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terça-feira, 26 de julho de 2016

POEMA - Tempus fugit


Tempo, tempo, tempo tempo...
come os dias, sonhos da insônia;

Tempo, tempo, tempo tempo..
devora a vida, as células, a alma;

Tempo, tempo, tempo, tempo...
se esvai rapidamente; não tem como recuperar;

Tempo, tempo, tempo tempo...

O tempo não deixa espaço para erros.
O tempo não deixa superar os medos.

Tempo, tempo, tempo, tempo...
esconder-se na escuridão ou arriscar-se no mundo?

Tempo, tempo, tempo, tempo...
sou escrava; és escravo.

Tempo, tempo, tempo, tempo...

E o tempo passa;
E a vida passa;
E as oportunidades passam;
E o desejo passa;

Tempo, tempo, tempo, tempo...

No final seremos apenas pó.
E o pó não guarda lembranças;
E o pó não vive.
O pó é somente o pó,
enquanto o tempo sempre será o tempo.


-("Lídia Duarte")

domingo, 24 de julho de 2016

Reflexão - Jamais mudaria o passado


    Às vezes me pergunto o que diria a mim mesma se pudesse me encontrar no passado. Pensei em dar algumas respostas que encontrei com o tempo, mas isso me privaria das buscas que enriqueceram meu conhecimento. Pensei em mostrar os caminhos mais fáceis para alcançar meus objetivos, mas isso me impediria de passar pelos desafios que me amadureceram e a sensação de vitória não seria a mesma. Pensei em dizer os momentos mais importantes, mas a espera por eles me deixaria ansiosa e a chance de me frustrar seria alta. Por fim, decidi. Se pudesse encontrar comigo mesma, daria-me um abraço apertado e reconfortante, afagaria meus cabelos, e antes de partir diria: "vá menina, vá brincar. Não se preocupe em crescer, isso ocorre naturalmente. Vá menina, e seja dona de sua própria vida".


("Lídia Duarte")

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Nosce te ipsum



Ei moça.
Já se olhou no espelho hoje?
Reparou que você é linda à sua maneira?
Você não precisa daquela intervenção que tanto pensa em fazer.
Seu corpo é perfeito, justamente por pertencer a você.
Entendeu o que eu disse? Você é perfeita.
Ei moça,
Abre logo um sorriso.
Quero ver seus dentes a mostra.
Quero ver sua alma exposta.
Quero ver o mundo inteiro se iluminar por você.
Seu sorriso é tão encantador...
Deveria se permitir a admirá-lo mais vezes.
Ei moça,
Para de se culpar por tudo.
Você não é responsável pelas dores do mundo.
É ele que não está preparado para a grandiosidade da sua existência.
Você sofre demais e esquece que não vale a pena.
O mundo vai continuar sendo imaturo demais,
enquanto você cresce, floresce, amadurece.
Semeie-se pelos caminhos que for passar e
Não tenha medo de viver intensamente,
Afinal, a vida pertence somente a você e a mais ninguém!
Recicle os julgamentos
E use somente aqueles que vão te enobrecer;
De degradante já basta o tempo que te roubam.
Ei moça,
Não dá para carregar tudo sozinha...
Aprenda com os erros e siga em frente!
Desapegue-se do que te faz mal.
Você não é feita para guardar tanta mágoa...
Seu fim último é ser você, viver para você, sonhar para você.
Ei moça,
Há tanto sonhos dentro de você.
Não perca tempo e realize os que puder.
Traga paz ao seu coração
Encha sua alma com energias positivas
Liberte-se!
Ei moça,
Ame-se antes de tudo.
Porque o amor mais verdadeiro que vai receber se encontra dentro de você
E saiba que a única coisa que te completa é você mesma.
Paixões vêm e vão, mas você fica; tem alma de guerreira.
Caia, mas sempre lembre-se de levantar e como fazê-lo.
Inunde-se de si!
Ei moça,
Já se olhou no espelho hoje?


- Lídia Duarte

terça-feira, 19 de julho de 2016

E uma nova fase se inicia...

