A inocência e curiosidade de uma criança e sua capacidade de amar incondicionalmente. A realidade de "O menino do pijama listrado", eufemisticamente.
John Boyne usou quase que uma fórmula secreta para escrever o livro. O narrador observador conta toda a história do ponto de vista de Bruno, um garoto de apenas nove anos - o que auxiliou o escritor poupando-o de escrever muitos detalhes - uma vez que, nessa idade, não há tanta percepção de tempo e espaço. Talvez seja por isso que a obra acabou ficando muito mais leve, dentro de todas as histórias terríveis que se lê e ouve falar sobre o período do Holocausto.
A história se passa no Campo de Haja-Vista (coincidência a semelhança sonora com Auschwitz), na Polônia. Bruno é obrigado a se mudar de Berlim devido ao emprego do pai, um comandante do exército nazista, para uma casa solitária próxima ao campo de concentração. Contudo, a vida na nova residência acaba se tornando muito mais monótona e assustadora do que Bruno poderia imaginar.
“Eu quero ir para casa”, disse Bruno. Ele sentia as lágrimas se acumulando nos olhos, e o
que mais queria era que o pai percebesse quão horrível era aquele tal de Haja-Vista e
concordasse que era hora de ir embora.
“Você precisa entender que já está em casa”, disse ele em vez disso, desapontando
Bruno. “E assim será pelo futuro previsível.”
Sem amigos, vê-se obrigado a "explorar o território" em busca de aventuras. Certo dia encontra Shmuel, um menino que vive do outro lado da cerca, que acaba virando seu "novo melhor amigo". Bruno não sabe, mas Shmuel é judeu e está recluso em um dos mais assustadores campos de concentração da Polônia. Não consegue enxergar que adiante estende-se tamanha crueldade e brutalidade do regime nazista.



