Não conseguia sentir o que acontecia, nem ver ou pensar direito. Só lembro que estava muito escuro... e teve uma explosão, eu acho. Sim, deve ter acontecido. Ficou tudo tão claro do nada, e apesar do meu estado, percebi que ficou muito quente também. Tenho marcas pretas em minhas roupas que comprovam que não estou mentindo. Fui jogada contra as paredes do castelo de Keukenhof, e mal tive tempo de apagar algumas labaredas que queimavam meu vestido. Era uma construção bonita, sabe? Ficava olhando aquele jardim colorido, com as flores bem arrumadas, todos os dias. Ser artista de rua tem suas virtudes de vez em quando, ficar vendo coisas bonitas assim alegrava o coração de qualquer um desse mundinho triste. Duvido que tenha sobrado uma florzinha em pé.
Pesquisar este blog
sexta-feira, 8 de abril de 2016
terça-feira, 5 de abril de 2016
Crítica - O doador de memórias - Filme
Enfim, o que dizer do filme "O doador de memórias"? Sem querer ser pretensioso, afinal, não sou crítico de cinema nem nada, dou minha sincera opinião.
A produção é uma daquelas que brinca com sua própria realidade, principalmente quando Jonas encontra-se com o doador e descobre que tudo que ele acreditava, sentia, enxergava, ouvia e pensava até o momento era uma simples "acomodação" que os anciãos quiseram que ele e todos os outros tivessem. Diariamente, reclamamos porque sofremos, sentimos dor, somos obrigados a conviver com o ódio e a violência.
sexta-feira, 1 de abril de 2016
RESENHA - Caixa de Pássaros(Josh Malerman)
“Malorie está na cozinha, pensando.Tem as mãos úmidas. Treme. Bate o pé, nervosa, no piso de azulejos rachados. É cedo. O sol ainda deve estar surgindo no horizonte. Ela observa a luz parca clarear as pesadas cortinas pretas e pensa:Isso foi a neblina.’’
E assim começa Caixa de Pássaros, o tenebroso e intrigante livro de Josh Malerman. Inicialmente, nada se sabe sobre o que se passa dentro e fora da casa, mas para quem lê a sinopse ao final do livro, certamente torna-se interessante prestar atenção aos detalhes. A casa onde Malorie e duas crianças estão está envolta na penumbra e a única luz é proveniente de uma vela. Há manchas por todo o lado, que inicialmente suspeito ser sangue. Há indícios, logo, que algo muito ruim aconteceu por ali. “No segundo andar, perto da escada do sótão, uma pilha de casacos mofados camufla riscos roxos entranhados no pé da parede. Três metros à frente fica a mancha mais escura da casa. Malorie não usa aquela parte na extremidade do segundo andar porque não consegue passar por ali.” Há certamente uma tragédia envolvendo Malorie e sua família, que a deixa anestesiada de medo.
sábado, 26 de março de 2016
Poema - Quem sou eu?
Quem sou eu?
Um mero reflexo de um passado negro;
uma alma que doí e clama por carinho;
um ser fechado, preso, sufocado.
Quem sou eu?
Uma amiga.
Diga! Vim aqui para ajudar.
Fazer por você o que não faço por mim.
Quem sou eu?
Uma personalidade podre, fedida;
uma aparência branca, feia;
o olhar perverso, malícia;
um ser criativo, leal.
Quem sou eu?
Um ser que não sabe quem;
alguém que não é alguém;
coisa viva, que toca a vida
sem saber quem é.
("Brianna Morgan")
terça-feira, 22 de março de 2016
Resenha - Inverso
Uma garota que não gosta de sua imagem quando se olha no espelho. Uma imagem que não gosta da garota que a olha pelo espelho.
Ambientada na cidade de Santos, em São Paulo a trama de Karen Alvares é envolvente e não deixa a desejar quando o quesito é originalidade. A jovem autora de Alameda dos pesadelos e diversos outros textos de suspense e mistério, como os contos Ninguém e O vento, sabe brincar com as palavras como ninguém.
domingo, 20 de março de 2016
Poema - Grande Guerra
Somos guerra relâmpago
Batemos de frente
Saimos machucados
Soldados, somo qualquer outro
Orgulhos feridos
Não há vencedores
Devastados, físico e emocionalmente
Quem vai dar o braço a torcer?
