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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Sedução


              Estava tudo muito calmo até aquele momento. Camille havia acordado a pouco e preparava-se para sair com o namorado novo. Era seu primeiro encontro com ele, que conhecera em um restaurante a alguns dias, e ela desejava se fixar naquele relacionamento de vez e engatar um noivado a partir dali. A sociedade a comprimia para tal e o resto do mundo parecia conspirar contra ela.
      Tomou o banho como faz todos os dias.
      -Tenho que estar deslumbrante! – Pensou.
      E foi de encontro ao espelho. Curioso que aquele objeto tão insignificante pudesse despertar tantos sentimentos nas pessoas. Algumas delas, ficam tristes quando pensam naquela sobra de pele ao lado da barriga. Outros adoram se olhar no espelho. Os narcisistas se amam tanto que podem ficar horas e mais horas se olhando à frente dele.
      Como sempre, ela decidiu usar algo menos ousado, que a deixasse bonita, mas sem esbanjar muito. Se trocou e depois voltou-se ao espelho.
      Aquele instrumento maravilhoso servia, para ela, mais do que para observar-se, e sim como uma forma de devanear sobre as questões da vida. Muitas vezes, Camille postou-se a frente do espelho e deslumbrou-se com a figura que via refletida. Quanto ela havia crescido desde o seu último namorado! Agora ela sentia-se muito feliz ao lado daquele rapaz, tanto que aquele dia de encontro seria muito especial.
      A campainha tocou quase que imediatamente após o fim daquela contemplação individual de Camille. Era Joe Rogers, seu mais novo affair.
      -Oi amor, como vai? – Questionou o homem.
      -Ansiosa e apreensiva, mas satisfeita por estar ao seu lado. – A moça sorriu carinhosamente e depositou delicadamente as mãos sobre as do rapaz. – Desculpe-me se estou sendo ousada demais, mas eu posso dar-te um beijo?
      Apesar da pergunta, ela não esperava uma resposta verbal, mas assim um longo e demorado beijo entre namorados. Da última vez, ela teve a certeza de que sua timidez aa havia atrapalhado.
      O rapaz se assustou um pouco, mas logo cedeu ao pedido e tascou-lhe logo um terno, mas atrapalhado beijo de amor.
      -Obrigada. – Ela afirma, corada.
      -Obrigada porque? – O rapaz deu um sorriso com o canto da boca, que foi respondido com mais um beijo, desta vez por iniciativa dela.
      -Por estar ao meu lado. – E olhou para ele, com pequenas lágrimas escorrendo dos olhos.
      -Sempre estarei, Camille.
      A mulher então resolveu voltar ao quarto para retocar a maquiagem.

