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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Valentine #2

- Santa Barbara, Califórnia, 2003. 

     Era dia de São Valentim. Fim do péssimo dia, para ser honesta. Por quê? Ora! Porque simplesmente ninguém havia lembrado de mim.
     Eu costumava a receber cartinhas anônimas de alguém especial todo ano. Mas esse ano, meu correspondente secreto não lembrou.
     “Boa tarde Aninha!” Dizia uma mensagem do Davi. Confesso que perdi o ar dos meus pulmões quando vi que havia uma mensagem não lida dele. Sim, achei que era algo a mais, que ele era meu anônimo... mas eram apenas falsas esperanças.
     “Boa tarde Dayves kkk” Respondi usando o apelido que ele menos gostava.
     “Dayves? Acabou com a minha alegria” Mandou imediatamente.
     “Alguma coisa esta acontecendo U.U”
     “Ó kkk acontecendo? Onde?”
     “Como você é bobo kk. Nunca me responde rápido :p”
     “Ah! Por isso? Tem sim U.U Algo chamado tédio”
     “Aff me ame menos flw? Kk”
     “Hm... não kk Partiu role?”
     Aquela chama de esperança surgiu de novo. Senti meu coração bater rápido.
     “Pra onde? To cansada demais hoje”
     “Por favor, Ana :( A comida é por minha conta :D”
     “Então tá kk, mas hoje eu realmente estou com muita fome kkk. Leve dinheiro. Tipo uns 50 kk”
     “Ok :) Passo ai daqui a 1 hora”
     Não sei o que aconteceu nesse tempo. Acho que estava tão chocada e feliz que apaguei, pois quando percebi, só faltavam 5 minutos até a chegada dele.
     Coloquei apenas um vestido florido e soltei meu cabelo. Não tive muito tempo para me arrumar.
     - Vai onde mocinha? – Indagou minha mãe enquanto descia a escada.
     - O Davi me chamou para passear mamis - dei-lhe um sorriso – com certeza vai me mostrar outra manobra de skate.
     - Hum... sei – me lançou um olhar desconfiado – Juízo hein?
     - Mãe é o Davi – Comecei a rir.
     - Justamente! Sei quem é ele. É melhor ir agora para poder voltar cedo.
     Nenhuma palavra foi dita. Apressei-me até a porta, e para minha surpresa lá estava ele.
     Cabelos grandes implorando para serem cortados, camisa mal passada, bermuda de lycra e dois skates; um no pé e o outro sendo oferecido a mim (mas devo admitir que era assim que gostava dele).
     Hesitei com a oferta do skate, e dei um passo para trás.
     - Ah! Para com isso Aninha! – Disse ele simpático – Sabemos que você anda melhor do que eu.
     - Querido, eu faço tudo melhor do que você – disse enquanto pegava o skate.
     - Ora! Que atrevida, hein Ana Clara? – e começou a rir. Confesso que meu mundo parou. Queria ficar ali a vida toda ouvindo o barulho da risada dele. – Mas – disse, com ênfase, como se percebesse que eu precisava ser acordada. – Como eu sei o caminho, você vai ter seguir a mim – completou triunfante.
     - Certo, certo. Vamos logo! Caramba, eu to com fome!
     Ele explodiu em uma gargalhada, e eu me derreti completamente.
     Andamos por cinco minutos até chegarmos a uma porta abandonada.
    - Ana – disse sério. – Eu preciso que você confie em mim.
    - Que isso menino?- dei um leve sorriso – Quer me assustar?
   - Não Ana... Só quero que você saiba que aqui é meu “lugar secreto” – disse ainda mortificado – Você é a primeira pessoa que vem aqui.
     - Ah... Obrigada, eu acho.
     Ele pegou em minha mão e apertou forte enquanto abria a porta.
