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domingo, 28 de setembro de 2014

Devaneio


Vi-me correndo em uma campina graciosa, quiçá encantada. As flores, de várias espécies e cores diversificadas cobriam todo o chão, exalando um perfume doce. Borboletas cobriam o ar à medida que meus pés, descalços, tocavam o chão. Simpáticas, voavam ao meu redor, roçando em minha pele e provocando uma gostosa sensação. Abri meus braços e me virei para o céu, agradecendo a Deus pelo momento maravilhoso que estava me proporcionando. Os raios de sol tocaram meu rosto, irradiando seu calor e me enchendo de alegria.
Um belo beija-flor se aproximou, batendo suas asas rapidamente e se escondendo em meus cabelos, fazendo cócegas. Estendi a palma da mão para acariciá-lo e algo aconteceu.
O céu, antes limpo e azul, tornou-se escuro e com nuvens de um cinza muito macabro. As flores jaziam mortas no chão e em seus lugares surgiram outras, cadáveres, e plantas carnívoras. O perfume agridoce existia apenas na vaga lembrança, que se esvaía. As borboletas se transformaram em corvos, que esganiçavam estridentemente, perturbando a paz que outrora existira.
A escuridão me engoliu.
O pequeno pássaro que me trouxera tanta felicidade mergulhou rapidamente no ar e usou seu bico afiado para penetrar em meu pé, causando um machucado tenebroso. O sangue jorrou de forma inesperada. O pequeno buraco causado pelo pássaro começou a se expandir, deixar parte do meu esqueleto à mostra. Logo percebi que a ferida estava enfestada de minúsculas larvas que decompunham minha carne.
Caí no chão.
Tentei gritar por socorro, mas o ar estava rarefeito. Meus pulmões queimavam e minha garganta se fechava. Restava apenas esperar por meu final. Fui arrastada, subitamente para a realidade.
Acordei.
Estava em casa como de costume. Minha cabeça doía. Aparentemente estava tudo normal. Levantei-me.
Instantaneamente, avistei em meu pé algo horrendo, pior do que qualquer ferida purulenta em decomposição. Dessa vez, consegui soltar um grito de horror. Comecei a chorar desesperadamente e, à minha porta, surgiram inúmeras pessoas. Olhando com pavor, consegui enfim dizer:


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O assassino da catedral - Parte 1



O homem experiente semicerrou os olhos e coçou o queixo, ordenando com certa rispidez à equipe pequena, com uma xícara gigante de café na mão. Subiu os cinco degraus e tocou na porta de madeira, cheia de fibras, lotada de histórias, e lembrou-se de um passado perdido que a igreja vivera durante o período da guerra, onde judeus se esconderam ali dos nazistas que invadiram a Polônia. Abriu com dificuldade as portas da catedral e contemplou a escuridão em seu interior. Também as janelas, deixando entrar ar e luz solar por entre os bancos, logo visualizando a cena do crime.


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Vida e morte poética

Eu morri
para dar vida aos meus textos.
Não sinto.
Não escrevo.
Tão pouco sei o resultado final.
Quanto ao significado,
quem imprime é você.
Sou apenas um instrumento.
Usada pelos meus versos.
Que assim seja, afinal.
Enquanto houver palavras a serem ditas,
enquanto tiver algo a ser expressado,
estarei morta
para trazer vida
à cultura,
à arte,
às palavras que vivem em mim
("Jéssica Stewart")

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Penumbras e Sol

Dentre meus devaneios,
vi uma penumbra se aproximar.
Fria, escura.
Envolvia-me.
Sugava-me.
Transformava-me em um alguém diferente.
Quem eu era?
Quem havia me tornado?
Não sei, não sei...
pois eis que o Sol surgiu.
Minha vida se purificou.
Você juntou todos os meus cacos.
E minha vida viciou na sua luz.