      Aquele banheiro alvo e cuidadosamente limpo poderia suportar um time inteiro de futebol, visto que era tão espaçoso quanto a própria dona da casa, e exalava um perfume tão delicado quanto uma rosa. Na verdade, rosas eram as flores preferidas da mulher.
      Camille ainda podia sentir aquele vapor que emanava do local, um calor aconchegante e estupidamente sensual, despertando corpo e alma para mais algum tempo de vida, sempre com algum toque de sedução.
      E o espelho continuava embaçado, como se a água esperasse a mulher para escorrer vidro afora.
      Certamente ela teria que pegar uma toalha para limpá-lo, ao passo que agarraria o estojo de maquiagem para recompor-se visualmente daqueles dois primeiros beijos que seu mais novo namorado lhe dera.
      Decerto que seu coração não pararia de palpitar por um longo tempo depois daquilo. Lá no fundo, ela queria mais e mais. Podia olhar-se no espelho e ver sua  sensualidade aflorando naquele corpo, com uma animação grotesca e instintiva.
      Então, em um súbito acesso de euforia, ela pegou o batom mais provocante que tinha, de cor carmim, tão escuro quanto o sangue, de nome Sedução, e passou-o, delineando aqueles lábios carnudos e provocantes.
      Como se não bastasse , Camille ainda resolveu mudar de vestido para algo mais provocante, e um tomara que caia negro como a noite, cravejado de minúsculos cristais, foi colocado, com comprimento substancialmente longo; contudo, uma abertura ousada cavada desde os pés até o final das coxas, como se ela fosse mesmo “cair para matar” , no ditado popular.
      Neste ponto, os psiquiatras poderiam até dizer que ela estava louca, mas na verdade, ela estava era perdida de amores por Joe.
      E não queria encontrar-se.
      Prostrou-se à frente do espelho, fez uma pose que valorizava suas curvas quase esculturais e tirou uma selfie com seu smartphone virado para o espelho, mas não teve tempo suficiente para conferir o resultado de seu trabalho individual de contemplação , e foi logo postando a foto em seu Instagram.
      A buzina do carro de Joe soava agora, e por duas vezes a mulher ouviu-a antes de se tocar que estava a tempo demais ali, e que não era nada romântico deixar um homem sedutor esperando-a sozinho lá embaixo, na rua, visto que uma outra qualquer podia passar por ali e tirá-lo de Camille.
      Ela conferiu novamente seu reflexo e disse para si mesma, convencida de seu charme:
      -Você está tão bonita!
      E desceu um lance de escadas após o outro, porque o salto finíssimo que ela calçara exigia certo equilíbrio. Um tombo na frente daquele garanhão não seria bem visto.
      Antes mesmo de chegar próxima ao carro dele, ela já retomara a pose e exibiu toda a sensualidade que ela guardara por anos a fio, intríscecamente, consigo, e agora soltava-a como uma fêmea no acasalamento.
      E do outro lado daquela calçada de pedras, Joe a esperava, boquiaberto e tão espantado que nem uma plateia de filmes macabros poderia estar.
      -UAU! – O homem parecia realmente transtornado.
      “Exagerei?”, pensou Camille, corada.
      -Você está linda, meu amor. – Joe aproximou-se. Seu perfume amadeirado e másculo misturava-se com a doce fragrância de rosas de Camille. – Ah, e a propósito, rosas são as flores do amor.
      Camille sentiu-se quente por dentro. “Então é assim tão bom estar apaixonada?”, ela pensou, talvez um pouco alto demais.
      -Você nunca ficara apaixonada antes, meu amor?
      Ela fez que não com a cabeça.
      -Na verdade, já namorei outros caras antes, mas nunca senti algo tão forte assim. – Ela olhou-o novamente no fundo dos olhos.
      -Beije-me.
      Joe repousou ambos os braços sobre os ombros de Camille. Agora os dois estaavam bem mais perto e mais conectados do que da primeira vez que se beijaram, minutos atrás.
      -Como assim? – A garota questionou.
      -Somente beije-me.
      Joe inclinou o pescoço para a frente e repousou os lábios sobre a testa da garota, acariciando-a nos cabelos pesados. Uma onda de tremores subiu pela espinha dela, e ela delicadamente conduziu os lábios do rapaz até os seus, completando aquele que seria o beijo mais acalentado e apaixonado de todos os tempos.
      Durante longos minutos eles ficaram ali, unidos de alma e corpo, até que Camille afastou-se um pouco, deixando o homem sem entender o que realmente acontecia.
      Ela subitamente lembrou-se que nunca havia beijado alguém tão apaixonadamente assim. Aquele beijo tinha deixado-a sem ar, e ela sentia-se embaraçada por isso.
      -O que foi?
      -Nada. – A moça mentiu.
      -Vamos então?
      E conduziu-a rumo àquele lindo, elegante, imponente e luxuoso Honda, branco como uma  pérola.

      O jantar estava tão maravilhoso que a moça não percebeu a hora passar.
      Já por volta de uma da manhã, o casal havia parado ao lado de um lago com águas turvas e negras, que refletia a luz do luar, que especialmente naquela noite estava tão linda, com aquela Lua redonda e brilhante no céu.
      Uma névoa rala e fria passou pelo local onde eles estavam, e Camille teve de se aconchegar nos braços de seu novo namorado.
      -Camille?
      -Oi?
      -Posso te chamar de Luna?
      -Porque Luna?
      -Para marcar para sempre em nossas memórias que, no dia em que ficamos oficialmente namorados, a lua brilhava romanticamente no céu.
      -Que lindo! – A mulher deu-lhe um beijo, retribuída com uma aliança de ouro e diamantes.
      -Aceita ser minha namorada?   - Joe estendeu a joia para a mulher.
      -Claro! – Camille estava ofegante.

      O que aconteceu no resto da noite é totalmente dispensável.

      No outro dia, pela manhã, o telefone da emergência policial tocou.
      -Delegacia de polícia, bom dia.
      -Desejo comunicar o desaparecimento de Joe Hudison Rogers.
      -Qual a última vez que o viu?
      -Ontem à noite.
      -Sua relação com ele?
      -Namorada.
-Seu nome?
-Luna.
      -Mandaremos logo uma viatura para te auxiliar aí.
      -Obrigada, pois estou desesperada.
      -Acalme-se, que já iremos a sua ajuda.
      -Sim. Na verdade... – A mulher parou por algum tempo, absorta, depois mentiu. - ...eu já ouço a viatura, bem ao longe. Acho que já posso desligar.
      -Fique bem e bom dia.
      -Obrigada.

A boneca de cera

Todas as noites, Christina fazia questão de dar “boa noite” à Alice, sua linda boneca de cera.

