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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Dois pedaços de um coração despedaçado

Eram apenas dois meios-corações incompreendidos. 

Ela era uma jovem poetiza . Ele, um músico em ascensão. Ambos viam o mundo com todas as suas tonalidades exuberantes diariamente ignoradas pelas pessoas cujo coração já não mais pulsava vida; pareciam compartilhar a mesma paleta de cores.

Quando, de repente, o mundo se vestia de tons sépios, ela colocava os fones de ouvido para se esconder, ele usava seu violão para pintar tudo o que estivesse vulnerável ao som dos seus acordes. Ela tinha medo das próprias limitações e dos erros que cometia, por isso criou um mundo para se refugiar; ele, cansado de tanto cair, aprendeu a lutar contra o que o subjulgava. E assim sobreviviam. 

domingo, 23 de agosto de 2015

Resenha - À Espera de um Milagre

Corredor da Morte de Stephen King

Título original: The Green Mile
Versão brasileira: À espera de um milagre (conhecido também como O corredor da morte)
Gênero: Literatura Americana - Romance
Autor: Stephen King, 1996

Para ler esse livro, você precisa ter duas coisas em mente:
1º - Esse não é o típico terror de King que você estava esperando (ao menos que já tenha assistido ao filme, o que acaba com a graça de ler uma boa história).
2º - Essa obra, caro leitor, não é um livro. 
Quando comecei a lê-lo, deparei-me com um grande apreciador da obras de King. No meio da conversa, expôs a seguinte opinião "É bom, apesar de ser meio água com açucar";  e isso atiçou minha curiosidade, afinal, sempre o referiram como um grande escritor de suspense e terror. Dito e feito. Se você espera aquele terror clássico de King, não o aconselho ler essa obra. Há um pouco de horror em algumas execuções na Velha Fagulha (nome dado carinhosamente à cadeira elétrica do Bloco E em uma penitenciária em Could Mountain) e um pouco de misticismo, característica marcante do autor. 
A história não segue uma sequência cronológica, assim, há momentos em que  se passa no Corredor da Morte, e em outro no asilo Georgia Pines, ambos narrados por Paul Edgecombe, superintendente do bloco responsavél pelas execuções. De todos os quatro prisioneiros apresentados, apenas um, que é louco o  suficiente para se denominar Billy The Kid, possui um psicológico instigante - talvez, se a narrativa fosse presa à ele, teríamos mais momentos de horror -.  O foco é o último detento a caminhar pelo Corredor, John Coffey, um negro condenado no sul extremamente racista dos Estados Unidos, cuja história leva Paul e seus colegas de trabalho a uma busca pela verdade por trás de sua condenação. Seria John, com seu tamanho tão grande quanto seu medo do escuro, o responsável por estuprar e assassinar duas menininhas?
A narrativa busca um lado mais psicológico e intimista dos personagens. É muito fácil se ver envolvido com seus dramas e sentimentos - não duvido que alguns possam chorar em certas partes -, no entanto, talvez pelo fato do narrador já possuir uma idade avançada, no final do livro, ao fechar as histórias dos personagens, preocupa-se mais com a questão visual de cenas trágicas do que com as sensações - isso quando não dá na cabeça do autor simplesmente colocar a causa da morte e a data - . 
É interessante o caráter metalinguístico da obra; no asilo, deixa-se bem claro que Paul está escrevendo a história do Corredor da Morte. King é transferido para o personagem que faz análises, pensamentos e complementa a história de maneira informal. Há um choque de gerações, um encontro entre Pauls.
Sugiro que comece a ler a partir da Introdução e siga para o Prefácio, pois essas partes são cruciais para o seu entendimento, assim, compreenderá o que eu disse no início: Essa obra não é um livro porque simplesmente não foi feita neste formato. Inspirado nos romances de Charles Dickens, King escreveu a história em seis partes diferentes que eram lançadas semanalmente (José de Alencar e Machado de Assis já fizeram muito  disso por aqui com o nome de Folhetim), dessa forma, no início de cada parte tem-se a recapitulação do que aconteceu na outra - o que pode parecer uma edição mal feita para os desavisados e causar estranhamento para os que vão ler de forma compilada -. No Posfácio há uma outra avaliação da obra em que o autor reconhece diversos anacronismos e falhas e as justifica pelo pouco tempo que teve de escrever e corrigir, uma vez que esse formato condiciona os envolvidos em uma corrida contra o tempo. Desculpas aceitas, Stephen! 
Como o próprio autor afirmou, é uma boa história para ler a noite, sozinho ou acompanhado, por ser bem leve e fluir com facilidade. Não desanime por não ser o clássico terror, se até o King experimentou um novo estilo, você também pode. Vale a pena correr o risco.

