     Levei-a para meu posto de trabalho, desesperada. A menina, confusa, não entendeu de início, mas eu já conhecia o procedimento. Era a terceira jovem que sofreu abuso em dois dias.

("Jéssica Stewart")