A garota, de sete anos, pedira certa vez à sua mãe uma boneca que se parecesse com ela: De traços finos e meigos, cabelos loiros e curtos, além de uma pequena bochecha rosada e lindos olhos azuis. Quanto às roupas, foram encomendadas três: Um pequeno vestido rosa com bordados de renda na barra, um segundo vestido, desta vez maior e amarelo, com uma manga igual à dos contos de fadas. Havia também um terceiro vestido, que era menor e bem colado ao corpo, mais moderno e simples, da cor do sangue, que parecia esbanjar sensualidade. Este, por ser bem mais ousado, a mãe de Christina guardou-o assim que chegou.
No dia em que a boneca encomendada chegara, a menina pegou-a e instantaneamente ninou-a, como se fosse sua filha. Sua expressão delicada parecia por um momento ter se tornado algo tenebroso e macabro, mas somente por um momento, quando a menina olhou novamente e a boneca estava ali, gentilmente esperando pelos afagos.
-O nome dela será Alice. – Christina disse à sua mãe, com um sorriso no rosto. – Em homenagem à minha amiga da escola.

No outro dia, as aulas foram suspensas. A menina Alice tinha se afogado em uma piscina durante a noite, com a causa daquilo tudo desconhecida. Por que ela iria para o lado de fora em plena madrugada? Ninguém conseguia deduzir.
A mãe de Christine decidiu não falar com ela sobre o acontecido, visto que as duas meninas eram muito próximas.
Mas Christine parecia entender tudo aquilo, e disse carinhosamente para sua mãe:
-Não se preocupe, mamãe. Alice continuará aqui comigo. Ela se tornará minha boneca e ficaremos felizes para sempre.
A mãe não gostou nada da fala da filha. Tempos depois, escondeu-a em um armário e torceu para que a filha esquecêsse de tudo aquilo. Apesar do choro da menina Christine, a mãe dela não deu o braço a torçer e manteve a boneca dentro do armário.
-Boa noite, querida. – A mãe deu um beijo na filha e colocou o cobertor sobre ela.
-Eu quero a Alice. Ela precisa de mim para dormir. Eu tenho que dar boa noite à ela. – A menina disse, com os olhos ainda vermelhos de tanto chorar.
A mãe não respondeu. Deu outro beijo na menina e apagou as luzes.

O sol estava brilhando no céu quando Christine acordou.
-Bom dia! – Disse a menina.
A boneca Alice estava na prateleira, cuidadosamente colocada. Um ursinho ao seu lado tinha caído no chão, assim como diversas peças de Lego que antes formavam um castelo.
                Parecia que Alice queria falar algo com Christine, mas como era uma boneca, não tinha como fazê-lo. Enquanto isso, a boneca olhava fixamente para ela, com aqueles pequenos e obscuros olhos azuis.
                Alguns minutos depois, a mãe de Christine chegou ao quarto.
                -Bom di... – Ela vira a boneca na prateleira. – Chris, foi você que a trouxe para cá? – Depois de perguntar, a mãe viu que não tinha outra opção. Ela teria vindo sozinha? Claro que não. – Deixa.
E pegou novamente a boneca, colocando-a no armário. Pareceu não notas algumas estranhas marcas de unhas no interior do móvel, pois passou direto por elas e depositou a pequena boneca por ali, que parecia ter chegado com o batom borrado e a maquiagem desfeita, como se ela tivesse chorado. Trancou o armário mais do que rapidamente.

Aquela noite foi absurdamente anormal.
Primeiro, a mãe de Christine, Mary, pensou ter ouvido uma baixa voz que clamava por ajuda. Depois, o barulho de unhas arranhando algo bem fino, quase que um giz passando pelo quadro. Por fim, o som de passos no corredor.
Na outra manhã, a boneca estava no quarto de Christine novamente.
Aterrorizada, a mãe da menina já preparava-se para pegar a boneca quando a menina acordou, e lentamente disse:
-Deixa ela aí, mãe. Ela me faz companhia.
A mãe respondeu-a sem palavras, somente com um olhar de reprovação.
-Não.
-Por favor...
-Não.
-Por favor...
-Não e não.
E retirou-se do quarto.
Foi imediatamente contar ao marido sobre a boneca e sobre ela todas as noites estar na prateleira da filha. O homem não acreditou nela, e disse que a filha tinha o direito de ficar com a boneca.
Nem precisou levá-la a filha. Tinha a deixado em cima da mesa da cozinha, mas, ao passo que foi conversar com o marido, a boneca tinha voltado às mãos da menina.
Por semanas, tudo ficou normal.
Até que um dia, a noite, quase na hora de dormir, a mãe escutou uma canção de ninar, bem ao longe, vindo do quarto da filha. Aos poucos, foi se aproximando do local. Ao chegar, viu que a boneca estava sentada junto à menina, as mãos das duas estavam unidas, e a música foi se intensificando, mas não era Christine que estava cantando. Era a boneca.
Desesperada, a mãe arrancou a boneca das mãos da menina, que chorou muito; e muito alto. O pai da menina chegou, correndo. Ele também ficou muito preocupado ao ouvir da mulher o que havia acontecido.
A mulher correu com aquela boneca de cera dependurada pelas mãos. Naquele dia, o vestido vermelho estava bem colado ao corpo da boneca. A mãe ficou mais desesperada ainda.
Uma pá foi usada para cavar um buraco relativamente raso, do tamanho de uma caixa de sapatos. A boneca foi jogada ali e muita terra foi posta em cima.
Um crucifixo imaginário foi feito pela mãe da menina, implorando por um pouco de paz.

