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terça-feira, 2 de abril de 2013

Memória de um esquizofrênico



      Ergueu a cabeça.Olhou para os lados.Ninguém.O homem via-se embutido em um dos becos,à procura de algo que nunca encontraria ali.
           Pairava sobre sua cabeça uma espessa,gélida e petrificante névoa que lhe encobria toda a visão,o que o impedia de enxergar mais de um palmo à sua frente.Inúmeras gotas de suor caiam de seu corpo e percorriam o sinuoso caminho até o chão.Todo o seu corpo já padecia e fraquejava após horas perambulando sobre as ofuscantes luzes da avenida Oxford.Aquele beco era sua única saída para escapar de toda a turbulência em que se encontrava naquele momento.
     Para completar o pânico e o medo que o entorpeciam lentamente,iniciara-se repentinamente um zumbido ensurdecedor e incessante em seu ouvido.Isso era o estopim de sua loucura,e ele não aguentava mais aquela perseguição.Mal sabia ele que tudo isso acabaria em breve.
        Ao passar por um dos imensos e variados cruzamentos londrinos,o desesperado cidadão quase colidiu por várias vezes com alguns carros que passavam.Nem as buzinas e sinais de alerta dos motoristas eram suficientes para "acordá-lo" daquele pesadelo.Ainda não era dessa vez.
      Ele não suportava tudo aquilo,suas visões dilaceravam seu cerne,enlouqueciam-o;enquanto ele era seguido por um ser que somente ele conhecia.Recostou-se nas barras de uma enorme e centenária ponte no centro de Londres,tentando encontrar ar fresco para prosseguir com sua fuga.
           Sentiu algo em suas costas,cuja sensação do toque era terrível.Tentou se agarrar em uma das barras,mas já era tarde:Duas luvas brancas vindas da escuridão que se instaurava no lugar o tocaram.Pareciam feitas de fogo.Elas o empurraram antes de ele esboçar qualquer reação.Seu corpo fraco e raquítico caiu durante longos e dolorosos segundos.Sua vida era transmitida em relapsos dentro de sua cabeça.Era o final.
              O homem caiu nas águas congelantes do rio Tâmisa que,com suas corredeiras,levou-o para bem longe dali.Ele nunca mais foi visto em lugar algum.
              Pena que sua vida tenha terminado de maneira tão absurda,mas diante de toda essa situação,podemos retirar apenas uma conclusão:Sua loucura havia cessado.


("Walter Crick")