     Por três anos, assinei todos os textos que escrevia com um pseudônimo. Tinha medo dos julgamentos, dos risos, das más interpretações, das críticas... Com o tempo, Jéssica Stewart deixou de ser apenas um nome e se tornou um heterônimo; tornou-se uma outra parte de mim, mais séria, mais introspectiva, mais preocupada com os problemas da sociedade, militante das lutas das minorias. Foi uma experiência única sobre autoconhecimento que me permitiu amadurecer com senso crítico a respeito de questões sociais e pessoais. 
     Mudei muito nesse tempo e continuo mudando; se foi para melhor ou não, é uma autoavaliação; cabe somente a mim. Serei eternamente grata a ela por isso, mas sinto que é hora de sair da zona de conforto que me foi proporcionada. Quero sofrer as consequências de ter meu nome assinando os meus textos, sejam elas boas ou não. Quero assumir a responsabilidade por meus textos e quero dar voz a eles. Agradeço a todos que me apoiaram nessa mudança. Meus textos antigos continuarão assinados do jeito que estão porque não quero desfazer de parte da minha trajetória.
      Jéss, essa não é uma despedida, é só um até logo. Muito obrigada por ter me ensinado a me valorizar e não ter medo de ser quem eu sou. Agora eu preciso aprender a caminhar sozinha.

("Lídia Duarte")




terça-feira, 12 de julho de 2016

Crônica - Felicidade programada


    Seria ela feliz? Mesmo após todos os erros que levaram-na percorrer sonhos imperfeitos, alheios, distantes dos quais havia sempre sonhado para si quando ainda era menina e mal sofrera as dores do mundo que a transformaram nessa mulher de hoje.
     Seria ela feliz? Mesmo depois dos encontros e desencontros que ocorreram sem que ela tivesse controle. Mesmo depois de todos os rancores, que um dia tratavam-se  de amores -será?; tantas palavras que suprimiu, tantos sentimentos que reprimiu, tantos gestos arrependidos, tantas despedidas mal ditas – malditas despedidas. E a memória do que foi só não é pior do que as lembranças dos planos que poderiam ter acontecido.
     Seria ela feliz? Mesmo ao sorrir para esconder o choro depois de receber um daqueles golpes da vida que acertam bem na boca do estômago e deixam uma dor latente que nem sempre deixam de existir. Ah... Seu coração pulsava sôfrego pois.
    Seria ela capaz de conseguir decidir sozinha um caminho melhor para a própria vida do que aqueles tantos outros que começaram a ser traçados bem antes que ela nascesse.
Seria ela feliz? Aguardemos os próximos capítulos.
                                                      

(" Lídia Duarte")

domingo, 26 de junho de 2016

Conto - Tempo Perdido



Uma flor amarela de umas seis pétalas crescia no meu jardim. Um espaço pequeno, quintalzinho quadrado de grama verdinha e com umas cercas brancas em volta: nada de especial. Ficava ao lado de uma rua nada movimentada, muito quieta, num cenário cinzento, desprovido de vida. Ela era a pincelada atípica de um tom vivo que faltava na minha cidade morta.