     - Feche os olhos – pediu ele, gentilmente, em meus ouvidos.
     Ele me puxou um pouco para frente. Senti a porta se fechando atrás de mim.
     - Seja bem vinda Aninha. Pode abrir os olhos.
     E então eu vi um paraíso. Era um campo verde lívido, com a grama perfeitamente aparada e uma castanheira, enorme, no centro.
     - Vem! – Chamou ele.
     Corremos de mãos dadas, como no primeiro dia em que nos conhecemos.
     Embaixo da castanheira havia um lençol quadriculado estendido, com uma cesta de palha e um violão em cima.
     - O que é isso? – Perguntei incrédula. Obviamente era um encontro, mas era tudo tão maravilhoso que eu precisava escutar dele.
     - Um piquenique – deu-me um sorriso fraco
     Ainda estávamos de mãos dadas. Isso confirmava a minha hipótese.
     - Sente-se e vamos comer. Também estou com muita fome.
     E então, ambos começamos a rir histericamente enquanto comíamos. Fazíamos palhaçadas um para o outro. Era tudo tão mágico, tão encantador...
     Depois de comermos (muito), deitei-me em seu colo. Ficamos um bom tempo assim: eu deitada de olhos fechados, ele brincando com meus cachinhos, penteando com os dedos. Ele cantarolava a melodia de Save me dos Hansons enquanto eu, em silêncio, me deliciava com o som doce da voz dele.
     - Vamos, levanta. – Ele disse subitamente.
     Não sabia como responder àquela ação, então apenas o fitei perplexa.
     - Só se sente. - Deu um sorriso nervoso – tenho algo a mais para você.
     Sentei-me.
     Ele pegou o violão e se pôs a minha frente.
     - Por favor, não ria. – Disse ele com o mesmo tom ansioso
     “Não quero mais escrever em segredo
     Mesmo porque todos sabem o que eu desejo
     Sim, eu sou seu anônimo
     Desculpe-me por demorar tanto
     Mas eu não consigo ficar longe da pessoa que amo
     Sim, eu te amo
     Amo sue jeito de ser boba para me fazer rir
     O modo como não consegue mentir para mim
     Até a maneira como prende o cabelo quando fica nervosa
     Eu te amo com suas manias e defeitos
     Te amei por muito tempo em segredo
     Can you be my Valentine? (Você pode ser minha namorada?)”
     Não dissemos uma palavra sequer. Estava sem fala, sem ar e provavelmente teria um infarto. Ele esperava uma resposta, e eu estava muda.
     Uma lágrima apareceu no canto do seu olho. Virou abruptamente e começou a recolher tudo.
     Eu não conseguia me mover. Estava feliz, ansiosa, surpresa e apaixonada demais para isso.
     Ele terminou de arrumar tudo e começou a ir embora. Obriguei meu corpo a se mover e consegui alcançá-lo. Fiquei a sua frente impedindo sua passagem. Estava com a cabeça baixa e os olhos muito vermelhos.
     - Sim. – sussurrei, mas ele pareceu não entender. – Sim! Caramba! Por que acha que não aceitaria? – Gritei
     Ele me olhou surpreso. E quando viu minha expressão de ansiedade acreditou no que acabava de dizer.
     Deixou tudo cair no chão, espalhando uma diversidade de comida pelo chão. Cuidaríamos disso mais tarde.
     Colocou meu cabelo gentilmente atrás de minhas orelhas com um das mãos, enquanto a outra me puxava pela cintura para mais perto de si.
     Uma gota caiu sobre meus ombros. Não lhe demos muita atenção.
     E ali mesmo, na chuva, demos nosso primeiro beijo. O campo se tornou nosso paraíso secreto desde então.