"Cada um de nós tem compromisso com a morte, não há exceções, sei disso, mas às vezes, oh meu Deus, o Corredor da Morte é muito comprido."



sábado, 22 de agosto de 2015

Lançamento - O vampiro imperador - Leonardo Barros

Olá, caros leitores! Nosso autor parceiro, ao qual já resenhamos aqui no blog(veja em Presságio, o Assassinato da freira nua) está com um novo lançamento. É uma ótima oportunidade para conhecer o trabalho de Leonardo Barros e sua incrível capacidade de prender o leitor da primeira à última página.
O médico e escritor Leonardo Barros anunciou o seu sexto romance, que teve seu lançamento oficial previsto para 04 de agosto. Livraria Saraiva já está divulgando o livro no site. Clique no link ( http://www.saraiva.com.br/o-vampiro-imperador-8950180.html )! 


Confira a sinopse: 

Drucila é uma linda jovem romana, casada com o médico do imperador Nero. Diante da ausência do filho, ela entrega-se a um culto proibido de fertilidade, ato que inicia sua ruína e tem relação com sua transformação em vampira. Ciente de seu poder, ela resolve dominar Roma e não mede esforços para consegui-lo. As intenções de Drucila só poderiam ser ameaçadas por Dotan, um ser imortal como ela. Em noites de lua cheia, esse general de confiança de Nero prende a si mesmo a fim de evitar que o lobisomem, criatura que se tornou há milhares de anos, domine-o. No entanto, quando Dotan se vê diante de uma Roma guiada por energias maléficas, ele engendra sua força para tentar salvar o povo da perseguição e da tirania. O derramamento de sangue se torna um pesadelo constante. A cidade caminha, a passos rápidos, para um longo período de escuridão. Traições, jogos de poder e lutas épicas enredam essa engenhosa aventura que põe em conflito a busca pelo bem e o desejo, às vezes incontrolável, pelo poder e pela luxúria.” 

O Vampiro Imperador é um suspense fantástico ambientado na Roma do ano 65 d.C. O romance tem 400 páginas e combina a narrativa thriller que consagrou o autor com personagens fantásticos como vampiros e lobisomens. Seu público alvo é o adulto jovem, leitores que apreciam suspense, terror e romances históricos com muita ação. O texto é muito visual, e o leitor é capaz de conceber os acontecimentos como cenas de filmes e games do gênero. O cuidado com a trama é um diferencial do autor que se emprenha em surpreender os leitores mais exigentes. 

Leonardo Barros sempre gostou de livros e filmes de suspense e terror. Confessa que respeita quem gosta, mas que não simpatiza muito com a versão romântica que alguns escritores têm criado para vampiros e lobisomens. O Vampiro Imperador resgata o bebedor de sangue tradicional, amaldiçoado, ambicioso e sanguinário, mas acrescenta um elemento novo ao criar seu próprio universo fantástico. A primeira vampira de uma casta bebe o sangue do Diabo, representado na história pela figura de Plutão, o deus do Tártaro (uma espécie de inferno romano), e os lobisomens foram criados por Deus, com o intuito de destruir os bebedores de sangue.  

