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domingo, 27 de julho de 2014

NÃO!



Não grite
Não me entristeça
Por favor, não me vire de ponta cabeça

Não diga “eu te amo” por obrigação
Não me faça, de joelhos, implorar por perdão

Não mexa com minha mente
Insossa, latente
Jamais impeça que eu siga em frente

Não bata
Não mate
Não beba
Não fale

Não me odeie
Não me obrigue
Não me desaponte
Não me cale

A essência não muda
Por mais que se deseja
Ora, que seja

Então grite
Manifeste-se
Xingue
Deixa-me triste

Odeie-me
Amordaça-me
Silencie-me
Mate-me

Trate-me logo como lhe apetecer,
Apenas não me abandone antes do alvorecer.

(“Jéssica Stewart”)

sábado, 26 de julho de 2014

Apoteose de Ícaro - Parte 1

Tudo escuro e eu perdido nas sombras. Tateava paredes ásperas de pedra e perseguia o lodo e as minúsculas briófitas que insistiam em nascer na penumbra. O quarto negro não me era familiar, mesmo que, por ventura, persistia a sensação de que eu já estivera por ali.
O calor sufocava-me e o ar quente seco e seco incineravam meus pulmões abertos e despertos, sequestrando grande parte do oxigênio ao meu redor. Minha testa suava rios de gotas salgadas, e meus cabelos grossos lambidos de suor colavam-se a meu corpo e absorviam com eficiência seu calor.
Todo o meu dorso doía, e uma amnésia que roubara minhas memórias insistia em fazer-me fraco.
Frestas pela parede indicavam-me que o sol brilhava alto sobre o horizonte, e as constelações desarranjadas que elas formavam eram um tênue mapa astral que me divertia nos entremeios das estrelas difusas.
Corri os olhos de pupilas dilatadas, e pela primeira vez em alguns dias de estadia pude distinguir algumas formas geométricas a meu redor, possivelmente um móvel ou a própria porta.
Levantei-me debilmente e lambuzei os dedos em algo na parede de pedras, que me deixavam receoso do que poderia ver. Meus olhos começavam a namorar a escuridão latente, e eu já visava a quase imperceptível linha da porta amadeirada.
Cambaleei, e apesar do treinamento esparciata que recebera, fugiram-me as forças naquele momento. Por isso, tive de retornar à viscosidade que me saltou aos dedos na parede gelada.

Enfim, minutos se passaram junto às fluidas e alvas lembranças, difusas em minha mente, e pude alcançar minha possível salvação, tão perto de mim e tão longe de ser real.
Toquei na madeira áspera e segmentada, indicando que era uma porta de tábuas. Pressionei pregos metálicos que a envolviam rigorosamente, tornando-a tão estável quanto uma barra de ouro fundido. Coloquei-me a postos com certa destreza e apalpei um retângulo gélido, coberto por travas também metálicas. Estas proviam minha prisão, mesmo que nunca saberia eu o porquê de estar recluso ali de forma tão desumana.

Abruptamente, uma portinhola escancarou-se e rompeu com a escuridão que chegava a minha córnea, cegando-me com a luz tremulante das tochas acesas no exterior.
Um bigode escroto e deliberadamente perfeito, salpicado de fios brancos e de memórias alimentares interveio sobre a luz, postando-se entre a porta e a brilhante rajada, sombreando meu rosto cansado e recostando as pupilas por hora até retornarem ao normal.
Quis questionar os motivos reais de minha “estadia” naquele cubículo escuro, mas as poucas rugas do rosto sardento do grego de meia-idade me revelavam o descaso praticado por ele; então de pouco adiantavam reclamações.
A boca dentada abriu-se como um vórtice, sugando minhas palavras ao interior e cuspindo fonemas inicialmente inaudíveis, que foram aos poucos transmutados em frases, batendo em meus ouvidos e gerando uma sinfonia psicodélica.
-... Então, ele deseja vê-lo o mais rápido possível. – Pestanejei por alguns instantes. – Vamos?
Abriu a pesada porta de madeira e puxou-me ao exterior, cuspindo-me da prisão escura e deixando-me constrangido ao perceber minha nudez.
-Vais deixar-me ir assim? – Fiz sinal de reprovação.
O homem fitou-me, e rapidamente me entregou uma toga de algodão, meio suja, mas suficiente para esconder-me as vergonhas. Usei das dobras gregas para fazê-la adaptar-se ao meu corpo. O homem levantou-se de um rasgo na pedra e conduziu-me pelo corredor fino e fundo, de onde não conseguia ver o final.