("Jéssica Stewart")

Lembrete

Quando a tristeza lhe abater
e o cansaço te desanimar
não se entregue,
não se deixe levar.

Lembre-se de que ainda estou aqui:
Vivo,
Respiro,
Sonho.
Assim como você.

Faça-me de muletas se lhe apetecer.
Me ligue, 
precisando ou não...
eu sempre estive aqui.
Apenas, por favor, não se esqueça de nós.

("Jéssica Stewart")

Bucolismo

Vejo pássaros atravessando vales com seu voo gracioso.
Árvores dançam com o revitalizante sopro do ar.
Há uma energia que reverbere por todos os lados.
Rodeia-me.
Pede para entrar em minha vida.
Eu logo cedo.
Instantaneamente sinto, tudo.
Há um doce perfume sendo exalado pelas flores endêmicas.
Há vida por todos os lados.
Há amor.
Há felicidade.
Meu corpo sucumbiu,
minha mente enfim encontrou seu descanso.
Estou em paz.

("Jéssica Stewart")

Recordações

     Mal eram seis horas e seu despertador soava. Sonolenta, pegou o celular e colocou uma música aleatoriamente a fim de espantar o sono. Sorriu. Era a música que ele gostava de cantar.
     Uma gota salobra pulou de seus olhos enquanto admirava uma foto deles. Ela, sorridente - como sempre -, agarrava-se ao pescoço dele, que provavelmente emitia um grito no momento capturado.
     A saudade a dominava, dominava, dominava... queria sentir o perfume dele, queria abraçá-lo, queria ao menos ver o tom bronzeado de sua pele. Outra gotícula percorreu o trajeto. Veria-o logo, dizia a sim mesma com convicção, que logo se esvaía e se transformava em lamento. Queria o bem, tranquilo e sereno, como sempre fora.
     Admirava-o, amava-o, não como as pessoas comuns. Sentia uma intensa conexão por ele e isso tornava possível o florescimento de sentimentos puros. Era seu melhor amigo, de fato, mas via-o como seu anjo, mandado à Terra para tornar seus dias coloridos.
     Guardou a foto, relutante, e se dispôs a trocar de roupa. A vida seguiria em frente e ela teria de lutar para acompanhá-la, com ele ou sem, mas sempre por ele.

("Jéssica Stewart")

Desista

Abra teus olhos, querido
e veja que na vida há
muita coisa além para me preocupar.
Teu amor já não me encanta.
Teu sorriso não mais me apaixona.
Aprendi a viver sem ti
e nessa ausência, aprendi a ser eu.
Somente eu.
Nada mais.
Agora respiro!
Agora EU VIVO!
Não adianta colher um fruto já podre.
Ages tardiamente, meu caro.
O amor que antes existia, não habita mais
esse peito dilacerado e vazio que há em mim.
Desista.
("Jéssica Stewart")

Entre Contos - Concurso

O site Entre Contos desenvolve ocasionalmente concursos de escrita sobre diversos assuntos e, desta vez, o tema é "Conto baseado em uma música". Claro que Walter Crick e Douglas Moreira não ficariam de fora desta. Entre no site, veja o regulamento e vote em nossos autores. Boa sorte a todos eles!


Texto de Walter Crick - Faremos do mesmo jeito (Pois adoramos os problemas)
Música : Balaclava - Artic Monkeys





Texto de Douglas Moreira - E Eu Tentarei Consertá-la


Música: Fix You - Coldplay




sábado, 20 de setembro de 2014

Apoteose de Ícaro - Parte 4 (Final)

Olhei para a escuridão que se arrastava no vale tenebroso lá embaixo, com a luz do por do sol batendo nas plumas grudadas na armação e deixando-as douradas, balançando com o vento. Senti-me como um jovem pássaro prestes a voar pela primeira vez. Ouvi as brisas sussurrando em meu ouvido e provei o sabor da liberdade.
Sem perceber o que fazia, joguei-me do penhasco, lançando-me à morte ou à apoteose de minha vida.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O assassino da catedral - Prólogo