O autor descreve seu processo criativo como uma combinação de planejamento, inspiração e disciplina. “Não conseguiria escrever de outra forma: aproveito os momentos de grande inspiração e me tranco para criar os resumos do livro e de seus personagens. Nos dias seguintes, estudo o que escrevi e acrescento novos detalhes, mudo um cenário, uma característica de um personagem ou acrescento um novo final. O resto do processo se resume à disciplina. Sentar, escrever, revisar, editar... 

Leonardo é escritor contratado do Grupo Novo Século e lança o novo título pelo selo principal da editora. É autor de livros de suspense como o celebrado Presságio – O assassinato da Freira Nua (um sucesso da crítica na blogosfera) e O Maníaco do Circo (que recorrentemente figura entre os e-books mais vendidos do gênero na Amazon).

Corra lá e compre seu livro de Leonardo Barros!

domingo, 2 de agosto de 2015

Crônica - La solitudine

Estava na fila do banco. As mãos abarrotadas de contas a ser pagas; a bolsa seguramente presa nos braços; a mente vagueando em algum universo paralelo, longínquo daquela realidade monótona.
     Tirando-a dos devaneios, aparece um antigo conhecido: "Ola! Como vai?", pergunta à ela.
      Começou a pensar na solidão que vinha sentindo. Convivia com muitos, sorria, conversava, mas nunca se completava. Pensou no quanto sentia falta de abraços amigos, de rir até passar mal, ver aquele filme gostoso... Recordou-se das noites frias em que um cobertor não servia para esquentar seu coração, principalmente daquela em que o peso do mundo a estava sufocando tanto que sucumbiu a ideia do suicídio; odiava seus pais por tê-la salvo.
     Contudo, em momento algum ponderou sobre o que faria a seguir. Ninguém precisava saber; Para quê incomodar inocentes com seus dramas? Não se preocupariam de qualquer forma.
     Encobriu tudo com maestria, digna de um oscar. Apertou os olhos e abriu a boca em um sorriso largo: "Bem", respondeu.
Jéssica Stewart

Resenha - O pântano das Borboletas (Federico Axat)

“Quando chegamos ao pântano das borboletas, descobrimos o que eu havia previsto: ele estava completamente inundado por causa das chuvas recentes. Poucas vezes o tínhamos visto naquele estado. Apenas umas poucas ilhas afloravam , como lombos de hipopótamos meio submersos; a cascata brotava da crista do penhasco em todo o seu esplendor. As samambaias, muitas das quais davam a impressão de flutuar, brilhavam com um verde que chegava a parecer artificial. E, é claro, lá estavam as borboletas, dezenas delas, esvoaçando em torno dos raios de sol que se filtravam de alto a baixo. Eu nunca tinha visto tantas. A maioria delas eram monarcas, mas também havia outras espécies. Ficamos ali sem poder acreditar em nossos olhos.”

O jovem escritor argentino Federico Axat consegue, em poucas páginas, transportar-nos diretamente para a infância; uma mescla de nostalgia e bucolismo que faz com que sintamos as aflições do florescer da idade junto a Sam Jackson, o protagonista e narrador da história, e seu dueto emocionante de amigos, Miranda Matheson e Billy Pompeo.


Um trio carismático, certamente.
Em uma efusão de sentimentos pela qual nos aventuramos na história, Axat aos poucos revela os mistérios que rondam Carnival Falls e todo um contexto da morte da mãe de Sam; um acidente misterioso e mal resolvido. Assim, Sam tem de conviver com a perda da mãe ainda pequeno e a saudade carregada nas recordações, principalmente em uma correntinha que guarda com afinco desde os tempos do acidente.
A trama é bela e tênue quando trata das relações sociais, principalmente na questão da mudança brusca de infância para adolescência, que o trio de protagonistas vivencia ao longo do livro. Axat traz ao mesmo tempo a dúvida e a incerteza da fase da puberdade mesclada suavemente com a aventura e a curiosidade da infância; não deixando de ressaltar os sentimentos que permeiam a vida neste período.
Assim, Sam, Billy e Miranda tornam-se personagens admirados pelos leitores. Cada qual com sua característica mais marcante foi construído pensando em nosso coração leitor. Tomamos apego por alguns. Ódio por outros. Emocionamo-nos à flor da pele.
Claro que o suspense fica para o final. O mistério sobre a morte da mãe de Sam é desvendado, bem como sua relação com uma série de eventos que permeiam a vida das crianças. No meio disto, encontram tempo para se aproximar mais, nutrir aos vários pontos durante o decorrer da história que, juntos, compõem toda essa solução e, antes de tudo, faz com que o leitor termine o livro tão perplexo com uma revelação bombástica ao final que se torna indecisa a reação: Não sei se senti ódio ou contemplação. Apenas agradeço ao autor pela bela obra. 


