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quinta-feira, 28 de abril de 2016

RESENHA - Guerra Civil (Stuart Moore)



“Capitão América franziu a testa e respirou fundo. Virou-se brevemente para colocar os pensamentos em ordem.

- Acho que esse plano vai nos dividir ao meio. Acho que vamos acabar em guerra uns contra os outros.”

Uma batalha de heróis e vilões que divide as opiniões dos homens e mulheres mais poderosos da Terra. Deuses e humanos, unidos e desunidos na tentativa de salvar o mundo.


Para quem já anda bastante ansioso para a estreia do filme “Capitão América: Guerra Civil”, como eu certamente já estou, a leitura tanto da HQ quanto do livro “Guerra Civil” são pratos cheios para se ambientar no maior conflito entre heróis do universo Marvel e também uma disputa de ideologias acirradíssima entre o filantropo mais famoso do mundo dos personagens e um ex-combatente da Grande Guerra, um supersoldado: O Homem de Ferro contra o Capitão América.



Um combate entre heróis e vilões nas proximidades de uma escola, em Stanford, acaba em tragédia. O grupo de jovens poderosos autointitulado Novos Guerreiros participa de uma espécie de Reality Show mal produzido que visa retratar a vida dos heróis de quinta categoria, por meio de inéditas cenas dos combates corpo-a-corpo. Contudo, naquele fatídico dia, os vilões eram muito mais perigosos do que se imaginava.


“– Agora você está mexendo com gente grande – disse Nitro.
A energia jorrou dele, consumindo primeiro Namorita. Ela arqueou o corpo de dor, soltou um grito silencioso e então se dissolveu em cinzas. A onda de choque continuou se espalhando, envolvendo a câmera, o cinegrafista, o ônibus escolar. Radical, depois Micróbio. A casa e os três vilões espalhados no quintal dos fundos.
E as crianças.
Oitocentos e cinquenta e nove moradores de Stamford, Connecticut, morreram naquele dia. Mas Robbie Baldwin, o jovem herói chamado Speedball, não chegou a saber disso. O corpo de Robbie ferveu até evaporar, e enquanto a energia cinética dentro dele explodia pela última vez no vazio, seu último pensamento foi:
Pelo menos, não terei que ficar velho.


O desastre no combate aos vilões agitou os ânimos da população estadunidense, em especial todos aqueles que perderam filhos, pais, amigos, esposas, alunos, naquele dia. Os super-humanos foram rapidamente lançados à marginalidade, passando, de súbito, de salvadores a assassinos.
Foi neste momento que o Governo resolveu intervir.
Uma audiência que decidiria o futuro dos poderes especiais em solo americano foi marcada. A Tony Stark, o maravilhoso Homem de Ferro, coube a defesa dos heróis, uma difícil tarefa. Todavia, o playboy gênio dos negócios possui uma capacidade enorme de comunicação, e conseguiu aprovar um plano de “trabalho” para aqueles que possuíssem superpoderes, inatos ou não, se cadastrassem em uma base de dados federal e fossem monitorados pelo Governo em suas ações contra o crime.
No entanto, para isso os heróis teriam de se despir das máscaras e disfarces. Revelar sua  identidade para todo o mundo, onde vivem, expondo-se abertamente como o próprio Tony fizera.
Obviamente, nem todos concordaram prontamente, e começaram uma resistência ferrenha contra os planos de Stark, temendo que sua segurança e de seus familiares pudessem estar em risco, começando um enorme conflito de interesses e super-heróis fantásticos em busca de segurança e discrição.
“Guerra Civil”, um romance adaptado de uma série de HQ’s homônimas da Marvel, é um livro instigante, que cumpre o objetivo com o qual foi escrito, traduzindo de forma muito interessante e fiel o universo criado nos quadrinhos. Desta forma, é uma leitura quase que obrigatória aos leitores de plantão que também são fãs da Marvel e curtem cross-overs de universos da ficção, visto que temos o Quarteto-Fantástico, os Vingadores, os X-Men, o Homem-Aranha, Homem-Formiga, Doutor Estranho e diversos outros heróis incríveis retratados na história.
Sue Richards, a Mulher-Invisível do Quarteto Fantástico, Peter Parker, o Homem Aranha, e Frank Castle, o Justiceiro, roubam a cena durante todo o livro, protagonizando as cenas mais icônicas e fantásticas de toda a trama. Conseguimos, mesmo neste universo tão repleto de personagens novos, alguns nem tanto assim, perceber o aprofundamento psicológico da trama, em consequência do maravilhoso trabalho do autor e “tradutor” Stuart Moore, por assim dizer.
O Capitão tem seus motivos para discordar da posição do Homem de Ferro neste embate de ideias, do mesmo modo Tony Stark para de certa forma obrigar os heróis a se alistarem. Todavia, o time do supersoldado é muito mais empolgante e divertido, bem como possui os heróis mais subjugados e esquecidos pela maioria dos blockbusters. Talvez seja por isso que eu escolhi torcer pelo #TeamCap, afinal, temos o Homem-Aranha combatendo ao lado do herói americano.
Quem ganha essa guerra? Apenas lendo o livro para saber, mas posso adiantar uma coisa: Ler “Guerra Civil” somente me deixou mais ansioso para ver o filme!




“O bombeiro puxou Capitão pelos pés, com força, e gesticulou mostrando o que acontecia ao redor.
Capitão observou a cena. Heróis lutando contra heróis; agentes da S.H.I.E.L.D. e guerreiros atlantes trocando tiros; civis correndo em pânico em busca de abrigo. Fogo queimava em uma dúzia de lugares, de canos de gás, latas de lixos, janelas de escritórios. Ao norte, metade de um prédio havia caído, bloqueando a rua inteira e metade da calçada.
– As pessoas estão preocupadas com seus empregos, seus futuros, suas famílias – o homem negro tirou os óculos, fitou Capitão com raiva. – Acha que precisam se preocupar com isso?

Capitão abriu a boca para responder. E parou, sem palavras.”

por André Luiz

DADOS DO LIVRO(SKOOB)


Guerra Civil
Adaptado dos quadrinhos de Mark Millar e Steve Mcniven


Série Marvel # 02




ISBN-13: 9788542804126
ISBN-10: 8542804120
Ano: 2014 / Páginas: 398
Idioma: português
Editora: Novo Século


Autor: Stuart Moore(Foto)