Fui dirigido por espaços bem iluminados, alternando-se entre celas, e, depois de passar por portas escuras de madeira e salas mais escuras ainda, pude sentir o aroma do mundo exterior.
Outras aberturas na parede de pedra e eu estava fora da construção, dando as costas à prisão e de cara com a ágora principal da cidade movimentada. Ao longo da linha do horizonte, estendia-se o pátio de combates e academia filosófica, ambos cheios de gregos talhando a mente e exercitando o corpo; parcialmente semelhante às minhas atividades em Esparta, onde nos dedicávamos às artes físicas, com treinamentos especiais às zonas abdominais e aos outros músculos funcionais, afinal, éramos preparados constantemente para a guerra.
Apalpei minha barriga cansada de se exercitar e percorri os gomos se separavam as coxas do peitoral másculo, tentando deglutir o que fazia um espartano musculoso no templo da democracia pomposa de Atenas.

Pelas ruas de terra da polis, pessoas envoltas em togas de algodão encaravam-me como um apátrida, ou até mesmo um escravo de guerra, mas jurava por Ares, o deus da guerra, que nunca estivera antes em local tão estranho. Jamais vira a suntuosa acrópole no topo do monte, circundado por um panteão e pelo resto da cidade que por ventura respirava intelectualidade, algo que sinceramente por meu pai já bastava.
Um soldado forte e bem defendido por uma armadura de combate-Obviamente inferior à espartana e pesada, comprovada da postura curvada do homem- postou-se a meu lado, acompanhado de outro de porte físico bom, porém condenável para os padrões esparciatas, ajudou a conduzir-me para o outro lado da cidade.
Juntos, os dois serviam de escolta para um espartano, eu. Cidadão ativo e que injustamente fora levado por thetas que insistiam em se alistar ao capenga exército desenvolvido por fora da polis da guerra. Pobres atenienses.

Uma construção jônica, tombada cerca de dois graus à esquerda, foi me aparecendo à frente, vinte metros adiante, e reparei nas colunas marmóreas ao nível da rua. Pelas características arquitetônicas, poderia deduzir que se tratava do tribunal da “politika” ateniense, para o qual se julgavam deserções contra o próprio Clístenes, de onde hão de aplicar um código tão apetecido de crueldade que um prisioneiro comum talvez nunca saísse da prisão sobre as circunstâncias em que entrara.
Foi assim com meu pai, Dédalo. Ah! Aquele arquiteto dos deuses, enfurnado em suas pesquisas, que ficou encabeçado em um projeto ordenado pelo rei Minos, e que lhe empertigou de tal forma que fora taxado louco pelos atenienses eupátridas. A solução nem um pouco atraente foi colocá-lo naquele labirinto maldito, à mercê do próprio Minotauro, e de onde nunca mais saiu.
Agora, cá estava eu, molhado de suor e desperdiçando meu corpo definido para saciar gregos de nariz em pé e que zombavam incessantemente de minha masculinidade aflorada perante os cérebros torneados dentro daqueles corpos gordos definhados pelas ruas de pedras.
Abriu-se caminho por entre um grupo de garotas eufóricas com minha aparência, e fui conduzido ao interior do salão principal, com os pés sujos de areia e quentes, mudando abruptamente para um chão de pedra fria e lisa.
O homem que iria me julgar estendia-se por uma cadeira rígida e imponente, e um conselho de anciãos postou-se a seu lado para proceder com meu julgamento. (Apesar de eu nem ao menos saber como estava naquela situação).
Joguei o corpo ao lado e escorei-me em uma coluna fina, provavelmente onde amarravam os prisioneiros para julgá-los. Nada fizeram, entretanto, acerca de minhas mãos soltas. Em virtude disso, recostei-as no ar e esperei aqueles hipócritas decidirem meu futuro.