Anos e anos se passaram desde aquele dia, em que a família viveu feliz e unida, livres da boneca de cera. Se mudaram algum tempo depois, e uma nova família foi para o local.
A nova família era composta por um casal e um filho, que não tinha bonecas. No dia da mudança, estavam todos jantando calmamente e de maneira muito aconchegante.
Alguns minutos depois, o filho vai ao seu quarto para dormir, e rapidamente chama sua mãe para tirar uma dúvida:
-Mãe? Eu não gosto de bonecas. Tem uma aqui na prateleira de meu quarto, e ela parece estar olhando para mim.

A boneca de cera havia voltado.

domingo, 11 de maio de 2014

O que é o medo?



Todos temos medo. Medo de amar, medo de sofrer, medo de altura, medo de aranhas, insetos, de morrer, palhaços, espelhos, de sentir medo. Mas afinal, o que é o medo?
Medo é aquele frio na barriga, é aquele gelo na espinha, é aquele aperto no coração, é aquela voz na sua cabeça que te impede de fazer algumas coisas.
“Não faça!”
“Ansiedade diante de umma situação desagradável. Sentimento inquietante que se tem diante de perigo ou ameaça.” – Diz o dicionário.
Mas o medo é muito mais.
O medo paralisa, congela, arrepia, aturde, suspira, apavora, mata e faz matar.
Ter medo é ser impotente diante de certas situações na qual se deveria ser corajoso. A falta de medo é a coragem, mas ter medo não é ser covarde. Pelo contrário, somente homens de verdade admitem seu medo.

Não tenha medo de ter medo. É natural. Mas não tenha medo de tudo. O medo pode te salvar, mas ele também pode estragar tudo. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Piromaníacos e INFORME

Atenção! O grande final de meia-temporada dos PIROMANÍACOS será na sexta- feira, dia 21 de Fevereiro de 2014. Venha para o minúsculas manivelas às 18:00 e confira!

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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Um alerta muito importante

Ei você! Peste atenção: O Ministério da Saúde informa que há uma doença muito perigosa que está dizimando países inteiros, de fácil contágio e de sintomas muitas vezes imperceptíveis. Tome cuidado e preste atenção para nao ser o próximo a pegar essa temida doença:
CONTÁGIO→ o vírus da doença encontra-se em toda parte: na sua casa, na escola, nas ruas (nao há como fugir)
SINTOMAS→ tristeza excessiva, distorções da visão (principalmente em frente ao espelho), confusão mental, vômito e perda de peso (em casos extremos)
PROFILAXIA: amor próprio
Essa doença começa como uma pequena ferida, pode ser por causa de uma brincadeira de mal gosto de um colega, pode ser por influência das mídias. ..
A medida que essa ferida cresce ela se torna uma doença tão devastadora que pode levar a pessoa a querer acabar com a própria vida.
A beleza realmente machuca e a obsessão por ela pode se tornar uma doença incurável, afinal, nenhum cirurgião plástico vai ter como consertar sua alma e sua alto estima, ja que não se pode consertar o que não se pode ver
Ame-se! Nós do minúsculas manivelas somos apoiadores da luta contra essa doença!
Diga não ao bullying, diga não aos estereótipos, diga não a imagem de corpo perfeito que a mídia nos impõe.
Valorize o caráter, valorize a inteligência, valorize-se.
Seja mais você e repasse essa ideia por um mundo mais justo, por um mundo que não te julgue pela capa e sim pelo conteúdo.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Sonhe com os anjos - 2


Capitulo 2 – Dia do Saulo

            “Estava tudo tão escuro, não pude ver nada, eu estava deitado e quando fui me levantar, bati com a cabeça em algo, e me dei conta de que estava em um lugar apertado. Como era claustrofóbico, entrei em pânico total, pedia ajuda desesperadamente. Quando meu coração ia parar de desespero, ouvi uma doce e branda voz pedindo para me acalmar- Por favor, acalme-se! Vou te tirar dai! - A voz vinha de cima, o que significava que eu estava em algum tipo de calabouço. Com toda a forca que tinha tentei empurrar a porta para cima, imagino que a pessoa misteriosa também ajudava. Estava muito difícil, ate que... BLAM! A porta finalmente se abre. Tentei ver alguém, mas meus olhos estavam sensíveis à luz, mas via a silhueta de quem me ajudara. Era uma...”.

            *DESPERTADOR*
            - SAULO! SÀVIO! ACORDEM OU VÃO SE ATRASAR PARA A AULA!
            Oh meu Deus! Toda manhã é essa correria, mas já faz parte da nossa rotina. Nova escola, novos amigos, novo início. Mal podia esperar para chegar  à escola, ainda mais porque um velho amigo meu estuda lá, e vai me guiar pela escola. Seu nome era Tales Mier, mas eu e meu irmão Sávio chamávamos o de ‘Colosso’ por ser maior que a maioria das crianças, mas ele era muito simpático e inteligente, vai ser ótimo revê-lo.