Dados da obra (Skoob)

ISBN-13: 9788584190140
ISBN-10: 8584190147
Ano: 2014 / Páginas: 416
Idioma: português
Editora: Tordesilhas

Nota:4,5/5
                                                                               resenha por André Luiz 

quinta-feira, 12 de março de 2015

CONTO - Estrelas mortas



Tudo começou tão rápido... Quando viu, já estava cara-a-cara com aquele céu crepuscular, aguardando ansiosamente pela chegada da noite estrelada. Fitava o infinito, encantado com todos aqueles pontinhos espalhados pelo manto negro como lantejoulas em um vestido de festa. Enquanto ele encarava o céu, percebia que este o encarava de volta, imponente e desafiador.         

quinta-feira, 5 de março de 2015

Poema - Por você




É um sacrifício estar contigo.

Não por te odiar,

não por não te amar.

Sufoco-me, de tanto sentir.

Sinto, por tanto querer.

Quero, por tanto te ver.

Ver-te assim, sorrindo, me dói.

Dói a alma,

o peito,

onde bate esse coração

cansado de tanto sofrer,

cansado de tanto chamar por você,

E você?

Onde estava?

Por que recusa em responder?

Tenho medo de mim,

Tenho medo do fim.

Assim, quase não consigo suportar,

quase não consigo mais amar,

quase não consigo mais crescer,

em mente

busco outro sentido,

outras escolha,

outra sina,

o meu destino.

Mas você continua aí.

Parece até que espera por mim.

O que quer afinal?

Não pulo de cabeça em meros desafios,

que começam logo perdidos.

Sei quando vou perder.

E na madrugada minha mente martela,

o seu nome,

o seu perfume,

o seu toque...

Não aguento mais

te ver,

te querer,

sofrer

por você.






("Jéssica Stewart")

CONTO - Le mademoiselle



     

O sol transbordava toda a sua fúria presenteando os transeuntes com um calor escaldante de meio dia, todavia não era o suficiente para aquecer o coração da jovem.

Sua pele alva, quase translúcida, parecia refletir os raios do astro rei; os cabelos ruivos estavam soltos, claramente uma tentativa falha de esconder sua beleza angelical. Tal esforço não era lá necessário, uma vez que a tão outrora cortejada via-se passando despercebida em todos os lugares. Eram tempos difíceis, se comparados àquela outra era. Já fora rainha, princesa, duquesa, guerrilheira, plebéia… Agora, mesmo com aquele charme natural que fazia os homens caírem aos seus pés, não passava de uma reles pária.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Resenha - A seleção (Kiera Cass)

Para quem vê a capa de “A seleção”, livro de Kiera Cass, inicialmente bate um desânimo. Não estou reclamando da imagem em si, mas da mensagem que ela PARECE transmitir, de que tudo não se passa de uma historinha adolescente besta que se passa em um palácio.
DEFINITIVAMENTE não é.