("Jéssica Stewart")

Valentine #1

      - Santa Barbara, Califórnia, 1995.


     Era meu primeiro dia de aula. Estava assustada, nunca estivera em um local como aquele, colorido repleto de outras crianças e com pessoas extremamente altas, que me abraçavam e afagavam meu rosto a todo o momento.
     Não chorei como as outras crianças fizeram. Sentei-me em um cantinho e fiquei lá um tempão.
     - Oi. Qual é o seu nome? –Disse um menininho de cabelos castanhos sentado ao meu lado.
     - Ana Clara – respondi – E o seu?
     - Davi. Quer brincar?
     - Sim! – Respondi com um sorriso.
     Corremos juntos pelo pátio, enquanto brincávamos com outras crianças.



- Santa Barbara, Califórnia, 2013.

     - Bom dia John! – Disse virando-me ao meu marido.
     - Bom dia Ana – Disse ele apressado enquanto trocava de roupas para ir ao escritório trabalhar.
     Era sempre a mesma rotina. Acordar, olhar minha filha dormindo, arrumar a casa, brincar com ela... Tudo tão monótono.
     Fui até o berço, e lá estava ela, Júlia, linda como sempre, acordada com os olhinhos grandes me observando e sorrindo para mim.
     O melhor presente que poderia querer. Era grata por ela, pelos sorrisos que recebia dela, pelas vezes que ela conseguia agarrar seus dedinhos no meu cabelo, e até mesmo pelas noites mal dormidas em que tinha que pegá-la no colo e fazê-la parar de chorar.
     -Bom dia minha linda! – Disse a ela com um sorriso – O que quer fazer hoje?- Peguei-a no colo e a levei para a sala.
     Liguei a televisão em um canal qualquer. Coloquei- a em sua cadeirinha enquanto preparava seu alimento.
     - Depois de sete anos longe de casa, o astro do rock alternativo retorna para a casa – Dizia a moça do jornal matinal.
     - Olha filha, enfim vai ter um show decente – disse sorrindo, mas sem dar muita importância ao fato.
     Preparada a mamadeira, sentei-me no sofá com minha pequena no colo, e me prontifiquei em assistir ao jornal de sempre.
     - E volta, depois de 7 anos longe de Santa Barbara, o ídolo do rock alternativo do momento. – Disse a âncora do jornal.
     - E Santa Barbara se torna o point dos jovens rockeiros – disse com sarcasmo para minha filha, que soltou uma gargalhada.
     - Davi Ferguson fará dois shows na cidade, um no estádio e acústico, apenas para convidados especiais – Disse a âncora.
     Davi Ferguson?!?– Peguei meu celular, trêmula, e liguei para Ângela, minha amiga de infância.
     - Ana? Oi! Meu Deus! Quanto tempo! Disse ela eufórica.
     - Ângela? Eu preciso te fazer uma pergunta.
     - Hum, pela sua voz já imagino que ficou sabendo quem está voltando.
     - Então é mesmo ele? – Perguntei descrente.
     - Sim. E, bem, já comprei meu ingresso.
     - Você vai?
     - Sim, ora. Ele canta bem... E a Fernanda e o Carlos também vão.
     Não eram eles que não gostavam deles? Quem me fizeram desistir da vida que eu queria?
     - Então também vou! – Disse decidida.
     - Você o quê? Não! Ana você é casada e tem um bebê lindo...
     - Ora! Eu vou apenas a um show com meus amigos. Não vou abandonar minha família – dei uma risada suave, só para quebrar a tensão.
     - Tem certeza?
     - Absoluta! Nós nos vemos lá então?
     Desliguei o celular. Precisava pensar sobre tudo.




("Jéssica Stewart")

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Uma luta de todos

   Era uma nova era se iniciando.
   O instinto revolucionário borbulhava nas mentes, antes caladas, da população brasileira.
    Miriam, uma tenente da polícia, era fidelíssima ao seu emprego. Vivia seus dias em prol de promover a paz social e a segurança dos Paulistanos.
   Um dia, porém, sua rotina foi interrompida por um fato curioso. Um grupo de estudantes, julgados baderneiros, reivindicavam por direitos incabíveis à sociedade contemporânea, essa foi a informação dada por seu superior .
   Não pensou duas muito e pôs a se dirigir ao local relatado.
   Deparou-se com uma visão horripilante. Haviam inúmeros jovens, gritando e cantando palavras de ordem, segurando cartazes de caráter irônico, pecando contra o governo que tanto zela por nós.
   Atordoada, ordenou ao seu batalhão que formasse um cordão de isolamento, impedindo a passagem dos vândalos. Não obteve seu objetivo, os manifestantes empurravam e atacavam.
   O pandemônio se estendeu por muitas horas. Aos poucos o grupo foi se dispersando.
   Miriam estava exausta. Nunca vira algo parecido. Chegou em casa, e ali mesmo, na soleira da porta, pôs-se a chorar.
   Dormiu entre soluços, com o coração saltando pela garganta.
   No dia seguinte houve uma nova onda de protestos. Decidida, organizou seu batalhão em grupos, e liberou o uso de armas de fogo nos rebeldes que resistissem.
   A visão era ainda pior: havia gritaria, pessoas correndo, o sangue vermelho vivo era visto por todos os lugares. O terror se espalhava nos olhos de todos. Era um cenário de guerra.
   Um jovem mascarado, segurando um cartaz, vinha de encontro à ela. Um cabo prontificou-se e atirou no meliante, que caiu desfalecido no gélido asfalto. Um jovem médico voluntário arrastou o corpo até uma pilha de mortos, formando um rastro com o sangue fresco.
   Horas mais tarde, após a chacina, Miriam descobriu que o jovem morto era na verdade seu irmão mais novo.
   Louca de cólera, percebeu que fora a culpada pelo ato infeliz e que vândala, era ela.
   Internou-se em uma clínica, tornou-se religiosa, abandonou a carreira que tanto amava e tornou-se líder de movimentos sociais que buscavam os direitos de uma minoria que vivia oprimida pela sociedade. Enfim havia algo para se dedicar em sua vida, e por mais que doía a falta de seu irmão, sentia-se orgulhosa pela mudança que se submetera e sabia que ele estava lá com ela, iluminando-a e protegendo-a, como sempre fizera.