Ah! Imprevisibilidade da guerra!
Ataca-me quando não espero
Meu exército cede
Novo tratado de paz
Enfim aliados
No eixo do amor.
A guerra é necessária
Para não se apagar o fogo do pavio.
("Brianna Morgan")
domingo, 13 de março de 2016
Crônica - "Mas só chove, chove..."
Escutou os murmúrios por onde passava. Cruzou os braços em uma inútil tentativa de se esconder. Apertou o passo, abaixou a cabeça.
Risos ecoaram em sua mente.
Convenceu a si mesma de olhar para frente sem olhar para trás. O que será que estavam reparando? Seu cabelo que fugia a regra de ser liso, suas unhas descuidadas, seus braços roliços, suas espinhas, a roupa fora de moda, o corpo não malhado... havia tantas coisas que a intimidava no convívio social que acabou desistindo de fazer novas amizades e deixar-se cativar por alguém. Não teriam coragem de amá-la de qualquer forma.
Findou sua vida, transformou-se em adulta. Tudo aquilo que antes a deixava sã foi abandonado, como aquela última boneca deixada no canto de um quartinho qualquer, lembrada apenas por traças e outras pestes urbanas.
Seu coração pulsava apenas a dor e o sofrimento de um cotidiano monótono.
TOC-TOC-TOC - fazia o seu salto na calçada. Tropeçou em uma pedra e foi o suficiente para começar a escutar novamente os risos maldosos. Seus olhos se encheram de lágrimas que instanâneamente embaçaram a sua visão. Atravessou a rua ávida para se libertar; não viu - ou talvez tivesse visto - o carro que vinha em sua direção.
("Jéssica Stewart")
quinta-feira, 10 de março de 2016
Resenha - O mágico de Oz
Um livro de terror para crianças. É a definição mais sensata para o livro "o mágico de oz", de Frank Baum.
A garotinha Dorothy está brincando tranquilamente em sua casa com seu cachorrinho Totó, quando os céus de tempestade se aproximam de sua casa. Mais e mais seu tio Henry e sua tia Em estão preocupados com o que pode estar por vir e preparam o abrigo anti-ciclone para recebê-los. Os ventos aproximam-se da propriedade e começam a movimentar a vegetação. Seus tios chamam-na para o abrigo, porém Totó escapa de suas mãos e se esconde debaixo da cama. Apenas um minuto de distração e ela também se separou dos tios, ao passo que a tempestade engoliu a casa com a garota e o cachorro dentro.
sábado, 5 de março de 2016
CONTO - O destino da Estrela
(Inspirado em A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr)
Lá estava a jovem, a minha frente, com cara de espanto, as mãos na boca. Seus olhos arregalavam-se em minha direção, deixando-me apreensivo.
- O que foi? - perguntei
- Eu sou seu ativador.
quinta-feira, 3 de março de 2016
12 Angry Men (Doze homens em fúria)- RESENHA
Se você assitir 12 Angry Men (Doze homens em fúria, no Brasil) hoje sem um olhar crítico, não vai achar nada demais. É apenas outro filme antigo, rodado em preto e branco. A trama é bem simples: doze homens são chamados para participar de um júri e eles têm que dar um veredito ao juiz. A história se passa dentro de uma sala quente e simples, com uma mesa grande onde eles se sentam e discutem o caso. Apenas isso.
Interessante é trazer o filme para os dias atuais, ver que, em 49 anos, nada mudou.
sábado, 27 de fevereiro de 2016
Saudade, palavra triste - MICROCONTO
É maravilhoso quando recebo visitantes. São sempre poucos, mas muito especiais para mim. Quando os vejo chegando ao portão, emocionados por me reencontrar, emociono-me junto. Depois, lembramo-nos de momentos felizes que vivemos e de como eu costumava sorrir quando estávamos todos sentados à mesa, unidos como uma verdadeira família.