As velas bruxuleantes davam um tom mórbido ao local, com as chamas dançando na penumbra, hora azuis como o medo, hora laranjas como a coragem. O silêncio era ensurdecedor. Os longos cachos encaracolados pendiam molhados de suor, e os fios grossos ressaltavam ainda mais a sensualidade natural da mulher. O nervosismo tomava conta e não a deixava perceber o par de olhos que a observava por entre a escuridão latente, comendo-a com o olhar azul de um homem sedutor. Seu pálido rosto feminino escondia-se sobre um véu negro, rendado, e que fora colocado especialmente para deixa-la anônima; impedindo a visão de seus finos traços.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Arte de saber

Sabia-se que nem sempre é sabido
que o sábio não sabe o que deve ser.
Nem mesmo a sábia sabedoria
revelaria um dia
que fim teria de ter.
Só sei o que me foi falado,
por vezes revelado,
coisas que mal sei explicar.
Mas não é necessário ser um sábio
para saber o que eu sei.
Quer saber um segredo?
PSIU! Um dia te contarei.
("Jéssica Stewart")

Apenas um poema

Agora resolvi escrever
Coisas do coração
A alegria de poder viver
Detendo sempre a razão

Por que não desviar-me então
Daquela reles solidão
Sutil impedindo-me de crescer
Sutil, lembrando-me de v...

Walter Crick

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Oblivion

Andava por essas ruas vazias,
inóspitas, sem vida,
despindo de suas vergonhas,
cuspindo horror por suas entranhas.
O calor humano jazia
dentre as paredes, agora frias.
Pude sentir o esquecimento chegar.
Envolvia-me por completo, não podia suportar!
Não resisti.
Entreguei-me ao Oblivion.
Sim, eu fui mais longe do que você.
("Jéssica Stewart" e "André Luiz")