            - Será que a gente vai acha ele? - Perguntei ao meu irmão assim que entramos pela porta do pátio.
            - Vai ser fácil acha-lo, já que ele é enorme. – Sávio me respondeu de imediato.
            - Mal posso esperar para rever o velho ‘Colosso’.
            - Saulo! Sávio! Não acredito, são vocês mesmo! – Ouvimos essa exclamação perto de nós, mas não avistávamos aquele menino loiro gigante.
            - Er... Eu estou aqui embaixo. – Olhamos para baixo e vimos ele. O gigantesco Colosso agora era menor do que qualquer adolescente da escola, assemelhando-se a uma criança de 6 anos, no máximo 10 anos. Meu irmão foi o primeiro a falar – C-Colosso!? Você esta meio...
            - Eu sei. – Ele retrucou imediatamente, revirando os olhos – Eu estou baixinho. Parei de crescer um bom tempo atrás.
            - Mas para nós ainda é o nosso velho Colosso. – Tentei reanima-lo e Sávio concordou.
            - Valeu ‘Papa-Léguas’. – Recebi o apelido de Papa-Léguas na infância e meu irmão de Ligeirinho quando éramos crianças muito hiperativas, correndo de um lado para o outro.

            Eu e meu irmão seguimos Tales, que nos apresentou a dois outros rapazes – Estes são meus amigos, Silver e Nigel.
            - Prazer em conhecê-los, meu nome é Silver. – O garoto albino nos estendeu sua mão, onde em suas costas era possível ver tatuagens de ouro boros em anil.
            Avistei então o garoto com cabelos um pouco longos e castanho-avermelhados, e resolvi brincar com a cara dele um pouco. – Tales, tem certeza de que esse aqui é um homem?
            - TA ZOANDO COM A MINHA CARA NOVATO? – Deu pra ver que ele não gostou da brincadeira, ainda mais que mostrava ter um pavio muito curto e uma força descomunal.
            - Ignora o palhaço do meu irmão. – Interviu o meu irmão e bem a tempo – Meu nome é Sávio, e o mala-sem-alça aqui é o Saulo.

*Sirene*
            - É o sinal da escola. Sigam-me que vou mostrar nossa sala.

            Fui pegar minha mochila, quando vi uma garota com um lacinho vermelho preso em seus cabelos cor-de-rosa. Eu não sei como, mas acho que fiquei sonhando de olhos abertos. Meu irmão me chamou. Tentei procurar a menina com os olhos de novo, mas a perdi de vista, provavelmente porque foi para a sala de aula, que com toda a minha certeza não seria a mesma que a minha.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A garota com apenas um olho - FINAL

A resposta para os seus problemas


Marie acabou internada até o fim de seus dias em um manicômio, onde recebia tratamentos intensos contra seus problemas mentais.
Nas segundas feiras, o tratamento era a base de remédios fortíssimos, que a deixavam dopada. Às terças feiras, ela recebia choques de alta voltagem no cérebro, como forma de uma quase tortura. Os pacientes gemiam de dor a todo o momento naquela clínica, porém aos parentes nada daquilo era passado. Às quartas feiras, eram feitas as visitas. A mãe de Marie era sempre acompanhada por Pauline, que monitorava o progresso da amiga. Às quintas feiras, todos os internos eram soltos no pátio para “brincarem” quase que como animais, e às sextas feiras eles ficavam o dia inteiro trancafiados no quarto para passarem o final de semana.
Com certeza aquela rotina enlouquecia qualquer um.
***

Naquele dia, Calvin passara todos os dias em seu escritório, administrando seus negócios. Como Marie fora internada e Pauline não fora violentada, o homem se livrara daquelas acusações e continuava a trabalhar normalmente, exceto pelo pedaço inferior de seus lábios que fora arrancado por Marie naquela confusão.
No mesmo instante da cirurgia em que ele havia passado para reconstituir os lábios, os dois homens que também haviam sido mordidos entraram em processo cirúrgico para resolver o problema. Ao final das contas, eles acabaram sendo recuperados juntos, os três, que viraram a mais perigosa gangue de toda a Europa, monopolizando os manicômios do continente e torturando pessoas lá dentro desses locais.
Era uma tarde de quinta-feira, e Calvin estava da janela de seu escritório observando aqueles verdadeiros “animais”(como ele assim chamava) correndo lá embaixo. Marie estava sentada no chão, cabisbaixa e parada no mesmo lugar. Então, o homem resolveu ir ao seu encontro.
***
Pouco tempo depois, Calvin já estava a poucos metros de Marie, que nem sequer se mexia.
A garota usava uma camisa de força bem apertada, e estava ajoelhada no chão, com as costas e os ombros sujos com barro. Chovia naquele momento e o cabelo da moça era um turbilhão de lama, água de chuva e areia. Mesmo assim, o homem não teve dó da mulher.
Ele era acompanhado de perto por dois homens brutos, que faziam sua segurança, contudo, antes de rever Marie de perto pela primeira vez depois do fato ocorrido, ele acabou dispensando-os.
Mais alguns passos e ele já conseguia sentir a ofegante respiração da moça.
A chuva parou por alguns instantes.
Calvin fechou o guarda-chuva e colocou-o escorado nas costas da mulher. Para ele, ela não passava de um objeto qualquer. Uma escora de casacos e guarda-chuvas. Ele então se abaixou ao nível do rosto da moça. Teve que ficar de cócoras.
Apesar de um homem estar de seu lado, Marie não esboçou a menor reação de tê-lo percebido. Ele então cutucou-a com os dedos. Nada.
Nesse momento, a mulher levou as mãos ao rosto e, ainda escondidas pelos cabelos grossos, tocou seus olhos.
Calvin deu uma risada abafada pela situação em que conseguira deixar Marie. Isso com certeza significava uma realização para ele.