Difíceis são as despedidas, quando deixamos escorrer lágrimas que molham a terra. Ao final, são apenas as velas, as flores e a velha saudade que me fazem companhia…
Este conto foi participante do concurso "Microcontos" realizado pelo site EntreContos, e também pode ser encontrado no link: http://entrecontos.com/2016/01/13/saudade-palavra-triste-solitario/
André Luiz
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
CONTO - A louca
Matou o pai. Três pauladas na nuca foram o suficiente para deixar o corpo do velho caído no chão do quartinho em que ela morava, sem vida.
Diziam que ele era um homem do bem, honesto e trabalhador. Era um grande comerciante de iguarias e enriquecera rápido com essa atividade; tinha a melhor casa do condado, muitos empregados, uma vinícula, já que fabricar vinhos era o seu lazer preferido. Os cabelos brancos e a barba grande aumentavam a sua fama de homem bom.
No entanto, ninguém sabia que ela estava cansada de ser abusada por ele. Cresceu trancada em um quartinho em que um dia fora uma dispensa, esquecido em meio ao casarão imenso. Não tinha irmãos, e nem mesmo a própria mãe a quis; abandonou-a ainda criança nesse mundo perverso, com um homem pior ainda. Ninguém sabia de sua existência além do velho que todas as noites, desde bem pequena, entrava no cômodo com um prato com mingau de aveia, que ela só recebia se fizesse todas as coisas horríveis que ele a obrigava. Quantas vezes tivera que tomar chás abortivos que também lhe faziam mal, tentar não deixar infeccionar os machucados que ele deixava em sua pele e até mesmo aguentar, calada, esta vida maldita.
Demorou apenas um dia para que dessem falta do velho. Sua voz imponente não tinha sido escutada, tão pouco havia indícios de que ele havia saido. Assim, os empregados começaram a procurá-lo. Foi um jovem oportunista que achou a porta empoeirada, escondida entre os armários do patrão. Encontrou dentro do minúsculo cômodo o corpo desfalecido do homem junto a um pedaço de madeira que havia sido parte do alisar da porta. Pegou um saco de moedas que encontrou com o morto e escondeu em suas próprias roupas.
Encolhida, bem distante do corpo, ela viu o homem se aproximando com um sorriso malicioso. Entendeu suas intenções ao ver que se aproximava tirando o cinto e calça o mais rápido possível. Jogou seu corpo contra o dele e o unhou no rosto, tirando dele um urro de dor. "Socorro, socorro!", gritou ele em seguida. Logo vieram outros empregados que a pegaram e levaram para ser julgada em praça pública.
Diagnosticaram-na com a doença do útero, histeria. Já era relativamente velha e não acharia um marido que pudesse curá-la, disseram. Logo, condenaram-na: seria enforcada ao raiar do dia seguinte. Trancaram-na em uma torre alta, onde passaria a noite, com somente uma porta pesada, impossível de abrir por dentro, e uma janela em que ela via apenas a imensidão do céu e o mar revolto, cujas ondas batiam com tanta velocidade e força nas pedras da torre que pareciam enlouquecidas, assim como ela. Ao final do dia conturbado, ela mal se preocupava com a lua e o céu, tão pouco com a lua no mar. A mártir se jogou da sacada, sem usar as asas que Deus lhe deu. Sentiu o baque do seu corpo contra a água salgada e sorriu. O que Ismália queria mesmo, era se libertar.
("Jéssica Stewart")
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
RESENHA - A ascensão do Governador(Robert Kirkman e Jay Bonansinga)
“O perímetro da região metropolitana de Atlanta passa por eles em câmera lenta, uma série de florestas de pinheiros interrompidas por uma eventual cidade-dormitório ou um shopping de estrada. Passam por concessionárias tão escuras quanto um necrotério, o mar sem fim de modelos novos como caixões que refletem a luz branca da Lua. [...] Pequenos focos de incêndio aparecem aqui e ali. Os estacionamentos parecem mais salas de brinquedo de crianças insanas, os carros abandonados jogados sobre o espaço como brinquedinhos arremessados com raiva. Cacos de vidro brilham por todos os lados.”
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Assinar:
Postagens (Atom)