("Jéssica Stewart")

terça-feira, 14 de maio de 2013

O brilho da neve


            Era uma vez uma pequena criança, linda como a neve, de nome Eva. Era a garota caçula de três irmãos e sempre se mostrou a mais corajosa de todas.
            Certo dia, ao passear pela floresta que circundava sua humilde casinha, deparou-se com enormes pegadas distribuídas como as de um humano, porém do tamanho de um bisão. Resolveu investigá-las, e passando mais algumas horas dentro da nevada floresta, acabou por encontrar uma enorme abertura negra na montanha branca, coberta de neve. Apesar de esta aparentar ser medonha, a garota prosseguiu seu caminho atrás das pegadas estranhas cravadas na neve.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Guardiões

     Branca de Neve era uma doce menina. A garota, educada e bondosa, de pele branca como a neve, lábios vermelhos como o sangue e cabelos negros como o ébano... Essa história todo mundo conhece, ou melhor, todos acham que conhecem.
     Na época da chegada dos colonos às Américas, muitos povos indígenas se refugiaram para dentro das matas e muitos desses refugiados criaram suas raízes ali, dando origem á novos povos. Com o tempo, os índios perderam sua identidade, que se fundiu com a cultura europeia. A cor de jambo e o cabelo extremamente liso e negro como a noite, já não faziam mais parte do estereótipos de algumas aldeias. 
      Alice, vulgo Branca de Neve, era uma das descendentes da família Stratfoord. Seu tataravô (um europeu) se apaixonou por uma índia, gerando uma família miscigenada, conhecedora da mágica presente nas florestas. 
     Aparentava ser uma menina dócil, meiga, simpática. Isso era na verdade seu maior trunfo, nunca desconfiariam da potente força presente naquelas minúsculas mãos. Seus olhos eram capazes de emitir ondas de dor para o alvo, podia ler os pensamentos de qualquer um e sua torta de maçã era na verdade recheada de feitiços.
     Derrotou, uma vez, uma fera que ameaçava o equilíbrio da mata. Era seu irmão mais velho. Havia traído sua família contando tudo sobre a magia que possuía para sua namorada , que na verdade estava apenas interessada em aprender as mágicas. 
     Com um singelo bolo de aipim, Alice enfeitiçou seu irmão transformando-o em uma fera horrenda e o aprisionou em um labirinto em uma terra distante, assim jamais poderia ver sua amada de novo e se mesmo assim conseguisse escapar, não falariam a mesma língua.
     A falsa nora, decidida a revelar a existência da mágica, foi pega de surpresa. Ela não esperava que Alice estivesse vigiando todos os seus pensamentos. Ela acabou também sendo amaldiçoada, tornando-se um quadrúpede sem cabeça, e que no lugar desta havia apenas fogo. 
     Talvez um dia você escute um choro medonho e o barulho de cascos pesados sob o chão. Não tenha medo. É uma infeliz jovem que traçou o seu destino através da ganância pelo poder. Mas se puder, fuja das ingênuas garotas. Você não sabe o quão poderosas elas podem ser.

("Jéssica Stewart")

sábado, 4 de maio de 2013

Você pra toda a vida.


Te conheci, mas nem ao menos dei importância a esse fato.
Coisas do destino nos fizeram arrepiar, pelo simples toque do seu tato.
Um pedido, um beijo, nasce um amor para toda a vida.
Um amor entre eu e você,
Um amor que pra sempre vai sobreviver.
Se para sempre é muito tempo,
Para mim é pouco.
O eternamente se torna minimo
E o nosso amor prevalesse máximo.
Cada beijo,
Cada carinho,
Cada momento especial...
Me fazem pensar que é você!
MEU MUNDO É VOCÊ!