Ela fitava a rua vazia, como se esperando por algo: como eu. As vezes ficava triste, cabisbaixa, murcha: como eu. Mas de manhã sempre se levantava junto com o sol e lá dispendia horas a fitar o horizonte (como eu), talvez viesse o que tanto esperava. Eu torcia por ela, e sei que ela torcia por mim. Mas, como sempre se repetia, o ocaso se descortinava e nada novo vinha sob o céu.
Tínhamos aquela esperança que se esmaecia dentro de nós. Sempre lá, contando segundos, esperando que a luz se demorasse mais um pouco no céu, porque talvez algo se revelasse. Eu deitava ao lado dela, colocava a mão no rosto e suspirava. E depois de um tempo em que o mesmo cenário se repetia quadro a quadro, tudo ficou meio automático. Eu mal a olhava, mal me prendia a apreciar sua presença, só ensaiava a peça dolorosa dos nossos dias monótonos a fitar a selva de pedra da paisagem, esperando ver o menor sinal daquilo que tanto queríamos.
A vontade nos tornou egoístas, eu acho. Mal olhávamos pro lado, sempre centrados no futuro. O presente se tornou, aos poucos, uma mobilha indesejável nos recônditos dos nossos seres. Apenas queria o ver passar logo, e mal me toquei que quanto mais o futuro chegava mais presente ele se tornava. E, logo, eu também o indesejava. Tudo se resumia à fantasia de um tempo inexistente que eu fantasiava, algo destituído de ser, algo que não era palpável e nem estava esperando a hora de chegar em canto algum.
Num dia como todos os outros a flor me presenteou com a ausência. Nada se via além de matéria orgânica decomposta no meio da grama. Talvez sua esperança se desvanecera toda, e o sentimento bizarro de seu vácuo simplesmente a matou, pensei. E então eu me toquei. Ela sempre estivera ali. Ela era o presente insólito e singelo que me trazia conforto, e estava sempre garantida no futuro... até aquele dia.
Demorei pra me tocar que o futuro não existe, ele é só o presente que ainda não aconteceu, ele só é ele quando acontece, e mesmo quando o faz... não é o futuro. Eu vivi em função de sua espera, e no meio daquele ciclo vicioso um ponto final cruzou as minhas sentenças sem fim.
Me perdi numa projeção de tempo, e só me toquei que ele existia bem ao meu lado quando ele se tornou passado. Morri um pouco aquele dia, e fui obrigado a viver, sem a companhia da flor, o horrendo presente.


("Douglas Moreira")

quinta-feira, 9 de junho de 2016

RESENHA - O clube dos anjos(Luis Fernando Veríssimo)

Um retrato do dia-a-dia de um grupo de cavalheiros viciados em comida. Entre eles, um assassino sem série: A Gula.


“Parecíamos um grupo de invasores de outra espécie que ainda não percebera que seu disfarce não funcionava, que o rabo ainda estava à mostra. Imagino que era isso que a mulher de André dizia, depois de descobrir que não éramos os sofisticados que ela pensava. Não é gente da nossa espécie, André. Deixa esse clube de malucos. Em vinte e um anos, tínhamos nos transformado em pessoas esquisitas.”


É o primeiro livro de Luis Fernando Veríssimo que leio, e confesso que já fiquei um pouco fã deste escritor tão icônico e irônico, de palavras simples e estrutura muito atraente ao leitor. “O clube dos anjos”, um livro que foi me cativando aos poucos, pedaço por pedaço, é daqueles que você acaba por pegar(emprestado na biblioteca, como foi o meu caso), esperando uma leitura casual e rápida, até porque na edição que eu encontrei o enredo se resume em 142 páginas.


Contudo, Veríssimo afunda o leitor na história de tal forma que, com certo sarcasmo, acabamos nos rendendo e lendo com mais voracidade ainda.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Crônica - Conformadamente inconformada


      Caminhava dando passos apressados, como se tivesse horário marcado. Não reparava nos outros transeuntes com medo de achar algum conhecido e ter que parar para cumprimentá-lo.
     "Oi", "tudo bem?", "e a família?", "o tempo está bom", "o tempo está ruim"... sempre aquelas mesmas conversas vazias, sem conteúdo, totalmente desnecessárias. Estava farta de sorrir o tempo todo, de ser educada o tempo todo. Que lhe fosse permitido um dia ruim, sem que lhe chegassem urubus procurando se saciar com as más notícias de sua vida. Queria ser ela, sozinha no mundo... quem dera... mas dizem que a  solidão sufoca a alma, mata os desejos, a vontade de viver. Afinal, para que serve a felicidade se não pode ser compartilhada?
     Ok, assumo que ela queria alguém; contudo, este não podia cercear seu espírito libertino, tampouco ser um desconhecido tão perdido quanto ela. Alguém para amar, zelar, proteger... mas não tinha tempo. Corria de tudo e de todos quando podia.
     Essa pobre moça, inconformada com o meio em que estava inserida, lutava o quanto podia para isolar-se da sociedade. Andava apressada, não porque tinha pressa. Ela só tinha medo de viver, de se permitir a fazer escolhas ousadas que talvez pudessem retirá-la do caminho traçado ainda na maternidade. Era uma áurea pulsante, ávida pela liberdade presa em um corpo que limitava os seus anseios.
     Estava cansada da vida que tinha, mas não se esforçada para mudá-la.