E os dois ficaram ali por longos trinta minutos.

Calvin ficou observando atentamente a sua ex-esposa, resumida agora à um animal qualquer. A moça continuava com as mãos encobertas pelos longos fios de cabelo.
Então inúmeras gotas vermelhas começaram a cair no chão, e a torrente foi somente aumentando. Agora o sangue foi formando uma monstruosa poça embaixo do rosto da mulher.
Mais alguns minutos e Calvin presenciara a cena mais bizarra que veria em toda a sua vida: Marie havia retirado um de seus olhos, arrancado com a mão. E com o olho bom, ela o fitava incessantemente. Quase que o punha em um pedestal. Para ela aquilo era um deus, uma relíquia, uma raridade.
E o sangue continuava a jorrar incessantemente.
A chuva recomeçou, iniciando a lavar o piso.
Calvin riu abertamente.
            Enquanto Calvin ria, Marie tentou levantar-se. O homem ajudou-a, vendo o que ela tentaria fazer. Então, a jovem estendeu-lhe a mão com o olho. Aqui era um presente que ela queria dar a ele. Ela olhou bem no fundo dos olhos dele, mesmo com apenas um olho no rosto. Do glóbulo que se encontrava intacto, algumas gotas de lágrimas rolavam até as bochechas.
            O homem estarreceu-se com o gesto de Marie. Ele chorou uma única gota e por fim estendeu a mão para aceitar o presente.
            Exatamente nessa hora em que a loucura dos dois se fundia por meio daquele gesto, foi ouvido um disparo de arma de fogo.De trás de Calvin, um homem com uma carabina legítima estava com uma expressão nem um pouco agradável.
            Os loucos que estavam no pátio corriam desesperados. O local encheu-se de seguranças e enfermeiros, mas já era tarde demais. A bala atingiu diretamente o coração de Calvin, dilacerando-o. Porém não foi somente isso. O projétil ultrapassou o corpo do homem e também atingiu Marie. Apesar de não ter atingido órgãos vitais, a garota já havia perdido muito sangue.
            Os dois corpos caíram pálidos no chão. O amor turbulento entre Marie e Calvin havia morrido junto com seus corpos. Talvez ele já houvesse se perdido ao longo dos anos, mas agora tinha uma chance de renascer para toda a eternidade.
           
Epílogo



Tempos depois, já na cadeia, o homem que assassinara Calvin e Marie, investigado, foi condenado pela morte de Charles e do casal. Pauline amargurou-se e acabou casando-se novamente com um homem que mal a fazia feliz. Por fim, o manicômio foi fechado e novos métodos de tratamento foram inventados. Com certeza, toda a Europa e todo o mundo nunca se esquecerão da triste e melancólica história de Marie Wilheim e Calvin Morrison: O casal que sucumbiu à loucura, mas que renasceu junto à eternidade. E que sejam felizes para sempre.