America Singer é uma adolescente envolta em uma sociedade conflituosa e dividida em castas. Ela é uma Cinco, o que significa que tem de conviver diariamente com o trabalho e a vida sofrida do equivalente a uma classe média baixa. A casta Cinco é onde os artistas se encaixam, e a família dela é tradicionalmente formada por músicos.
A música é uma paixão que America nutre desde pequena, mas, nos últimos anos, algo mais desperta amor em sem seu jovem coração. Este algo tem nome, Aspen, um jovem galante da casta Seis. Sendo um Seis, é renegado a um reles serviçal, que é inserido bem cedo na família Singer quando seus pais são requisitados para limpeza.
Assim, Kiera desenvolve uma relação conturbada entre dois jovens de castas diferentes usando um pano de fundo político interessantíssimo, ao mesmo tempo uma distopia (visto que há uma volta do sistema de castas em plenos Estados Unidos, agora um país totalmente diferente chamado Iléa) e também um realismo crítico, em que as diferenças sociais claramente capitalistas são exageradas pela autora.
Contudo, o casal America e Aspen é surpreendido quando a carta da seleção chega na casa dos Singer, indicando que a menina está apta para participar do concurso. Obviamente, seus pais e irmã ficam radiantes com a notícia. É a tão esperada chance de subirem de casta junto com America, tornarem-se Três, e abandonarem a quase miséria que os acompanha.
Já America não vê muitas esperanças em sua participação. Insiste em não reconhecer seu real potencial, e acaba desmotivada com o concurso; principalmente porque ainda sonha com uma vida ao lado de Aspen. Mas é exatamente ele quem é seu maior fã, tentando de tudo para fazê-la se inscrever para a Seleção.
America acaba sedendo e, no outro dia, está no departamento para entregar sua convocação preenchida. Junto, nutre o sonho de dar uma vida melhor para a família por quanto tempo for necessário, depois, voltar para os braços de Aspen e constituírem um lar.
Este sonho desmorona quando a jovem é selecionada e pouco tempo depois está cara-a-cara com o monarca mais assediado dos últimos tempos, o famoso Maxon Schreave, príncipe de Iléa, a razão para toda aquela ideia de concurso. America descobre que ele talvez possa não ser o rabugento e esnobe homem que ela imaginara, e que seu coração ficaria saltitando dentro do peito na indecisão de ter de escolher se continua no concurso e garante mais um tempo de cheques volumosos da família real para sua família ou volta para o simples jovem Aspen pela qual é apaixonada e retoma sua humilde vida nos subúrbios de Carolina.
Como já disse, em princípio a trama parece bem adolescente, variando entre obstáculos para um amor impossível, com uma relação amorosa clichê e uma pitada de distopia; mas as pinceladas de ação feitas por Kiera parecem mais verdadeiros traços impressionistas, inovando no quesito apresentação dos fatos.
O foco, obviamente, é na mente de America e de como o ambiente em seu redor é capaz de modificar seus pensamentos. No entanto, o contexto muda-se a todo o momento, e subitamente a calmaria e requinte do castelo de Iléa é tomada pela rebeldia de invasores perigosos que ameaçam as vidas das trinta e cinco selecionadas e de toda a família real.

Diante disso, uma história eletrizante que passeia por uma distopia conquistadora e um amor cativante que nos leva a suspirar compõem o enredo de “A seleção”, certamente uma bela obra de Kiera Cass e que merece os aplausos da crítica internacional pelo conteúdo que apresenta.

Dados da obra (Skoob)

Nome: A seleção

Autor(a): Kiera Cass
              ISBN: 9788565765251
              Ano: 2012 / Páginas: 368
              Idioma: português
             Editora: Seguinte



Nota:3,5/5





autora, Kiera Cass



 resenha por André Luiz 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

CONTO - Atrás, na névoa

-1-
BREVE HISTÓRIA

O jovem entrou no consultório do hipnólogo na intenção de curar-se de feridas do passado. Cicatrizes imensas na alma e na pele, que roubaram seu sossego e suas memórias, como se uma borracha tivesse sido passada nas linhas de sua vida, tênues como uma névoa nas montanhas pela manhã. Às vezes, essa névoa o atrapalhava muito. Não aquela fumaça holística que pairava nas manhãs de inverno pelas montanhas da serra mineira, mas uma espessa e abundante névoa que ocultava suas memórias do passado. A intenção da consulta com o graduado hipnotista era jogar tudo no ventilador, soprar para bem longe a fumaça e ver o que foi guardado debaixo do pano da memória por anos de esquecimento.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Resenha - PRESSÁGIO, O assassinato da freira nua (Leonardo Barros)