Após o julgamento, que curiosamente não fora proferido uma sentença audível, pegaram-me pelo pescoço e levaram-me ao centro da ágora, onde em praça pública, despiram-me e humilharam-me de todas as formas possíveis, onde dezenas de pessoas animadas reuniram-se para ver mais uma daquelas punições.
Cortaram meus lindos e grossos cabelos, deixando-me aparado como uma árvore após a poda. Rasparam a penugem da escassa barba em meu rosto, que insistia em nascer mesmo quando a retirava. Abriram sulcos, sem dó, onde deveria estar um maxilar curvilíneo, elegante. Retiraram-me a toga com violência, rasgando o algodão macio, deixando-me às ventas com o corpo nu para ser flagelado.
Neste ponto, olhei para duas garotas que cochichavam, aflitas, na multidão, e sorri maliciosamente, pois sabia que estavam gostando do que viam.
Todavia, fui surpreendido pelos mesmos que trouxeram-me até ali, e retiraram-me com tamanha truculência, proferindo palavras em um dialeto incompreensível, consumindo-se de prazer por açoitar-me com perversidade.

Jogaram-me num fosso escuro e fundo, que me traria uma dolorosa queda até um solo barrento e gelado, bastante mal iluminado. Eu sabia, por interpretar a condenação mal e porcamente, que poderia ter sido largado no labirinto que meu próprio pai construíra. O mesmo homem que agora jazia prostrado em um canto, tendo que conviver com o temor constante de ser assolado por uma das pragas do labirinto, ou até mesmo ser atacado pelo próprio bovino desesperador, o Minotauro.


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Caso 127



     Andando pelas ruas deparei com uma situação interessante: uma jovem menina de 12 anos, aproximadamente, chorava desesperadamente em frente a um prédio. Prontamente fui ajuda-la.
     - O que foi? O que aconteceu?
     - Fui roubada! – respondeu ela em meio às lágrimas.
     - Roubada? O que levaram?
     - Meu coração! – E caiu no chão em desespero.
     Assustada, entendi logo do que se tratava.
     - Querida, qual é o seu nome? – Perguntei calmamente a fim de tranquiliza-la.
     - Ale... Alessandra – Disse entre soluços.
     - Vamos. Conte-me o que aconteceu querida.
     Levei-a para uma lanchonete próxima e comprei um pote sorvete para que ela acalmasse.
     Agradecida começou a falar:
     - Eu estava na festa da Maya e...
     - Maya? Quem é ela? – interrompi
     - Minha melhor amiga. – disse ela sem entusiasmo.
    - Ah. Quantos anos ela tem?
    - Não sei, mas acho que está terminando a faculdade.
   Estava alarmada. Procurei obter a maior quantidade de informações possíveis e sutilmente liguei meu gravador de voz.
     - Continue meu bem. – Encorajei com um sorriso.
     - E lá estava o Luiz, mas eu não entendi porque as pessoas chamavam ele de Fernando também...
     - E ele era da idade da Maya? – indaguei.
     - Sim, eu acho – respondeu confusa.
     - Conte-me mais, por favor.
     A menina se endireitou na cadeira, como se refletisse no que deveria contar ou omitir. Tive um pressentimento ruim, sabia que essa história não teria um final bom.
     - Ele é lindo. Um príncipe. Disse que me amava e que quando as pessoas se tornam mais velhas, Deus dá a elas o poder da visão. Ele disse que éramos almas gêmeas e que estávamos destinados a ficar juntos para sempre... – Rapidamente, a expressão do rosto dela alterou. Estava omitindo uma parte crucial. – Ele disse que eu era linda... que se casaria comigo, que morava aqui – apontou para o prédio – mas acho que eu sou burra demais... Deus me castigou.
     - Castigou? Ele fez alguma coisa com você, Alê? Posso te chamar assim?
     - Pode – hesitou – Ele me levou para um quarto para continuar a história e disse que teríamos que fazer um ritual para sermos abençoados por Deus... E foi aí onde eu fiz algo de errado – começou a chorar novamente.
     - Ritual?
     - É. Hm – ponderou – Ele me chamava de anjo enquanto beijava meu corpo todo. Tirou minhas roupas e...
     Levei-a para meu posto de trabalho, desesperada. A menina, confusa, não entendeu de início, mas eu já conhecia o procedimento. Era a terceira jovem que sofreu abuso em dois dias.