Valentine #5

- Santa Bárbara, Califórnia, 2007 
   Estávamos indo a um lugar desconhecido por mim. Ele insistia em tampar meu olhos com as mãos e segurar nossos skates.
   - Chegamos - Sussurrou ele no meu ouvido.
   Tirou as mãos lentamente, mas antes que pudesse abrir os olhos ele pegou em maxilar com delicadeza e me apoiou para não cair. Lentamente abrindo meus olhos, estava frustrada, queria mais do que um selinho fraco. Me deparei com seu sorriso estonteante que me fez perder noção da vida.
   - Não está esquecendo de nada? - Perguntou ele.
   - Ah! A surpresa. O queria me mostrar?
   - Acende a luz e veja.
   - Não sei porque, mas acho que conheço essa história - Disse enquanto me dirigia ao interruptor.
   - Surpresa! - Gritaram umas 30 pessoas em coro.
  Estava surpresa e boba. Uma mistura de sentimentos me atacou. Estavam todos segurando balões coloridos e enfeitados, havia um bolo gigante com inúmeras velas.
   - Mas, não entendi - Disse aturdida.
   - Oh filhinha! - Disse minha mãe quando vinha me abraça - É sua festa de aniversário!
   - Mas meu aniversário é...
   - Amanhã - Completou ele.
   Não havia me dado conta de que meu aniversário estava próximo. Estavam todos lá. Minha família, meus amigos, o amor da minha vida.Todo mundo mesmo.
   Agarrei-o pelo pescoço dei-lhe outro beijo, bem mais apaixonante do que o primeiro, o que fez todos vibrarem. E inesperadamente fiquei vermelha.
   Fui de encontro aos convidados, que me presentearam a parabenizaram com lindas mensagens e desejos de prosperidades.
   Passado algumas horas, meu coração estava acelerado. Estava animada com o fato de ter sido agraciada com amigos tão bons, fiéis e sinceros. Fernanda, a mais nova agregada ao grupo de amigos, fazia acenos freneticamente a fim de chamar minha atenção. Sorridente, me dirigi até ela, levando minha taça de vaca-preta. Deu me um sorriso sei graça e apontou para um local mais reservado. Logo entendi que uma conversa séria estava para acontecer.
     Dirigi-me ao local indicado com elegância: me deliciando com cada passo dado, fazendo pose. Senti-me uma deusa para ser mais exata.
     Ao chegar, um rosto preocupado me esperava.
     - Ana, quem é ele? - Perguntou-me ela.
     - Ele?
     - É - me virou para que ficasse de frente com a pessoa que ela se referia. Arquejei. - ele.
     - É o Davi. - corei.
     - Mas, vocês tem alguma coisa?
     - Sim, ele é meu namorado. Você já sabia disso.
     - Ana... Eu conheço ele.
     - Ora, que ótimo então! É bom que ele se enturma mais rápido. Você poderia até...
     - Não Ana. Por favor... Me escute. Tenho algo para te contar, mas me escute até o final.  - disse ela me interrompendo.- Ana, ele não é boa influência. - E pegou em minhas mãos como forma de súplica.
     - Ah! Mas que conversa é essa Fê? Ele é meu melhor amigo desde a maternidade! - ela virou de costas - Eu o conheço! Não é só porque você não curte skatistas que eu vou desistir dele!
     Parei por um instante. Estava furiosa com ela, mas ela era minha amiga... Queria apenas o meu bem,
     - Fê... desculpa. Olha para mim.  - Virei-a. Estava chorando, inconsolável.
     - Você não entende Ana... Ele matou o meu pai!

("Jéssica Stewart")

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A garota com apenas um olho. - Data final.

ATENÇÃO! "A Garota com apenas um olho" terá finalmente o seu final na sexta feira, dia 24 de Janeiro! 
Qual será o destino de Marie Wilheim? Só para deixar o suspense, liberarei o nome do capítulo final: 
A resposta para os seus problemas

Aproveitem também mais um capítulo de PIROMANÍACOS,na mesma data.


sábado, 18 de janeiro de 2014

Uma História de Halloween



                Era noite de Halloween. Em todos os lugares, viam-se casas enfeitadas para as festividades com muita criatividade.  Nas janelas, cortinas de fantasmas estavam penduradas às teias de aranha. Muitas abóboras cuidadosamente esculpidas enfeitavam os jardins, nos telhados das casas, gatos pretos de isopor de espremiam junto às bruxas horrorosas que estampavam sorrisos macabros.
            Várias crianças brincavam fantasiadas na rua, logo, o que se via era uma chuva de super-herois, fadas, piratas, princesas, fantasmas e outros seres que pareciam ter saído diretamente do mundo das fadas. De porta em porta, elas iam em busca de guloseimas diversas e com um sorriso imenso no rosto perguntavam aos donos das casas “Doces ou travessuras”, e os mesmos, com uma alegria contagiante, entregavam montes de doces aos pequeninos.

ESCOLHA UMA OPÇÃO ABAIXO! 
É você quem escolhe o destino de nossos personagens!

2ª Opção (estará disponível mais tarde. Aguarde.)

sábado, 11 de janeiro de 2014

C_NS_R_DA

Eu vi a juventude passar por mim
vagarosa, preguiçosa.
Senti na pele emoções sinceras.
Sorri.
Cantei.
Diverti.
Cheguei até mesmo a amar.

Mas o tempo não para
e passa sem ser notado.
Já  sinto nos ombros a pressão de crescer.
É tempo de dedicação e esforços.

Mentiria se dissesse um dia
que ao passado jamais voltaria.
Vivi um tempo bom,
mas para um outro alguém.

Não fiz o que queria.
Não me entreguei por inteira a nada.
Vivendo constantemente
com medo de ser renegada.

Não pude amar de  verdade.
Nem ao menos dar atenção
a quem realmente importava.
Fingindo sempre ser um alguém que não sou.

Para quê, afinal?
Não me tornei uma pessoa especial.
Nem ao menos saí do lugar.
Destinada a ser a mesma coisa sempre.