Se você está em busca de um romance policial ágil, esperto, envolvedor e ainda por cima com uma pitadinha de erotismo, certamente está no lugar certo. Com vocês, “Presságio - O assassinato da freira nua”!
Sem querer puxar saco do autor, (mas já o fazendo) tenho que admitir que fiquei vidrado nesta belíssima obra de Leonardo Barros. Sua impecável descrição dos fatos, aliada à linguagem fácil e ao mesmo tempo riquíssima, além de personagens bem construídos e de um roteiro sensacional deixam o livro com ar de obra-prima; certamente uma.
Alice é a protagonista do livro. Uma garota normal, com um corpo bonito, uma mente confusa e rodeada de amigos. Até aí, tudo bem, mas ela possui uma característica um pouco — digamos — excêntrica, e que a difere das outras jovens de sua idade. Carrega consigo um longo histórico de visitas psiquiátricas, certa de que é clarividente. Assim, ela é obrigada a conviver com maluquices de sua mente, verdadeiros agouros de morte, que a acometem como uma praga. Neste ponto, as visões deixaram meus cabelos em pé, ansiosíssimo por saber qual final Alice arranjaria para sua vida.
Em contrapartida com essa divagação esquizofrênica da jovem, um serial killer está a solta, em busca de freiras. A primeira vítima é uma professorinha da escola da cidade, a senhorita Irmã Bianca, que, (coitada) foi abusada violentamente e posteriormente estrangulada, ali mesmo em seu local de trabalho.
Agora, todos estão imersos na investigação do assassinato da freira nua. O delegado Matias e seu ajudante Felipe, além da própria Alice, que começa a desconfiar da realidade apresentada, “se via flutuando sobre nuvens de algodão. Ela poderia jurar que enxergou o momento exato em que as notas musicais dilaceraram as nuvens imaginárias para que(...) caísse delas. E, a cada batida da percurssão, ela percebia as paredes mudando de cor.”
“O clarão. Um corredor iluminado.
O número sessenta e nove estampado numa porta branca que se abriu para que ela visse a repetição de tudo o que acabara de vivenciar.(...)Só que desta vez, Alice não se via mais sobre a pele de Vívian — uma amiga. Apenas observava tudo como uma espectadora invisível. Agora, Alice ouvia o mórbido estridor de resquícios de ar trespassando a glote de Vívian. Os olhos saltados em surpresa. Os músculos relaxando...”




Desta forma, Leonardo nos conduz rapidamente, em um thriller policial de deixar-nos de queixo caído. Confesso que me encontrei na literatura ágil e eficaz de Barros, de forma que a leitura fluiu como nunca antes. Devorei o livro em poucas horas. Senti que a todo momento era bombardeado com novas surpresas e fofocas dentro da trama; quando fui perceber, já estava sofrendo junto com Alice. Por que não me ouvem? Não sou louca!        Ah, e que final maravilhoso! Do jeito que eu queria, mas não do que eu esperava. O autor soube manter o suspense bem guardado, e revela-lo apenas nas últimas páginas. Aliás, há uma “bomba” nos esperando no último capítulo, e vejo que algo mais está por vir....Decerto que é uma excelente leitura para todos os públicos. Principalmente os amantes da literatura policial. Recomendadíssimo! 
“Ouviu a voz baixinha que dizia:-Está morta! A Freira Nua está morta!”


                      Corre lá e comece a lê-lo agora mesmo!


Desde já, quero agradecer ao autor Leonardo Barros pela oportunidade brilhante que ele me proporcionou ao ler seu emocionante trabalho. Obrigado, e que venham muitas outras parcerias!