Antigo amor.

  "Hoje eu vou esquecer você de vez!". Repito incessantemente em minha cabeça em uma tentativa falha de me convencer que eu iria conseguir. Infelizmente você acaba com todas as chances e esperanças que tenho ao consegui-lo, quando lhe sinto presente em todo lugar. Presença que sinto pela manhã, quando o primeiro raiar do sol emite o mesmo calor de seus abraços. Presença que sinto à noite quando surgem as estrelas, estrelas estas que carregam o brilho roubado do teu olhar. Ódio tenho de você por me fazer amá-lo mesmo quando não quero. Não posso amar quem não mereça meu amor, apesar de que também me amas, apesar de que já vivemos momentos que nenhum outro amor da vida possa ocupar. Não posso , não devo. Não posso ama-lo. Não devo tentar ver você nele. Os beijos dele nunca serão igual aos seus, nunca! Mas é preciso amar, é preciso querer. Se é preciso escolho a ele, pois você não me merece! Nunca mereceu.

Indireta


Era uma vez um amor...
Dúvida que não se cessou
Amor, então lhe digo que foram as
decisões erradas,
escolhas mal feita,
as mentiras contadas
e as traições...
Malditas!
Malditas sejam todas essas coisas!
Coisas que nos fizeram distanciar,
que nos fizeram perder o sentido do amor.
Indescritível dor que sinto
ao dizer que não mais me pertences.
Era uma vez um amor...
Esse amor era você, 
que me fez reconhecer que não lhe mereço.
Devo arriscar tudo?
Devo pedir perdão?
Apenas me calo e vivo só.
Pensando em quando 
era uma vez um amor,
o nosso amor...
E agora fim. 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

E tragicamente aconteceu... (O fim)

     Passaram-se os meses do intercâmbio e durante esse tempo, Emma e Andrew construíram uma amizade muito forte.
    Assim que chegou o dia de Andrew embarcar de volta para o Brasil, ambos sabiam que enfrentariam uma difícil separação e que provavelmente jamais se veriam de novo. Chegaram no aeroporto faltando pouco tempo para o embarque, tiveram tempo apenas para um longo abraço. Uma lágrima escapou do rosto de Emma, ele logo a secou com o polegar. "Vai ser difícil minha pequena, mas temos que seguir com as nossas vidas." dissera ele. Se abraçaram novamente. "Se você quiser, eu largo tudo. Tudo mesmo. É só pedir" confessou ele, baixinho. Ela ficou desnorteada, não sabia se era verdade o que tinha acabado de ouvir. Perdida em seus pensamentos, ela nem notava que ele aguardava uma resposta. Vendo que não obteria resposta alguma, deu ás costas e dirigiu-se ao portão de embarque.
     Estava prestes a embarcar, quando escutou um grito abafado. Era ela chamando por seu nome. Seu rosto se tornou mais vívido, os olhos se iluminaram, um largo sorriso apareceu. Ainda tinha esperanças de que ela o quisesse de volta. Virou-se para ela, e viu uma menina insegura, perdida, desesperada. Teve um momento de compaixão e olhou para ela, suspirando. 
     Não tiveram tempo para pensar em nada. Não lhes passou pela cabeça que estavam em um lugar público. Eram apenas eles, em um mundo privado. A razão não existia mais. Emma correu, jogou-se contra ele em um abraço. Ele não se importou com o intenso impacto. Sentiu a pele gélida e trêmula dela, e a apertou forte contra o peito. "Fica! Por Favor! Fica! Eu fico aqui também! Mas por favor, não me abandone..." disse ela, desesperada. Ele a afastou, segurou seu rosto entre as mãos e olhou em seus olhos ardentes pelo calor do momento, e respondeu "Claro que sim meu amor". Ele a beijou docemente. Nunca estiveram tão felizes. Aplausos surgiram  em meio a multidão que havia parado para assistir a cena de amor jovial. Saíram, ambos sorridentes, de mãos dadas do aeroporto.
     Viveram um romance puro. Há quem diria que eram almas gêmeas, uma só alma em dois corpos. O amor transparecia e influenciava a todos que estavam em um mesmo ambiente que eles. Todos se tornavam alvos de um sentimento verdadeiro e explícito.
      Construíram uma vida nova, deixando a antiga para trás. Não se arrependiam dessa escolha. Andrew não queria apenas um romance. Quando completaram três anos de namoro, ele preparou uma surpresa para ela. Durante meses ele havia economizado centavo por centavo, e  conseguiu pagar a passagem de toda a sua família e da sua sogra. Uma festa estava sendo minuciosamente preparada para pedir ela em casamento. 
     Ele a levou para o cinema para comemorar o dia, enquanto a festa surpresa estava sendo montada. Era a estreia de um filme de super-heroi, a sessão estava lotada. Pouco tempo antes do filme acabar, deu uma desculpa à ela dizendo que precisava ir ao banheiro, quando na verdade ele queria ligar para sua sogra para saber se já estava tudo preparado. 
     E tragicamente aconteceu. Foi uma cena muito rápida. Ela já estava do lado de fora, com o celular no ouvido. Dentro da sala escura, um rapaz desconhecido se levantou e sacou duas armas. Emma foi a primeira a ser atingida, morrendo ali mesmo, na mesma hora, com um tiro certeiro no coração. No mesmo atentado, onze pessoas também faleceram, e outras cinquenta e nove se feriram. Do outro lado da linha, os convidados da festa escutaram o momento de terror vivido por eles e pelos outros expectadores.
     Andrew também falecera. O inusitado era que o casal faleceu exatamente no mesmo instante, ela com uma bala no coração que sujou todo o seu traje, já ele também estava inundado pelo sangue que havia jorrado, mas em seu coração havia um espaço vazio no mesmo lugar onde havia uma bala alojada no órgão de sua amada. Eram de fato almas gêmeas, disso ninguém duvida mais. Ele não havia sido baleado e morreu na mesma circunstância de seu amor. Que outra razão teria? 


