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sábado, 7 de dezembro de 2013

A garota com apenas um olho - 2

 A verdadeira história

                      Pouco tempo depois,Marie tivera que viajar para tentar a sorte em Paris,a capital francesa,pois sua profissão não ia muito bem em sua cidade natal,uma vila no interior na Bélgica.A garota tinha planos de se mudar para lá se arranjasse um belo emprego,porém naquele momento o seu romance com Calvin estava tão maravilhoso que ela seria capaz de tudo para mantê-lo.
                    Chegado o grande dia da partida de Marie,Calvin ainda não havia se acertado com sua carreira de corretor de imóveis,mas decidiu,em uma atitude um tanto ousada,largar tudo para mudar-se também para Paris.Obviamente,sua namorada ficou muito contente,e convidou-o para tomarem um café,para despedirem-se da Bélgica de uma vez por todas.
                    Ao chegarem na cafeteria,escolheram a mesa mais reservada do local e pediram,cada um,um capuccino bem quente.Minutos depois de a bebida chegar,os dois já estavam envoltos em um beijo mais do que romântico,absortos em sua paixão.A garota,tímida como sempre,ficou muito corada quando percebeu que todos no local a olhavam,espantados pela cena que acabaram de ver.Marie sugeriu que os dois fossem embora e aproveitassem o ultimo dia na Bélgica em outro lugar.
                    Caminhando por um parque lindo no centro de Bruxelas,o casal acabou por parar de vez em uma loja de bolos confeitados,que os impressionou pela beleza e delicadeza nos detalhes das milhares de rosas,tulipas e jasmins doces que decoravam as centenas de bolos que estavam expostos.
                    Surpreendendo sua namorada,Calvin disse,delicadamente:
                    -Quem sabe o bolo de nosso casamento não possa ser tão lindo quanto algum dessa loja?Eu deixarei você escolhê-lo,porém eu quero que seja com recheio de doce de leite trufado,o meu preferido.
                    Os dois riram fervorosamente,e Marie completou:
                    -Muito bem senhor,onde pretende chegar com esse papo de bolos e doce de leite?Amanhã viajaremos para Paris para tentarmos uma nova vida lá nessa nova cidade e nós aqui,pensando em bolos.
                    -Pois então esqueça Paris e case-se comigo!Disse Calvin,nervoso com o pedido que acabara de fazer-Eu te peço,seja minha esposa!
                    -Mas somos tão jovens,meu amor,você não acha um pouco cedo demais não?Completou Marie,aturdida.
                    -Nosso amor é tão jovem,mas é puro e verdadeiro.Case-se comigo...
                    -Sím!Respondeu a jovem,que agora se tornaria esposa se Calvin.Mas e a viajem que iríamos fazer.
                    -Dizem que Paris é a capital dos namorados.Vamos tentar a nossa sorte?
                    Sem hesitar,a garota respondeu:
                    -Se você diz,prosseguiremos com nossos planos e seremos felizes em nossa jornada.


***

                    Dez dias depois,os dois já haviam se instalado em um apartamento simples nos subúrbios de Paris,e Marie já havia conseguido um emprego em uma clínica local que precisava de uma médica assistente.
                    Entretanto,Calvin ainda não encontrara trabalho,e passava as tardes a rondar pelo bairro,sozinho,e cantarolava algumas cantigas de amor para as belas moças que passavam na rua.A pobre Marie nem desconfiava,e todos os dias chegava do serviço,exausta,e dava um jeito de arrumar a casa e o jantar para seu esposo.Oficialmente,os dois ainda não haviam se casado,mas já eram quase marido e mulher.A jovem acreditava veemente que seu marido procurava por trabalho,porém o mesmo ficava a vagabundear pelas ruas e trair Marie com outras mulheres durante todo o dia.
                   