André Luiz

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Resenha - Horizonte Perdido (James Hilton)

Abri as páginas empoeiradas do livro de 1970 com cuidado, esperando por uma literatura ultrapassada e extraordinariamente entediante. Surpreendi-me com a destreza de James Hilton.
Conway, Mallisson, Barnard e Ms. Brinklow viajam de avião em meio a uma guerra famosa do século XX. O que não esperavam era que sua viajem já começara predestinada a se extinguir antes que pudessem admirar a linha do horizonte se perdendo sobre as montanhas tibetanas em Karakal. O por do sol revela aos viajantes uma paisagem estonteante, e o mar sem ondas paralisa-os perante tamanha beleza.
É neste momento que o avião em que estão começa a perder altitude, em virtude das ações libertinas do capitão, e os cinco caem nos entremeios dos vales da montanha. O tibetano morre com a queda e deixa os estrangeiros ilhados no meio de muita neve e de desfiladeiros traiçoeiros.
Até aí, uma história qualquer, porém ao chegar do lama Tchang, a história dá reviravoltas como em um redemoinho agitado. Perambulam, perdidos, até que uma construção imponente desponta por entre as montanhas, revelando que poderiam esperar por hora. O que não sabiam os quatro viajantes é que sua viajem estava longe de terminar.
O mosteiro de Shangri-lá era uma dádiva no meio daquele furdúncio, certamente uma ilha de mistérios dentro do Vale da Lua, assim como lhes fora falado. Curiosamente, nenhum lama exceto o próprio Tchang aparecera, mesmo após três dias hospedados com toda a comodidade do lugar.
E já se cogitava estender a estadia dos visitantes.
Repleta de aventuras e segredos escondidos, a história cativou-me de tal forma que viajei junto a Conway para encontrar o lama superior, aventurei-me junto à Ms. Brinklow na biblioteca do mosteiro, e vivi as aflições de Barnard e Harrisson junto ao afastamento total da sociedade. Pude contemplar a vida pós-morte e o Nirvana de forma tão intensa que praticamente me senti um dos lamas daquele incrível lugar.
Principalmente com a previsão assustada e certeira do lama superior, que me deixou boquiaberto. Transcrevo aqui um trecho desta comovente passagem:
“Ser brando e paciente, velar pelos tesouros do espírito, presidir com sabedoria e sigilo enquanto a tempestade ruge lá fora. [...] Será uma tormenta, meu filho, como jamais o mundo viu outra igual. Não haverá segurança pelas armas, nem auxílio dos poderosos, nem resposta da ciência. Rugirá até que todas as flores da cultura tenham sido empezinhadas e todas as coisas humanas se nivelem num vasto caos. Tal foi a minha visão quando Napoleão era ainda um nome desconhecido. E continuo a vê-la, mais clara a cada hora que passa. Pode dizer que me engano?”

Somente Shangri-lá poderá responder esta pergunta, e quem sabe desenterrar o tesouro do meio do Karakal, escondido na neve.


Dados da obra


Nome : Horizonte Perdido 


Autor:James Hilton
ISBN: 8588386062
Ano: 2002 / Páginas: 207
Idioma: português
Editora: Claridade


Nota: 4,5/5







O autor, James Hilton



resenha por André Luiz

Presságio

Bom dia, caros leitores!!!

Como já anunciado antes, o blog Minúsculas Manivelas firmou uma parceria com o autor Leonardo Barros e, depois de um release com os dados do autor, em preparação para a resenha da obra, temos uma breve sinopse de PRESSÁGIO - O ASSASSINATO DA FREIRA NUA.

Alice tem vinte e seis anos e, desde a adolescência, é atormentada por presságios. Desacreditada por psiquiatras, ela é considerada psicótica, até que uma de suas visões a possibilita desvendar um misterioso homicídio. A polícia atribui a autoria do crime ao Beato Judas, um assassino serial de freiras, mas a descrição do suspeito não se parece em nada com o homem que ela viu em sua premonição.
Agora Alice terá de correr contra o tempo para provar que não é louca e para evitar que o assassino faça uma nova vítima.Suspense, misticismo e sensualidade se misturam neste fantástico thriller policial que parece ter a capacidade sobrenatural de manter seus leitores alucinados, da primeira à última página!

Então que venha a resenha!