domingo, 31 de agosto de 2014

Apoteose de Ícaro - Parte 3

Pedras e tropeços depois, além de gotas de suor que lambiam meu rosto e insistiam em desmascarar meu corpo nu, e eu havia chegado ao cume do planalto rochoso.
-Ícaro! – A voz soava-me familiar. Pude, por conseguinte, enxergar seu dono ocupado com peles de carneiros para secar ao sol, um velho ranzinza apesar de suportar um ego extremamente engenhoso. Depois deste primeiro contato visual, tive a certeza de quem era o dono da voz rouca e cansada.
-Pai! – Abracei-o com garra. Pela segunda vez em suas eternas vidas, os deuses viram um espartano chorar, desta vez de alegria.
Um não, dois deles.
E nossa reunião tão aguardada passou-se lentamente, ambos despidos como viemos ao mundo e felizes por termos nos encontrado. Não mais importava-nos as vergonhas saltitantes; somente a felicidade do reencontro entre pais e filho.
Abraçamo-nos ternamente até que resolvemos compartilhar nossas aventuras durante o período em que estivemos separados. Contei sobre o julgamento, a parte que eu não sabia os motivos de minha condenação, os abusos dos atenienses pervertidos, as garotas da ágora que riam de meu corpo nu e todas as outras experiências que passei pelo labirinto que ele mesmo havia construído; cujo estávamos presos naquele momento.
Acabei omitindo para meu bem a parte da interação orgânica com a dríade da macieira, Demétria - apesar de lembrar-me com carinho dela – já que nas lendas antigas nos dizem que é um mau agouro relacionar-se tão intimamente com uma hadríade.
Contei somente sobre a maçã dourada que rolara incessantemente e guiara-me até aqui.
Dédalo, meu pai, ficou maravilhoso e logo depois de ouvir minha maluca e mirabolante história, tocou-me no ombro e disse suavemente em meu ouvido palavras que soaram como líras e cítaras afinadas no theatro graeco, que, todavia, fincaram como espadadas em meu peito.
-Eu construí esse labirinto. Eu sou seu pai. - Parou momentaneamente, e pude sentir seu braço se apertando sobre meu ombro, sua respiração sobre minha orelha e sua barba roçando nela. Deixou-me com o coração na boca e sufocou-me lentamente aquele silêncio mortal. – Sei sobre Demétria, não tente me esconder nada.
Fiquei em choque, mas ele me tranquilizou assim que percebeu meu estado emocional. Abraçou-me novamente em sinal de consolo, e pude sentir suas preocupações paternas se abaterem sobre mim.
-Não se preocupe meu garoto, a maçã é o fruto proibido e, de tão prazeroso e gostoso de provar, seduz aquele jovem que passar por lá. - Sorriu e mordeu os lábios. Olhou para mim e prosseguiu cautelosamente. Devo confessar que Demétria era muito bonita...
Deixando tudo ao relento, pude entender que Dédalo sugeria algo em suas palavras.
-Pai, você não...
-Sim, eu já. E não me leves a mal.
-Pai!
Ele riu.
-Mas, espera. Quantos anos tem Demétria?
-Ela já estava lá quando construí o labirinto, então estimo que tenha pelo menos quinhentos anos.
-Quinhentos anos?!
Ele riu novamente.
-Terei filhinhos com aquela mulher?
-Na verdade, as ninfas não podem engravidar-se de humanos. Maldição dos deuses.
-Mesmo assim. – Pensei nos momentos que compartilhei vida com ela. – Eu mordi o fruto!
Dédalo se abaixou ao chão e pegou as peles de cordeiro que havia deixado cair. Lembrei-me da perfeição de Demétria, do quão delicioso fora estar a seu lado, apesar dos pesares.
-É melhor esquecermo-nos disso e continuarmos nosso trabalho por aqui. – Ele virou-se e apontou para a casa que, pelo visto, ele próprio havia erguido sozinho. – Ou queres deixar seu velho pai bolar a nossa fuga a sós?
Não pude resistir ao convite, obviamente.

Exímio caçador, meu pai, Dédalo, abatera dois carneiros selvagens que vagabundeavam pelos campos do planalto e curiosamente existiam por ali. Um bosque carregado de árvores frutíferas diversas e de vegetais incríveis se estendia por entre riachos e pequenos cursos de água, que proviam vida e diversidade biológica ao lugar, tornando-o certamente muito mágico a meu ver, com algumas ninfas pulando e brincando de esconde-esconde. Elas se escondiam atrás de pedras lisas e barrentas, ora rindo silenciosamente, ora não se aguentando e gargalhando alto; a expressão da felicidade.
Fui atrás de alimento exatamente por lá. Acabei encontrando tomates doces e grandes como um besouro Hércules, pepinos levemente macios, uma variedade exorbitante de oliveiras, videiras, aroeiras, amoreiras, alcaparras, berinjelas frescas, pequenas frutinhas que não soube o nome e outras tantas que, de tão coloridas, suspeitaram meus instintos. Contudo, nada de macieiras por ali.
Recolhi o que consegui coletar em um cesto e voltei à casa onde meu pai havia se instalado comigo. Encontrei-o mergulhado entre velhos papeis, com projetos de algo incompreensível para um leigo como eu. Tudo o que pude imaginar era que se tratava de uma aerodinâmica indescritível e, tendo em vista que era Dédalo quem o fazia, o projeto era indubitavelmente perfeito. A única coisa que pude perceber, logo, foi a inspiração natural dele nas formas curvas que se assemelhavam às aves canoras que habitavam a Grécia desde sempre.
Ele observou-me com graça e sorriu perante minha curiosidade superficial.
-Quer saber o que é isto? – Apontou o monte de projetos sobre a mesa, indicando a preciosidade da riqueza de detalhes que estavam escritos, rabiscados e apagados neles. – Já pensou em voar como um pássaro, meu filho?
Espantei-me com a pergunta.
-Para falar a verdade, já. – Ele riu com minha resposta. – Sonho constantemente em transfigurar-me como Apolo, alcançar os céus como um pássaro. Livre.
-Pois então terá uma surpresa especial. – Revirou os montes e guardou os papeis debaixo de uma pedra. Pegou meus braços e me guiou a outro cômodo, onde uma ceia mediterrânea ansiosamente nos aguardava.