("Jéssica Stewart")

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O palhaço

Em uma cidade qualquer, de um país menos importante ainda, vivia Gumercindo. Como qualquer criança tímida de dez anos, possuía poucos amigos e vivia como uma sombra na vida de todos.
Um dia eis que surge Clarinha, uma linda menina que tinha acabado de se transferir para sua escola. Simpática, passava todo o seu tempo com ele, ignorando todos os outros alunos que estavam eufóricos para receber sua atenção. O pequeno Gumercindo se sentia aquecido com aquela luz que irradiava dela, e de repente já não se sentia mais uma sombra.
Com o passar do tempo, acabou descobrindo muitas coisas sobre a menina: Era nascida e criada em um circo, filha de um ex-mágico e de sua assistente, que mais tarde decidiram abandonar a vida de espetáculos para poder dar à ela o direito de ter uma vida normal. Mas não era isso que Clarinha realmente queria. Desejava voltar para sua vida conturbada, viver onde quisesse, livre; quiçá poder participar do elenco, ser uma linda bailarina que graciosamente atravessar o perigo incalculável de uma corda bamba.

O garoto se sentia cada vez mais atraído por ela e sem perceber, já estava apaixonado em plenos quinze anos.


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Dama da noite

Algo naquele beco chamou-me a atenção. O calor que inundava a entrada era extraordinário, como se algo queimasse lá dentro. Logo, uma chama dourada captou minha silhueta, deixando ainda mais nítidas as sombras na parede, que dançavam um ritual satânico, desprendendo tamanha emoção.
            Um vulto enegrecido se desprendeu da parede e vinha em minha direção com longas garras. Soltei um grito de terror, e meu coração quase parou quando me tocou nos ombros e disse-me rasgando o silêncio:
            -Até que enfim eu lhe achei! Pensei que não o veria nunca mais. – As unhas vermelhas rasgaram minha dignidade com um toque quente e desesperador, que me trouxe na hora lembranças de um passado já esquecido. Não queria ter um daqueles loucos flashbacks, mas era inevitável. Ela tomou meus lábios em um beijo amargo e temeroso, faltando-me o ar. Era como se minha alma fosse sugada da carne pela boca, com certa ferocidade e rancor diabólico.
            Queria fazer com que ela parasse, mas já não era dono de minhas próprias vontades. Eu pertencia à ela.
            -Não vai querer mais? – Questionou-me quando me afastei metade envergonhado e metade eufórico. Queria mais, sempre mais.
            Ela começou a me conduzir à parede. Estava enfeitiçado pela loucura da paixão, com ela me pressionando fortemente, dizendo em meus ouvidos palavras sussurradas.
            -Venha, meu bem. Eu sei o que você quer. Sei também o que você precisa.
            Estava preso em seus olhos dourados. A parede cada vez mais perto e ela continuava a me puxar pela mão.
            -Pare com isso! – Tentei gritar, desesperado e afobado. Corri meus olhos pela rua atrás de mim, completamente vazia. – O que você quer de mim? – Perguntei, olhando em seus olhos e vendo sua alma por dentro, linda e cativante.