("Jéssica Stewart")

sábado, 4 de junho de 2016

Lançamento Darkside - O menino que desenhava monstros - JUN/2016

        Olha a Darkside arrasando novamente! Desta vez com esta maravilha da edição que ficou o livro "O menino que desenhava monstros", de Keith Donohue. O release e as informações técnicas estão logo abaixo.

Todos já desenharam monstros na infância,

mas poucos conseguiram dar vida a eles.

Keith Donohue escreve histórias realmente assustadoras. Não aquelas com sangue por todos os lados ou sustos premeditados para fazer o leitor pular da cama. O horror está nas sutilezas que são capazes de fazer a pele formigar e nos dar a certeza de que estamos diariamente interagindo com o sobrenatural.

Jack Peter é um garoto de 10 anos com síndrome de Asperger que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há de monstros embaixo de sua cama e à espreita em cada canto. Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar.

Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa. Enquanto as pessoas ao redor de Jack são assombradas pelo que acham que estão vendo, os monstros que Jack desenha em seu caderno começam a se tornar reais e podem estar relacionados a grandes tragédias que ocorreram na região. Padres são chamados, histórias são contadas, janelas batem. E os monstros parecem se aproximar cada vez mais.

Na superfície, O Menino que Desenhava Monstros é uma história sobre pais fazendo o melhor para criar um filho com certo grau de autismo, mas é também uma história sobre fantasmas, monstros, mistérios e um passado ainda mais assustador. O romance de Keith Donohue é um thriller psicológico que mistura fantasia e realidade para surpreender o leitor do início ao fim ao evocar o clima das histórias de terror japonesas.

Um livro para fazer você fechar as cortinas e conferir se não há nada embaixo da cama antes de dormir. O Menino que Desenhava Monstros receberá o tratamento monstruoso já conhecido pelos leitores da DarkSide® em 2016. A história também ganhará uma adaptação para os cinemas, dirigida por ninguém menos que James Wan, o diretor de Jogos Mortais e Invocação do Mal

Ficha Técnica
Título | O Menino que Desenhava Monstros
Autor | Keith Donohue
Tradutor | Cláudia Guimarães
Editora | DarkSide®
Edição | 1ª
Idioma | Português
Especificações | 260 páginas (estimadas), Limited Edition (capa dura)
Dimensões | 16 x 23 cm


darksidebooks.com | 
facebook.com/darksidebooks | 
vc@darksidebooks.com



A pré-venda já está disponível no link a seguir: Pré-Venda O menino que desenhava monstros

quinta-feira, 2 de junho de 2016

RESENHA - Onze(Mark Watson)

O meu exemplar, publicado no Brasil
pela Rai Editora
Um livro tímido até na capa, mas uma história arrebatadora e de palpitar o coração. Onze, de Mark Watson, (até então passando despercebido em minha estante), deu-me uma boa lição de como não julgar um livro pelo seu título.


Xavier e Murray são dois apresentadores de um show da madrugada londrino que acalenta os sonâmbulos ingleses em suas noites em claro. Aparentemente próximos um do outro, descobrem-se verdadeiros conselheiros nos mais diversos aspectos, desde ouvintes com problemas amorosos até alguns à beira de um colapso nervoso, dispostos a dar um ponto final à suas vidas.


É um trabalho difícil, pelo peso que o show acabou ganhando em sua audiência fiel, e a responsabilidade que caiu nas costas de Xavier por vezes o deixa em dúvida quanto à sua real importância na vida de todas as pessoas que ligam para ele, rostos que ele nunca viu, vozes por vezes inéditas, em outras, regulares e desesperadas. Há, de certo modo, uma forma de afetar a vida do próximo, indiretamente, através de seus atos cotidianos? Estamos todos conectados por uma imensa teia de acontecimentos?