Após nos deliciarmos com o banquete regado não sei como a vinho grego, decidi não perder o foco espartano que corria em minhas veias, e pus-me a exercitar meus músculos correndo por entre as campinas singulares que desabrochavam por ali.
Passei por entre árvores que abrigavam dríades campestres, saltitando e cantando a meu lado músicas de melodias singelas, dando-me fôlego para prosseguir correndo, ao passo que eu suspirava cada vez mais em virtude da perda de Demétria. Balancei a cabeça para afastar as lembranças que corroíam minha mente aos poucos e deixei-me levar pelas néfeles lindas que insistiam em tocar-me até mesmo em lugares inapropriados, arrepiando inclusive os cabelos aparados que recobraram o crescimento.
Afastando-me um pouco dos bosques, pude perceber a diversidade de vida que inundava o planalto e compartilhei o espaço que tinha desde com carneiros a frangos selvagens, espantosamente educados, e alcancei uma formação lacustre digna de crineias que vivem pelas fontes de toda a Grécia.
Bebi da fonte e afastei-me lentamente das moças nuas que me seduziam sob o arco-íris que se formava pela passagem da luz entre as gotas respingadas da cachoeira, uma linda e maravilhosa formação típica de Íris.
Retornando à casa, mais tarde, pude deparar-me com meu pai absorto em seus pensamentos, rente à uma armação estranha e nova, inédita para mim. Ele percebeu minha presença sem eu me aproximar o bastante para tal.
-Ícaro! Venha ver sua surpresa! – Abarcou uma veste armada bem feita, levantando-a contra o sol do fim de tarde, vermelho-alaranjado. – Ponha logo! – Dirigiu-se a mim, estendendo a veste alada às minhas costas, pondo-a sobre meus ombros.
Aparentemente frágil, ela revelou-se exímia e ágil em meu corpo, com amarras de couro bovino se adaptando facilmente às minhas curvas lombares.
-Enquanto você não estava aqui, planejava isto com afinco. – Apertou um pouco do lado direito, fazendo-me sentir cócegas.
-Penas? – Questionei, ainda sentindo o roçar de pequenas pontas fofas sobre minha pele.
-Certamente! – Ele levantou duas alças também encouraçadas e afivelou-a sobre meu abdômen. – Abati dois gansos silvestres em uma lagoa próxima daqui. Usei as penas junto à cera de abelhas para grudá-las na armação. – Estavam seguras as amarras abdominais. – Firmes? – Ele tocou na fivela que as segurava, olhando para todos os pontos do conjunto e procurando erros e vazios que poderiam prejudicar o voo.
-Sim, firme. – Respondi ainda inseguro sobre aquilo. – Achas mesmo que posso voar? – Não queria ficar desacreditado.
Meu pai se afastou um pouco, virou-se e encarou o infinito labirinto que se projetava à nossa frente.
-Eu sou Dédalo! – Abriu os braços e recebeu a luz amarela do sol. – Eu projetei tudo isto aqui e não posso projetar asas? – Gargalhou em seguida, provavelmente se sentindo um louco.
Dédalo sendo ele mesmo. Louco e seguro de si. Este é meu pai.
E eu confiava nele.

-Vamos? – Pegou-me pelos braços e seguimos até um desfiladeiro íngreme, provavelmente onde eu fora levado pela maçã dourada. – É daqui que você deve pular.

André Luiz