            -Você sabe o que eu quero meu bem. – Sussurrou ela em meus ouvidos. Deixei-me envolver. Ela pressionou-me contra a parede e deu um beijo quente com os lábios carnudos em meu pescoço. Começaram-se a eriçar os pelos de minha nuca enquanto ela passava as unhas provocantemente vermelhas em meu abdômen definido.
            Já não queria mais ir embora, e entreguei-me totalmente a ela. Girei-a, trocando de lugar, e ela ficou de costas para a parede de tijolos, gemendo.
            Mas, assim como ela surgiu em um ressalto, começou a dissolver-se em seu próprio prazer, que havia comungado com o meu, coisa que não podia
            -Não! – Gritei em desespero.
            Ela já não estava mais lá. Ouvi no silêncio da escuridão uma risada leve e satisfeita. Ela havia conseguido o que queria. Agora, EU a desejava.
            -O que faço para vê-la novamente? – Questionei, contando as palavras.
            -Nada. – Fui respondido com frieza, por fonemas obscuros que vieram diretamente do nada.
            E sumiu no breu daquele beco, deixando-me somente com a lembrança de seu perfume suave e de suar artimanhas para seduzir-me. Algo me fazia ter certeza de que ela voltaria, e que não tardaria a reaparecer. Ademais, meus sentidos à flor da pele despertavam instintos carnais que me faziam suspirar de desejo, como se uma aura secular pairasse sobre mim e continuasse a me provocar. Meu desejo era vê-la em minha cama quando chegasse em casa para poder apoderar-me daquele corpo.
            -Boa noite, meu bem! – A voz voltou por trás de minha nuca, e um aroma achocolatado invadiu minhas vias nasais.
            -Te espero em meu apartamento. – Disse baixinho, com tom malicioso no rosto, esperando que meu pedido fosse atendido.
            Esperei a voz do silêncio se expressar, com aquele toque felpudo em meu tímpano que o fazia vibrar de emoção, rompendo a tensão de minha escápula e derretendo meu coração.
            -Não posso sair desse beco. – Ela disse, encostando seu indicador em minha boca seca e ansiosa por algo mais. – Sou filha das sombras, e não posso abandoná-las. Queria muito poder provar mais disso aí. – Apontou para mim. Corei com as bochechas, que ardiam vermelhas como fogo.
            -Deixe-me então ficar com você. – Supliquei, desesperado.
            -Você sabe que é um caminho sem voltas, certo?
            -Não me importo. – Seus olhos se iluminaram no meio da escuridão, como dois faróis altos.
            -Chegue mais perto. – Ela ordenou de forma baixa e lenta, como um ronrono.
            -Sou todo seu. – Respondi, avançando em sua direção. Ela envolveu-me com suas garras até alcançar meus glúteos, com suas mãos delicadas se encaixando perfeitamente, e me puxando para si, sugando-me com a escuridão, que tomou conta de mim. Tudo mais ficou escuro, mas ainda podia sentir aquele perfume.
        
                                                                      ("Brianna Morgan, André Luiz e Jéssica Stewart")
                                                               





quinta-feira, 26 de junho de 2014

It's coming!

ATENÇÃO! Conhece este símbolo? NÃO? ENTÃO PREPARE-SE QUE ALGO NOVO ESTÁ EM CONSTRUÇÃO. ALGO QUE INTERFERE NO MUNDO E INTERFERE NAS HISTÓRIAS E NOS SONHOS. ALGO QUE SURPREENDERÁ ATÉ MESMO JÉSSICA STEWART. ESPERE E CONFIRA NO MINÚSCULAS MANIVELAS.