                    Contudo,os dias de mordomia de Calvin se acabariam pouco tempo depois,quando Marie adoeceu gravemente e seu marido teve que ficar de acompanhante no hospital por cerca de duas semanas e mais uma em casa,até que a garota estivesse completamente curada.
                    Por fim,os dois resolveram oficializar a união quase três meses depois de se instalarem na França.Foram a um cartório e registraram o enlace.A tola menina assinou os documentos certa de que Calvin a amava,porém tudo não passava de uma peça teatral criada por ele.
                   
                    Tempos depois os dois fizeram uma viagem de volta para a Bélgica,onde iriam visitar os parentes e anunciar a boa nova do casamento a todos.
                    Chegando na vila em que seus pais moravam,Marie apresentou o esposo à mãe,que já o conhecia,que foi agraciado com uma cortesia digna de reis,pois sua sogra convidara-no para se estalar um tempo por ali.
                    A casa de Marie era grande, porém simples, e a jovem ficava muito confortável por lá, por isso os dois decidiram aceitar o convite e se instalaram ali. O quarto do casal ficava no andar de cima,e as malas foram levadas por ele assim que souberam onde iriam ficar.
                    Duas horas depois,o homem já dormia na cama de casal,deixando a esposa sozinha a cozinhar o jantar.Ela já demonstrava certo desapontamento com o marido,e temia que algo de ruim acontecesse com ele,pois o mesmo mostrava-se muito cansado;porém acalmou-se achando que daquela vez o cansaço seria fruto da viagem longa que fizeram,e que aquela situação de estresse se resolveria naquela cidade pacata em que estavam.
                    A mãe e a filha ficaram horas conversando na cozinha.Falaram de tudo um pouco,desde assuntos banais a seríssimos conselhos sobre filhos e a vida conjugal.Explicou que,naquele momento,a filha deveria se precaver e evitar relações com o marido,pois era muito jovem para ter filhos.Marie concordou,e disse que a carreira de médica estava prestes a deslanchar,e não perderia aquele sonho por nada.Quando foram ver as horas,já se passavam das duas da madrugada,e as mulheres resolveram ir se deitar.
                   
                    Ao amanhecer,bem cedo,Marie levantou-se e foi cuidar dos afazeres domésticos.Ela,como sempre,fazia as refeições da casa.e seu marido continuava dormindo até que ela o chamasse para o almoço.E assim se passaram as duas semanas que o casal ficou ali.Ela,cada dia mais desapontada por ser esquecida pelo homem que a amava,ele,envolto em seu drama teatral,aguardava ansioso a volta para Paris.

                    Enfim,chegou o dia de voltarem para casa.Marie ficara durante toda a manhã matutando coisas com a mãe,e as duas combinaram de se ver em breve e dessa vez era a mãe quem iria visitar a filha.Um pouco grosso demais,Calvin pegou as malas,colocou-as em um carro que alugara e despediu-se da sogra,que morava sozinha pois o marido havia falecido há três anos.Marie,chorando, carinhosamente despediu-se da mãe e recolheu suas malas ao carro.Aquela despedida seria sofrida,pois a mãe representava para Marie a honra de ser uma Wilheim,uma figura generosa e ao mesmo tempo astuta,que era ótima conselheira.

                    Cerca de algumas horas depois,o casal chegara em Bruxelas para pegar o ônibus que os levariam para Paris,porém Calvin disse que tinha negócios a resolver na cidade e que teria que se instalar por ali por uma semana.
                    -Quais tipos de negócios,meu amor?Questionou Marie,desconfiada.
                    -Coisas de corretor!Você não vai entender- Respondeu-a Calvin,um pouco indelicado- Vá e prepare minha casa para meu retorno.Quando eu voltar,quero ter um filho com você.
                    Aturdida e consternada,Marie deu meia volta e desatou a chorar silenciosamente.Não despediu-se de seu marido antes de ir rumo ao terminal rodoviário para ir à Paris.
                     “O que ele queria dizer com ter um filho comigo?”-Marie ficou por horas matutando a frase de seu marido.



***