Não sou tão velha, de fato,
mas meus anos bons foram roubados.
E eu não resisti.
Deixei-me levar pelo medo e insegurança.

O que me resta?
Chorar não irá resolver.
Muito menos reivindicar o tempo perdido.
Resta somente viver enquanto é possível.

Terei que deixar mais alguns anos para trás.
Eles me disseram.
Devo escutá-los, afinal sempre foi assim.
Por quê?
Ora, eles detém o poder.
Eu os deixei comandar minha inútil vida.

Considere-me então, caro amigo
como um caso impossível.
Jogarei mais esse ano,
em meu enorme baú do tempo perdido.

("Jéssica Stewart")

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Sonhe com os anjos - 1

   O ano termina. É tempo de renovação. Para presentear os nossos leitores, daremos uma nova escritora: Regal Crescent. E ela vem com tudo, fazendo vocês sonharem com os anjos.


Capitulo 1 – Dia da Amy

“Estava tudo vazio, eu estava sozinha vendo o imenso nada ao meu redor.De repente,ouço uma voz suave pedindo ajuda. - Por favor, alguém me ajude! Eu imploro, me ajude! - Logo, vi um alçapão à minha frente e percebi que a voz vinha de lá.Pedi que a pessoa se acalmasse,peguei a alça e puxei com toda a força que tinha,mas aquela porta estava emperrada e escorregadia,porém não desisti,até que...BLAM! A porta do alçapão se abriu,e foi quando eu tive a chance de ver quem estava preso.Ele saiu da escuridão e logo vi que era um...”

*DESPERTADOR*
Acordei cedo de outro sonho incrível,já é a terceira vez que isso me aconteceu.Já começo a achar que é um sinal.Eu sou conhecida pelas minhas amigas por ter sonhos realistas e premonições. Loucura, né?
Depois de acordar, foi para o banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto e penteei o cabelo, vesti minhas roupas e fui para a escola.

Encontrei minhas amigas em um pequeno grupo conversando:
-Oi, Amy- Falou Camille, minha melhor amiga. Ela é super doce, parece até um bibelô super frágil, mas tem suas surpresas.
-E aí, Pinky?- Perguntou Rebecca, a menina mais popular do grupo e da escola. Ela me apelidou de Pinky porque pintei meu cabelo inteiramente de rosa.
-Fala, Amy!- Disse Bianca, a mais séria de todas, porém gentil por dentro, até mais que Camille.
-Teve outra premonição, Amy? –Indagou Taffyta, muito tímida e talentosa. Sempre diz algo parecido com o que ia ser dito pelos outros, como se ela pudesse ler nossas mentes.
-Parece que você acertou de novo, Taff. - Suspirei. - Tive sim, mas queria saber como terminava, pois foi tão de repente.
-Conta pra gente como foi-Disse Camille.
Rebecca foi logo completando:
-Isso, conta, mas só depois de olhar aquilo ali!

Estranhei a Rebecca quando não se interessou pelo meu “sonho” de hoje (ela ama saber dos meus sonhos principalmente inventar os finais incompletos), mas vi o que tirou a atenção dela. Dois garotos que nunca tinha visto (novatos) estavam parados na porta de entrada da escola analisando tudo. Eles pareciam gêmeos, se não fossem seus estilos de roupas muito distintos. Ambos tinham cabelos negros, mas um possuía mechas vermelhas no cabelo, usava piercings, aderindo a um estilo gótico punker, mas continuava um mistério descobrir o que se passava em sua mente. O outro era bem diferente, com roupas simples e azuis, tinha uma expressão de “querer sempre uma aventura” e de ser muito atlético.
Não sei como, mas parecia que fiquei sonhando de olhos abertos -de novo- e só acordei com a sirene da escola. Peguei minha mochila, e antes de ir para a sala,olhei de novo os novatos. Parece que já fizeram amizade com um trio de rapazes.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A saudade

     Era um dia calmo, chuvoso e frio. Adorava aquele clima aconchegante. Havia momentos que chegava até ficar feliz por estar ali, mas insistentes goteiras logo afastavam esse pensamento.
    Havia passado os dias refugiando-se em seus livros, mas nada desconectava sua mente à dele. Senti falta de seu perfume, se seu toque, de seu olhar. Estava apaixonada e bem ciente do fato.
     Sentia-se pequena em comparação à ele, mas logo esse sentimento era alterado por um amor intenso e profundo. Mesmo à distância, ele exercia grande efeito sobre ela e só de pensar nele, mal conseguia raciocinar. A saudade era muita.
     Um estalo a trouxe de volta dos devaneios. Pegou um papel e uma caneta e pôs a escrever, o que sempre a acalmava. Parou um instante e admirou a madeira que queimava a sua frente a fim de aquecê-la. As labaredas tornavam-se cada vez mais quentes e intensas, fazendo a lenha crepitar, semelhante ao estado de seu coração.

("Jéssica Stewart")