*Esse conto foi baseado no ataque do dia 20 de julho de 2012, em Denver no estado do Colorado (EUA).

("Jéssica Stewart")

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A emboscada

       *Baseado no conto "O mistério do homem de preto" de Luiz  Lanzieri

       Era um dia normal quando fui chamado para desvendar mais um mistério.
 
  Ao chegar na pacata cidadezinha de Palhoças, fui direto à delegacia para conseguir informações sobre o caso.
    Durante semanas entrevistei inúmeros moradores, fiz diversas reconstituições do crime, procurei por pistas na antiga casa dos Smith... Mas não conseguir achar nada. Isso era frustrante.
    Até que um dia recebi um telefonema do prefeito que me chamava para almoçar em sua casa. Como estava atarefado ao extremo, recusei o convite, mas o prefeito não deu-se satisfeito. Inventava desculpas insistentes para visitá-lo. Cansado de negar, acabei aceitando o convite.
     Quem me dera ter pensado mais ao ponto de fazê-lo desistir do convite. O que me esperava em sua casa não era um almoça habitual.
    A cidade, prestes a falir, se encontrava em um país que estava em uma profunda crise econômica. Foram feitos inúmeros cortes em investimentos públicos municipais. Um deles era na alimentação. Para evitar os gastos com a importação da carne bovina e suína, o prefeito havia contratado um açougueiro que era adepto às práticas antropofágicas, e este matava a todos os que ameaçavam a carreira do político. A carne era vendida normalmente e a população, enganada, fazia o seu consumo.
    Sobre a mesa havia um forro, que um dia já fora totalmente branco, e por cima do forro haviam cadáveres. Sim! Cadáveres! Inúmeros braços (já separados dos corpos) se encontravam dentro de travessas, cobertos por um molho de carne e batatas cozidas. Uma visão horrenda e inimaginável, saída diretamente de seus piores pesadelos ou do filme de terror mais assustador.
    Somente quando o açougueiro entrou no aposento portando um machado afiado que me dei conta do fato. Eu não havia sido convidado para o almoço. Eu era o almoço!
    Corri o quanto pude e enfrentei obstáculos, mas consegui sair daquele circo de carnificinas. Na mesma hora me prontifiquei em abandonar aquela cidade o quanto antes, deixando para trás um caso que nunca fora revelado devido aos sumiços inesperados de todos os detetives que foram contratados. 

("Jéssica Stewart")